CURSO LIDERANÇA/LIÇÃO 2 - A LIDERANÇA CRISTÃ NA PRÁTICA

Atualizado: Out 13


Ser um líder cristão não é uma tarefa muito simples. Exige um certo preço a ser pago. Por isso, nem todos alcançam êxitos, pois nem todos estão dispostos a pagar o preço devido.

Quase todas as pessoas acham que possuem aptidões de liderança, e que têm potencial para isso, mas na prática, a maioria falha nos pontos mais essenciais e cruciais.

Isso acontece pelo fato de que nem todos possuem os requisitos básicos para ser um líder cristão. Mas a questão da seleção não pode seguir os critérios meramente formais. Pessoas pouco produtivas e pouco talentosas, podem se superar e tornar-se grandes líderes, enquanto, por outro lado àqueles que demostram certa aptidão podem nos decepcionar.

Um exemplo disso são os apóstolos de Jesus, Tiago e João. Estes foram apelidados de “Boanerges”, isso é, filhos do trovão (Mateus 3.17). Esse apelido lhes foram dados por causa de seu temperamento explosivo, mas depois de passarem pela escola de Cristo, tornaram-se grandes líderes. João inclusive é conhecido como o apóstolo do amor. O homem do temperamento explosivo tornou-se um homem amoroso e manso. Por outro lado, temos o exemplo de Saul:

Saul pertencia a tribo dos benjamitas, tribo de hábeis guerreiros e pertencia também a uma família nobre. Era um homem fisicamente bem preparado, forte e de estatura elevada; sobressaia a todos do ombro para cima (1 Samuel 10.23). Era o tipo de líder perfeito. Mas infelizmente decepcionou a todos, e desonrou ao próprio Deus, pois não se importava em obedecer a Deus, mas em fazer aquilo que era propício aos seus próprios olhos. A consequência foi sua rejeição da parte do próprio Deus (1 Samuel 15.26).

O segredo da liderança nem sempre se encontra no quesito “querer”, “poder”, “talento”, mas como já vimos, no quesito “vocação, dedicação, comprometimento”. Quando falo de vocação não me refiro apenas ao dom ou tendência inata de liderar, (se é que isso de fato exista) mas ao chamado divino. Apesar de que, esse fator sozinho não seja definitivo, deve ser considerado fundamental para o exercício da liderança cristã. Toda a estrutura de uma liderança cristã eficiente, se constrói a partir desse fundamento:

“Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Coríntios 15:10).

Paulo reconhece que a graça de Deus em sua vida, é o fator principal, responsável por todo o serviço que pode prestar ao Reino de Deus. A graça nos é concedida conforme a medida do dom de Cristo em nossas vidas (Efésios 4.7), isso é, conforme o nosso chamado.


1. O LÍDER CRISTÃO, UM CRENTE MULTIFUNCIONAL

Como já enfatizamos, Jesus Cristo é nosso maior exemplo de liderança cristã eficaz. E, baseado no exemplo de Cristo, observamos que a liderança cristã é uma atividade que concentra em si diversas outras funções. O líder cristão é uma espécie de crente multifuncional.


1.1. O LÍDER CRISTÃO É UM GUIA ESPIRITUAL

O líder cristão é um líder espiritual, por esse motivo deve estar habilitado para exercer em certo sentido o ministério de apascentar. Todo pastor é um líder espiritual, mas nem todo líder é um pastor. Também não somos líderes somente quando somos revestidos de liderança. O líder inato age como líder, mesmo sem assumir função de liderança. Da mesma forma o líder cristão, mesmo não exercendo o ministério pastoral precisará agir como tal em diversas circunstâncias:

“Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros” (1 Coríntios 12:25).


1.2. O LÍDER CRISTÃO É UM MESTRE OU INSTRUTOR

Um mestre é um ensinador por excelência, o instrutor repassa instruções. Ninguém, contudo, pode ensinar ou instruir sem ter antes aprendido. O líder cristão deve procurar atender esse aspecto de sua missão. Líderes chamados tem grande chance de serem eficazes, líderes preparados tem todas as chances de serem eficazes. A liderança cristã é um convite para um mergulho profundo no oceano da ciência e sabedoria de Deus (Romanos 11.33), bem como do conhecimento de todas as necessidades humanas (Provérbios 27.26). O líder eficiente é um líder preparado e um líder preparado é sempre os mais informados.


1.3. É UM AMIGO EM PARTICULAR

Um amigo é alguém que podemos contