O REINO DE DEUS E OS GOVERNOS DE DEUS

Atualizado: Abr 14

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.. 2

O CONCEITO BÍBLICO DE REINO DE DEUS. 2

O QUE PODEMOS CONCLUIR SOBRE O REINO DE DEUS. 3

O GOVERNO DE DEUS NA TERRA.. 3

AS INSTÂNCIAS DO GOVERNO DIVINO.. 4

O JARDIM DO EDEM... 4

ISRAEL. 6

O REINO DO MESSIAS. 7

O REINO ESPIRITUAL DE CRISTO.. 11

AS INSTÂNCIAS DO GOVERNO DIVINO NA TERRA.. 14

1. O ESTADO.. 14

2. A IGREJA.. 15

2.2. O GOVERNO DA IGREJA.. 17

2.3. OS OFICIAIS DA IGREJA.. 18

3. A FAMÍLIA.. 19

3.2. A IMPORTANCIA DA FAMILIA PARA A SOCIEDADE E PARA A IGREJA.. 19

3.3. O GOVERNO DA FAMILIA.. 19

DO PAI PARA COM SUA FAMÍLIA.. 20

DO ESPOSO PARA COM A SUA ESPOSA.. 20

DA ESPOSA COM RELAÇÃO AO ESPOSO E FILHOS. 20

DOS FILHOS EM RELAÇÃO AOS PAIS. 21

DOS PAIS EM RALAÇÃO AOS FILHOS. 21

4. O AUTOGOVERNO.. 22

CONCLUSÃO.. 23

INTRODUÇÃO


Podemos definir um reino como uma estrutura governamental centrada em um governante supremo, organizada e definida em seus aspectos políticos, éticos e geográficos. Um reinado introduz uma ideia de poder, governo, e isso nos reporta para um conceito bem complexo envolvendo estrutura, organização, legislação (direitos e deveres), hierarquia etc. Em se tratando do Reino de Deus, o conceito é bem mais amplo, abrangendo uma infinitude de questões.


O CONCEITO BÍBLICO DE REINO DE DEUS

As Escrituras declaram: “Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência” (Salmos 47:7).

Se Deus é Rei então ele tem um reino, mas como e onde podemos situar o Reino de Deus? As Escrituras nos oferecem algumas informações relevantes a respeito das características do Governo e do Reino de Deus. Na suma bíblica Deus é um Rei supremo que governa um Reino espiritual infinito:

· O trono de Deus é Eterno. “O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino (Sl 45.6).

· O Seu reino domina sobre tudo. “O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19).

· O Reino de Deus é Eterno. “O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura por todas as gerações” (Sl 144.13); “Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração” (Dn 4.3).

· O Seu Reino nunca será destruído. “[...] porque ele é o Deus vivo, e permanece para sempre; e o seu reino nunca será destruído; o seu domínio durará até o fim” (Dn 7.26).

· Os santos do Altíssimo receberão o Reino. “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, sim, para todo o sempre (Dn 7.18; cf. Dn 7.22,27).



O QUE PODEMOS CONCLUIR SOBRE O REINO DE DEUS

A primeira coisa que devemos concluir a respeito do Reino de Deus é que ele é de natureza puramente espiritual (Jo 18.36). O Reino de Deus teve sua origem em um dado momento na eternidade, a partir do momento que ele criou suas criaturas morais espirituais, os anjos.

Um reino compreende domínio, organização, estrutura, hierarquia. Deus organizou seu Reino no mundo espiritual estabelecendo hierarquias e dominações subordinadas. As Escrituras mencionam diversas categorias ou classes de seres angelicais, anjos, querubins, serafins, arcanjos, tronos, governos, potestades, príncipes etc. (Rm 8.38; Ef 1.21; 3.10; Cl 2.10,15,16).


O GOVERNO DE DEUS NA TERRA

O Reino de Deus ou o governo de Deus é de natureza puramente espiritual, mas tornou-se visível mediante a criação do cosmo (mundo físico), e da criatura moral humana (o homem).

Ao criar o homem no sexto dia, as Escrituras declaram que Deus preparou um lugar específico para sua habitação (o Jardim do Édem) Gn 2.8-17). Ali Deus se apresentava a Adão e dialogava com ele (Gn 3.8).

O Jardim do Édem foi a primeira manifestação física do Reino de Deus na terra. A partir daí o Reino de Deus passou a coexistir em duas dimensões, física e espiritual.

No Édem, o homem (Adão) recebeu autoridade emanada de Deus para governar sobre toda a sua criação (Gn 28.30).

Deus é a fonte de todo poder e autoridade e domínio (Mt 6.13; Jd 1.25). O governo e toda forma hierárquica tem sua origem em Deus, pois ele foi o primeiro a fazer uso do poder, do domínio, do governo, bem como será o último, pois todo poder humano constituído, será por Deus um dia destituído ficando apenas um único governo )centralizado, seu próprio governo (Dn 2.44).

Os governantes humanos assumem poderes passageiros e provisórios. Mesmo os governantes humanos exercendo um poder aparentemente hostil ao governo divino, Deus continua tendo um certo controle sobre os reinos deles “[...] o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até o mais humilde dos homens constitui sobre eles” (Dn 4.17); “[...] o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (Dn 4.25b – ver também o versículo 32,34), no entanto, Deus tem determinado um dia, na consumação de todas as coisas, em que Ele há de assumir o domínio e governo de tudo, que a Ele pertencem por direito (Ap 11.15).



AS INSTÂNCIAS DO GOVERNO DIVINO

O Reino ou o governo de Deus na terra é representado por meio de instâncias de governos subordinadas “o estado, a igreja, a família, o autogoverno” (trataremos a respeito deste tema mais adiante). Essas extensões de governos exercem um poder conferido ou delegados por Deus.

Esses governos constituídos são constantemente inspecionados, e são passiveis de uma possível intervenção divina, caso isso seja necessário.

Estas extensões de governo podem não representar de maneira plena toda a ética do Reino espiritual de Deus, mas o refletem de maneira parcial.

As extensões do governo de Deus na terra são também designadas instituições divinas pois foram por ele instituídas. Elas também são ao mesmo tempo instituições sociais pois são constituídas por pessoas para o governo de pessoas.


O JARDIM DO EDEM

O Jardim do Édem foi a primeira manifestação física do Reino de Deus na terra. Para que um Reino seja identificado como um Reino é necessário manifestar algumas características básicas:

1. Um governante soberano (no caso o Senhor Gn 2.7)

2. Um território ou um ambiente de governo (no caso o Jardim do Édem Gn 2.7)

3. Uma legislação ou uma constituição (no caso as leis de Deus dadas a Adão Gn 2.16,17)

4. Uma estrutura governamental hierarquizada (Deus – Adão – Eva – Animais Gn 1.26-30)

5. Os súditos (no caso Adão e Eva)

Todas as instituições divinas, (que são até certo ponto representações do governo divino na terra) seguem esse mesmo princípio, segundo suas próprias peculiaridades.

Adão foi o primeiro homem a exercer um governo terreno, uma espécie de governo subordinado pois seu poder de governo havia sido delegado por Deus (Gn 1.26-30):

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi.

O poder de governo delegados por Deus a Adão incluía praticamente todas as coisas criadas, menos a própria raça humana. Deus não deu a Adão o governo da raça humana pois Ele mesmo seria seu governante.

Deus criou a primeira forma de governo, e essa forma de governo deveria ser essencialmente teocrática, isso é, exercida unicamente pelo próprio Deus. Contudo, com a desobediência de Adão e Eva o homem foi expulso do Jardim do Édem perdendo seu direito ao domínio do Senhor.

A multiplicação da raça humana se deu em um ambiente hostil, privada da influência positiva e estabilizante do governo divino (Gn 4). O pecado de Adão teve consequências desastrosas imediatas, Caim seu filho mais velho, movido por inveja levantou-se hostilmente contra seu irmão Abel e o matou (Gn 4.8). A corrupção do pecado de Adão contaminou todos os seus descendentes a ponto de, até mesmo a linhagem piedosa de Sete (terceiro filho de Adão) também se corromper (Gn 1.1-6).

Sem o governo de Deus o homem, vendido sob suas paixões e concupiscências se perde. A rebelião do homem traz sobre si mesmo o juízo de Deus.

Após a queda, o homem foi expulso do Édem (Gn 3.23,24). A rebelião dos primeiros descendentes de Adão culminou com o juízo das águas do dilúvio que dizimou a todos exceto Noé, sua esposa, seus filhos e noras. O Édem era uma manifestação física do Reino de Deus, contudo por causa do pecado o homem foi expulso de lá.

O pecado de Adão era uma clara demonstração de quebra de aliança e de que o homem não mais aceitava o governo de Deus. Como consequência Deus expulsou o homem de sua presença, vivendo assim aos caprichos de suas próprias paixões.

Deus tem demonstrado que (apesar da rebelião do homem contra o seu governo), ele nunca perde o controle da situação, intervindo na história sempre quando necessário, as vezes de maneira drástica (Gn 7.7-24).

Após o dilúvio os descendentes de Noé se estabeleceram em todas as partes formando várias civilizações (Gn 10). O incidente da Torre de Babel foi interpretado pelo próprio Senhor como mais uma forma de rebelião contra seu governo, o que resultou em uma nova intervenção sua:

“Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa. Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade” (Gn 11.3-11).


ISRAEL


A permanência do Reino de Deus na terra ficou comprometida por causa do pecado de Adão e por causa da corrupção da humanidade (mesmo com o juízo do dilúvio), contudo, Deus sempre guiou a humanidade afim de que seus eternos planos fossem cumpridos.

Em seu coração Deus tinha um plano redentivo oculto, este plano foi revelado a humanidade quando promulgou sua sentença contra a Serpente no Édem (Gn 3.15). O Senhor prenunciou sua própria vitória e a vitória de seu povo sobre aquele que intentou frustrar os seus planos, o diabo (Ap 20.2).

O plano redentivo do Senhor incluía primeiramente a eleição de um povo peculiar, um povo que lhe fosse exclusivo e que pudesse manifestar mais uma vez o seu Reino na terra até que ele fosse implantado de forma definitiva. Este povo é o povo de Israel, os descendentes de Abrão, Isaque e Jacó.

Sobre esse povo Deus declara:

“Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto, então sereis a minha possessão peculiar dentre todos os povos, porque minha é toda a terra; e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa...” (Ex 19.5,6)

A terra de Canaã, dada em herança aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó era considerada propriedade do próprio Deus, e por isso Ele a chama de “minha terra” inúmeras vezes (2 Cr 7.20; Is 14.25; Jr 2.7; 16.18; Ez 36.5; 38.16; Jo 1.6; 3.2). Do mesmo modo Deus se manifesta com respeito a cidade de Jerusalém (1 Rs 11.13). Jerusalém é chamada a cidade do Grande Rei (Hb 12.22). Como um prenúncio de que um dia Deus mesmo irá governar o seu povo a partir daí. O povo de Israel seriam os representantes de Deus na terra até que o governo pleno de Deus fosse instituído, por meio do Messias.


O REINO DO MESSIAS

O Reino do messias será um Reino físico, literal, que conforme a profecia bíblica terá como sede a cidade de Jerusalém.

O intento do Senhor em implantar seu Reino na terra foi revelado gradativa e progressivamente através da história bíblica, começando pelos patriarcas Abraão, Isaque e Israel (Gn 12.1-4,7; 13.14-16; 15; 17.1-7; 18.17-19; 26.2-5,24-25; 28.13-16; 35.9-13). Deus constituiria os descendentes de Abraão como seu próprio povo, e por meios dele constituiria seu Reino na terra (Ex 19.5,6).

A lei do Sinai seria a constituição do seu reino, e por meio dela Deus governaria seu povo. O povo Judeu não seria um reino comum mas um reino de sacerdotes, enfatizando a missão principal da nação hebreia que era revelar o Messias “o Redentor” do mundo (Jo 4.22), conforme Deus havia prometido a Abraão, afirmando que nele seriam benditas todas as nações da terra (Gn 12.3; 22.18), apontando para a salvação dos gentios em Cristo Jesus (Gl 3.8)

Deus sempre ansiou ser o único governante sobre o seu povo, como ele próprio declarou a Samuel (quando os Israelitas pediram a ele que instituísse um rei sobre eles, a semelhança das outras nações):

“Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá, E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações. Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor. E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles” (1 Samuel 8:4-7).

A história bíblica do povo judeu é dividida em três grandes fases:

· O período dos Juízes (que vai deste a morte de Josué até o profeta Samuel, último juiz – At 13.20), prevalece o cognome “hebreus”;

· O período da monarquia (que inicia com Saul e vai até Zedequias, último rei de Judá, que foi deposto por Nabucodonosor – 2 Rs cap. 25), prevalece o cognome “israelitas”;

· E, por último, o período sacerdotal (que abrange todo o período intertestamentário), de Malaquias a Cristo), nesse período prevalece o cognome “judeus”.

Os três períodos, mesmo marcados por peculiaridades governamentais, refletem em maior ou menor grau um governo Teocrático (governo exercido por Deus), tendo como ponto de partida a lei de Moisés.

A promessa da implantação do Reino de Deus na terra tem como pressuposto o plano redentivo de Deus. A implantação definitiva do Reino será seguida pela consumação do plano da redenção (1 Co 15.24-28).

O Reino Messiânico será uma era sem precedentes na história, marcado por muita paz e prosperidade (Is11). O Reino do messias, como nos afirmas as profecias messiânicas, cobrirá um período de mil anos (Ap 20.2-7), onde o Messias se assentará no trono de Davi regendo as nações com vara de ferro a partir de sua capital, Jerusalém (Ap 2.27; 12.5; 19.5).

Deus prometeu a Davi que estabeleceria o seu trono para sempre, e que não faltaria um descendente seu que assentasse em seu trono:

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino [... ] A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (2 Sm 7.12,13,15).

Essa mesma promessa foi ratificada também a Salomão:

“Ora, se tu andares perante mim como andou Davi, teu pai, com inteireza de coração e com equidade, fazendo conforme tudo o que te ordenei, e guardando os meus estatutos e as minhas ordenanças, então confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre, como prometi a teu pai Davi, dizendo: Não te faltará varão sobre o trono de Israel” (1 Rs 9.4,5)

Os profetas de Israel também falaram sobre o Reino Messiânico:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará isso” (Is 9.7-8).

“Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todos os lados, e os introduzirei na sua terra; e deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca mais serão duas nações, nem de maneira alguma se dividirão para o futuro em dois reinos; nem se contaminarão mais com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com qualquer uma das suas transgressões; mas eu os livrarei de todas as suas apostasias com que pecaram, e os purificarei. Assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. Também meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor só; andarão nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão. Ainda habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; nela habitarão, eles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. Farei com eles um pacto de paz, que será um pacto perpétuo. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. Meu tabernáculo permanecerá com eles; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E as nações saberão que eu sou o Senhor que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles para sempre (Ez 37.21-28).

“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para sempre” (Dn 2.44)

Como também das características que marcariam este Reino:

“Então brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem decidirá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com equidade em defesa dos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio. A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins. 6 Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro, e o leão novo e o animal cevado viverão juntos; e um menino pequeno os conduzirá. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; e o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e a desmamada meterá a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar. Naquele dia a raiz de Jessé será posta por estandarte dos povos, à qual recorrerão as nações; gloriosas lhe serão as suas moradas...” (Is 11.1-10).

O Reino do Messias, que se instaurará mediante a chegada da Era messiânica é também chamado de Reino Milenial (Ap 22.2-7), e em alguns contextos é identificado como uma herança devida aos mansos (Sl 25.13; 37.9,11,22,29; Is 57.13; 60.21; 65.9; Mt 5.10).

O Reino do Messias é sempre mencionado como uma realidade futura, que conforme a corrente escatológica pré-milenista dispensacionalista será instaurado no final da Grande Tribulação por ocasião da segunda vinda de Cristo, isso é, em sua vinda gloriosa (Mt 24.29-31; I Co 15.23-28).


O REINO ESPIRITUAL DE CRISTO

“Naqueles dias apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia, dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3.1-2)

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17)

A mensagem evangelística do Novo Testamento, proclamadas por João Batista, por Cristo e por seus discípulos, tinha como ponto de partida a chegada do Reino de Deus. O Evangelho “boas novas” de Cristo, manifestou o governo de Deus entre os homens novamente. O Evangelho de Cristo é também chamado Evangelho do Reino (Mt 4.23; 9.35; 24.14; Lc 4.43; 8.1; 16.16). Isso porque o Evangelho se manifesta em detrimento do Reino, para o Reino, e como o Reino.

O Reino ou o governo de Deus se manifesta em contrapartida aos reinos humanos, cujo rei é o diabo, o príncipe e deus deste século (Mt 3.8; Lc 4.5,6; Jo 12.31; 16.11; 2 Co 4.4).

A expressão Reino dos Céus” e “Reino de Deus” aparece diversas vezes nas páginas do Novo Testamento, em especial a Expressão “Reino dos Céus” mais peculiar do evangelista Mateus. Alguns estudiosos chegam a afirmar que as duas expressões carregam significados diferentes, sendo o “Reino de Deus” uma referência ao ambiente espiritual onde Deus exerce o seu governo, onde se situam os seres angelicais; e “Reino dos Céus” o ambiente espiritual onde se situam os salvos e a Igreja de Deus. Particularmente acredito não haver qualquer distinção entre as duas expressões, tratando-se apenas de fórmulas distintas de referir-se a mesma coisa.

O Reino dos Céus ou o Reino de Deus é manifestado entre os homens mediante a pregação do Evangelho de Cristo e a manifestação do governo de Deus sobre os indivíduos. Aqueles que foram salvos mediante a fé em Jesus, e que refletem a glória de Deus. Não se trata de algo observável, palpável, mas experienciado mediante o exercício da comunhão com o Senhor.

A Igreja não resume todo conceito de Reino de Deus (Hb 12.22,23). A igreja não é o Reino, pois o Reino é um conceito maior que a Igreja. O Reino de Deus não pode ser contido pela Igreja, mas o Reino contém a Igreja. A igreja se manifesta coma uma agência do Reino na terra. A Igreja é visível, exterior, palpável, enquanto isso o Reino é interior, não visível e nem palpável, mas sentido (Lc 17.20,21), ele é tratado como uma realidade atual (Mt 10.7; Lc 10.9,11), mas ao mesmo tempo é futuro, mas iminente (Lc 21.31; Lc 22.16-18). Deus nos libertou dos nossos pecados e nos constituiu “...geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9; cf. Ap 1.5,6). Eis as principais características e condições do Reino de Deus:

· Em seu aspecto futuro “lembrando o Reino Messiânico ou a era Messiânica” o Reino de Deus é apresentado como herança dos mansos e propriedade daqueles que são perseguidos por causa da justiça (Mt 5.5,10).

· O Reino de Deus será organizado hierarquicamente, havendo posições superiores e inferiores (Mt 5.19; 11.11; 18.3; Lc 7.28)

· A justiça do Reino é superior à justiça dos religiosos judeus e da lei judaica (Mt 5.20)

· O crente deve ansiar pela vinda do Reino, devendo orar constantemente para que o Senhor o manifeste (Mt 6.10; Lc 11.12)

· O Reino de Deus deve ser buscado em primeiro Lugar (Mt 6.33; Lc 12.31)

· Somente os que praticam a vontade do Senhor poderão entrar o Reino (Mt 7.21)

· O Reino dos Céus acomodará pessoas oriundas de todas as etnias e nações (Mt 8.11)

· O Reino dos Céus é tomado por força (Mt 11.12)

· Somente aos seguidores de Cristo é dado a capacidade de conhecer os mistérios do Reino de Deus (Mt 13.11; Mc 4.11; Lc 8.10)

· As palavras do Evangelho se revelam como sendo palavras do Reino (Mt 13.19)

· Coisas do cotidiano podem representar aspectos do Reino de Deus “o grão de mostarda” (Mt 13.31; Mc 4.31), “uma semente” (Mc 4.26); “o fermento” (Mt 13.33; Lc 13.1), “um tesouro” (Mt 13.44) “um negociante que buscava pérolas” (Mt 13.45), “uma rede” (Mt 13.47) “um escriba e um pai de família” (Mt 13.52); “um rei que quis tomar contas com os seus servos” (Mt 18.23), “um homem proprietário” (Mt 20.1), “ um rei que celebrou as bodas de seu filho” (Mt 22.1); “dez virgens” (Mt 25.1);

· A Igreja tem as chaves do Reino dos Céus (Mt 16.19)

· Somente os que se fazem como crianças entram no Reino dos Céus (Mt 18.2; Mc 10.14,15; Lc 18.16,17).

· O Reino pertence aos pobres (Lc 6.20; Tg 2.5)

· Os ricos têm dificuldade em entrar por ele (Mt 19.23,24; Mc 10.24-25; Lc 18.24-25)

· O Reino de Deus estava sendo tirado do povo judeu e entregue ao Povo da Nova Aliança, a Igreja (Mt 21.41).

· É urgente falar a respeito do Reino de Deus (Lc 9.60)

· O indiligente não é digno do Reino de Deus (Lc 9.61)

· No Reino de Deus os doze discípulos se assentarão em doze tronos e julgarão as doze tribos de Israel (Lc 22.30).

· Somente os nascidos de novo poderão entrar no Reino de Deus (Jo 3.3,5)

· O Reino de Cristo não é deste mundo (Jo 18.36)

· Os assuntos relativos à vida cristã são compreendidos como temas do Reino (At 1.3; 8.12; 19.8)

· O Reino de Deus é a recompensa dos que sofrem pela causa cristã (At 14.22)

· O Reino de Deus foi pregado pelos apóstolos (At 20.25; 28.21)

· O Reino de Deus foi explicado pelos missionários cristãos (At 28.23)

· O Reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo (Rm 13.17)

· O Reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder (1 Co 4.20)

· Os injustos não herdarão o Reino de Deus (1 Co 5.9,10; Ef 5.3-5)

· Jesus entregará o Reino ao Pai (1 Co 15.24)

· Carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus (1 Co 15.50)

· Os que praticam as obras da carne não herdarão o Reino de Deus (Gl 5.19)

· Fomos transportados para o Reino espiritual de Cristo (Cl 1.13)

· Todos os obreiros da casa de Deus são cooperadores do Reino (Cl 4.11)

· Deus nos chama para o seu Reino de glória (1 Ts 2.12)

· O Reino preparados para os salvos é um Reino celestial (1 Tm 4.18)

· O Reino de Deus não pode ser abalado (Hb 12.28)

· O Reino de Deus é eterno (2 Pe 1.11)

· Os santos do Senhor reinarão sobre a terra (Ap 5.10)


AS INSTÂNCIAS DO GOVERNO DIVINO NA TERRA

Como já falamos anteriormente, Deus estabeleceu agências de seu governo na terra. Essas representações ou instâncias de governo, (que são também designadas instituições divinas, pois foram por Ele instituídas), refletem até certo ponto a ética do Reino de Deus, em maior e menor grau e intensidade dependendo de quem, quando e onde. Essas instituições divinas são ao mesmo tempo instituições sociais pois são formadas por pessoas para o governo de pessoas.


1. O ESTADO

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, daí a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra” (Romanos 13:1-7).

“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei” (1 Pedro 2:13-17).

O estado, entendido aqui como o poder humano constituído, reflete até certo ponto o governo divino. Deus constituiu os governantes e magistrados, e até certo ponto age por meio deles reprimindo e condenando o crime e os criminosos e condenando as más obras. Por isso, como cidadãos dos céus temos uma responsabilidade diante de Deus para com o estado, no cumprimento de nossos deveres.

A cultura judaico-cristã influenciou de maneira plena a cultura ocidental, de modo que muitos dos valores morais e éticos adotados por muitos países ocidentais refletem, até certo ponto princípios e valores cristãos (Mt 5-7). Dentre os muitos exemplos podemos citar o Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. A constituição federativa desses países reflete em grande escala a bíblia sagrada.

Isso não significa afirmar que tudo o que o estado aprova e exige dos civis reflete a vontade perfeita de Deus, mas que, mesmo uma constituição formada por ímpios, pode refletir muitos valores cristãos, os quais somos por Deus convocados a cumprir, na condição de servos seus.

Nem tudo que é legal e moral e nem tudo que é moral é legal, o que crente não está obrigado a cumprir nada que vestido de legalidade fira os princípios morais e Deus, isso também vale para aquilo que não possui força de lei mas que é para os cristãos um mandamento instituído por Deus.

Deus exige que cumpramos nossos deveres para com o estado, para que o nome de Jesus não venha ser blasfemado “Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos” (1 Pd 2.15). Igualmente, Deus deseja que vivamos sempre a interceder por nossos governantes, “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:1-4).


2. A IGREJA

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18)

Tanto a salvação dos gentios como a Igreja são retratadas por Paulo como um mistério que esteve oculto, mas que foi revelado em Cristo, por meio do Evangelho (Ef 3.1-12).

Deus predisse a Abraão que nele todas as nações seriam benditas (Gn 12.3; 22.18); e isso foi interpretado por Paulo como uma preanunciação da promessa da justificação dos gentios (Gl 3.8). O profeta Oseias também prenunciou que um outro povo seria chamado o povo de Deus (Os 2.23); e na era da Graça Jesus ratificou isso com todas as letras (Mt 21.43). Contudo, mesmo diante de tantas revelações a identidade deste povo ficou oculta, até a manifestação do Reino de Deus mediante a pregação do Evangelho (Mt 10.7).

O Evangelho, como a nova constituição dos céus, manifestou o Reino de Deus, que por sua vez, manifestou o seu novo povo, a Igreja. Nenhum dos profetas de Deus conseguiu ver a Igreja, por isso ela foi retratada como um mistério que esteve oculto desde os séculos:

“E demonstrar a todos qual seja a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” (Efésios 3:9-12)

A igreja de Cristo é a extensão mais significativa do Reino de Deus na terra. A igreja manifesta o Reino de Deus e seu domínio sobre os salvos.

A palavra “igreja” tem sua raiz no grego “eklesia” que significa “os tirados para fora”. Tirados para fora do mundo para servir a Deus em novidade de vida (Rm 7.6).

Nas Escrituras encontramos dois sentidos básicos para o termo “igreja”. A “igreja” como uma representação dos salvos de todos os tempos, passado presente e futuro (Mt 16.18; Ef 1.22; 3.10,21; 5.23-25, 27,29,32; 1 Tm 3.15; Hb 12.23; Cl 1.18,24), e a “igreja” como a comunidade ou a reunião dos salvos em determinada localidade (Mt 18.17; At 5.11; 8.1,3; 9.31; 11.22,26; 12.1,5; 13.1; 14.23,27; 15.3,4,22; 18.22; 20.17,28; Rm 16.1,5,23; 1 Co 1.2; 4.17; 5.4; 10.32; 11.18,22; 12.28; 14.4,5,12,19,23,28,35; 15.9,19; 2 Co 1.1; Gl 1.13; Fl 3.6; 4.15; Cl 4.15,16; 1 Ts 1.1; 2 Ts 1.1; 1 Tm 3.5; 5.16). Nunca as Escrituras neotestamentárias usam o termo igreja para referir-se a templos ou locais de culto como é atualmente chamado.


2.2. O GOVERNO DA IGREJA

Na perspectiva de muitos estudiosos da Bíblia (principalmente os pentecostais) a Igreja de Cristo foi oficialmente fundada com o derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos no Cenáculo (At 2.1-4). Ali os discípulos de Cristo (quase cento e vinte irmãos) foram dotados com poder dos céus para testificarem do Evangelho de Cristo as nações, conforme o próprio Cristo havia predito (At 1.8). No entanto, outros preferem acreditar que a Igreja passou a existir a partir da comissão dos doze pelo Senhor Jesus, “E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar” (Marcos 3:13,14).

Jesus treinou doze discípulos e os comissionara para pregar as boas novas. Apesar de haver circunstâncias em que Jesus preferiu estar com apenas três deles (Mt 17.1; Mc 5.37; 9.2; 14.33; Lc 8.51), se dirigir a apenas um (Mt 16.18), e demostrar grande afeto por outro (Jo 13.23; 19.26), Jesus nunca institui uma hierarquia entre os doze.

Os doze discípulos foram convocados nominalmente pelo próprio Jesus (Mc 3.13,14). Todos receberam a mesma dignidade e a mesma autoridade (Lc 10.19). Eles seriam as principais testemunhas da ressurreição de Cristo e de suas obras (At 1.22; 4.33). Se for verdade que a Igreja surgiu com a eleição dos doze, Jesus não deixou instituída qualquer forma de governo para igreja, exceto seu fundamento que é ele mesmo e seus apóstolos (Mt 16.18).

O governo da Igreja surgiu a partir da própria necessidade da Igreja, tendo como ponto de partida a autoridade apostólica, pré-constituída por Cristo. No uso de seu poder delegado, os apóstolos elegeram primeiramente o substituto de Judas Iscariotes, Matias (At 1.21-26); a eleição de Matias seguiu um procedimento tríplice: oraram ao Senhor pedindo que apontasse o seu escolhido (v 24), depois lançaram sortes (v 26a), e por fim, votaram (26b). Em Atos 6 encontramos a eleição dos sete diáconos que foram eleitos seguindo um padrão semelhante:

“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos” (Atos 6:1-6).

E isso foi seguido pela separação e o envio de missionários (At 13.1-4); e na constituição dos bispos ou pastores (At 20.28).

Na ação dos apóstolos fica bem explícito o reconhecimento da soberania de Deus sobre sua Igreja. Até onde temos conhecimento, o princípio da soberania divina foi o ponto de partida para a instituição do governo da Igreja Primitiva (1 Co 12.28).


2.3. OS OFICIAIS DA IGREJA

O governo da igreja primitiva era constituído por duas classes principais de oficiais: os presbíteros “anciãos”, e os diáconos (1 Tm 3). O ofício pastoral era designado utilizando-se de três nomenclaturas distintas (bispo, presbítero ou ancião e o pastor propriamente dito).

No início, os apóstolos exerciam o governo sobre as comunidades cristãs, principalmente nas questões doutrinarias (At 15), depois da partida destes, a figura do bispo foi ganhando proeminência sendo reconhecido como uma espécie de superintendente ou supervisor de outros pastores.

Além dos obreiros da igreja local existiam os obreiros itinerantes (evangelistas e missionários) que se ocupavam especificamente com evangelização e com a implantação de novas igrejas (At 13.1-4; 1 Jo 1.5-8). Além destes, existiam também os obreiros cooperadores que estavam a serviço dos apóstolos (Rm 16.9; 2 Co 8.23; 1 Ts 3.2).

Quanto ao perfil do obreiro da casa de Deus, três passagens bíblicas merecem nossa atenção (1 Tm 3; Tt 1.5-9; 1 Pd 5.1-4). Observando estas passagens e outras paralelas cuidadosamente, podemos concluir que o perfil do obreiro é o mesmo para todas as funções.


3. A FAMÍLIA

A família, entendida no seu sentido imediato, é a menor partícula da sociedade, constituída pelo pai, a mãe e os filhos. A família é a consequência da união do matrimônio, que é uma instituição divina sagrada (Gn 2.24).

No plano divino a intimidade sexual só pode ser desfrutada no contexto do casamento (Hb 13.4), sendo considerado pecado qualquer união fora do contexto do casamento como a prostituição, a fornicação e o adultério (Ef 5.3). Portanto, independentemente de como a sociedade hoje encara essas questões, a vontade de Deus é que a intimidade sexual seja desfrutada no contexto do casamento, e o filhos sejam a consequência desta união, sendo criados debaixo da proteção da família (pai e mãe).


3.2. A IMPORTANCIA DA FAMILIA PARA A SOCIEDADE E PARA A IGREJA

A família tradicional tem muitos inimigos na atualidade, principalmente entre os adeptos de movimentos e ideologias modernas como: ideologia de gênero, feminismo, os famosos partidos de esquerda, dentre outros. Contudo, é inquestionável o valor da família na formação e na estabilidade da sociedade e da igreja.

A família é uma pequena extensão da sociedade, tendo a função de formar os indivíduos que serão integrados ao seu contexto. Os indivíduos tendem a carregar para a vida toda aquilo que receberam no contexto familiar, seja bom ou mal.

Os valores aprendidos serão levados para o convívio social, o que torna imprescindível uma boa formação familiar. Apenas famílias estáveis formam indivíduos estáveis, preparados para viver em sociedade, ética e moralmente.

A família também é a menor partícula da igreja, levando em consideração o sentido básico do termo que é “ajuntamento, reunião”. Onde se encontra uma família cristã, ali se encontra uma extensão da Igreja de Cristo.


3.3. O GOVERNO DA FAMILIA

Como já foi dito, a família, no seu sentido imediato, é formada por três classes de pessoas (o pai que também é o esposo, a mãe que também é a esposa e os filhos). No plano divino estas classes são posicionadas de maneira hierárquica possibilitando o seu governo. Deus definiu o papel de cada um no contexto do casamento e da família.

No modelo bíblico de família (também chamado modelo patriarcal), o pai é constituído como o cabeça ou o chefe, sendo sucedido em termos de autoridade pela mãe, que exerce o papel de adjutora ou auxiliadora (Gn 2.18). O modelo da família patriarcal, herança da cultura judaico/cristã ainda é adotado por muitas culturas atualmente.

Dados científicos apontam que muitas povos e culturas deixaram de existir ao longo da história, e um dos fatores que contribuíram para isso foi o não estabelecimento de papeis definidos no contexto familiar possibilitando assim o seu governo. Isso significa que, definir os papeis no contexto familiar não é somente uma questão cultural, mas sim uma questão necessária para a sobrevivência da própria cultura, como também da própria família.

O Ensino bíblico Neotestamentário é bem claro sobre a questão do governo da família:


DO PAI PARA COM SUA FAMÍLIA

“Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?) (1 Timóteo 3:4,5).

“Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas (1 Timóteo 3:12)


DO ESPOSO PARA COM A SUA ESPOSA

“Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo” (1 Coríntios 11:3)

“Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas” (Colossenses 3:19).

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela (Efésios 5:25)


DA ESPOSA COM RELAÇÃO AO ESPOSO E FILHOS

“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação” (1 Timóteo 2:11-15).

“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor” (Efésios 5:22).

“Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor” (Colossenses 3:18).

“As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem; Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, A serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada” (Tito 2:3-5).

“Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; considerando a vossa vida casta, em temor” (1 Pedro 3:1,2).

Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos (Provérbios 14:1)


DOS FILHOS EM RELAÇÃO AOS PAIS

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor (Colossenses 3:20)

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa” (Efésios 6:1,2).


DOS PAIS EM RALAÇÃO AOS FILHOS

“E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4)

"Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo” (Colossenses 3:21).

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6)


4. O AUTOGOVERNO

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Timóteo 4:16)

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15)

O autogoverno, como uma manifestação do governo de Deus, pode ser entendido como o domínio de Deus sobre o crente. Esse domínio pode se manifestar-se em maior ou menor grau, dependendo do próprio salvo.

Deus ansiou governar e dominar a vida do salvo, e este anseio se concretiza mediante o selo do Espírito Santo que nos fora dado (2 Co 1.22). Conforme nos afirmam as Escrituras, o Espírito Santo de Deus habita no crente, (Rm 8.9; 1 Co 3.16; 6.19; Gl 4.6; Ef 2.22).

Ser dominado pelo Espírito Santo ou se submeter ao seu governo é o requisito principal da fé que nos identifica como verdadeiros servos de Deus.

As Escrituras nos recomendam: “[...] Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne (Gálatas 5:16). Andar em Espírito é andar sob seu domínio. Quando o salvo anda no (ou em) Espírito, o governo de Deus se manifesta sobre a sua vida de maneira plena. Desta maneira seremos dirigidos e guiados para a prática dos frutos do Espírito e de toda boa obra (2 Tm 2.17; 2 Ts 2.17). Isso fará com que o crente viva sempre uma vida repleta da presença dele (Ef 5.18).

O domínio de Deus sobre nossas vidas é manifestado por meio de nossas vontades (Gl 5.17). Deus não nos poderá dominar jamais se primeiramente, não controlar nossas vontades, e esse domínio se dá mediante a predisposição do crente em reprimir e subjugar a si mesmo. Nisso se manifesta o autogoverno, ou o domínio de Deus sobre nós.

As Escrituras sempre evocam a responsabilidade individual de cada um diante de Deus (Rm 14.12). Deus não tem ninguém por inocente.

Se desejamos que Deus nos domine cada vez mais, devemos aprender a nos munir de todas as armas espirituais, “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10:4,5).

O gênero humano perdeu em Adão seu direito ao governo de Deus sobre si, mas em Cristo esse privilégio nos é restituído, contudo, ele não pode evocado por parte do próprio homem. O governo de Deus deve ser atraído mediante um coração contrito, que manifesta uma total dependência do Senhor.


CONCLUSÃO

O conceito de Reino de Deus é bem mais amplo do que podemos comensurar. As colocações e definições apresentadas nesse breve estudo sobre o Reino de Deus e sobre os governos de Deus é apenas uma partícula de tudo aquilo que o Reino representa em termos de importância e significação para Deus, para a Igreja e para o crente em particular.

Resumimos nosso estudo deixando uma citação famosa de nosso Senhor Jesus Cristo; “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrecentadas" (Mt 6.33)

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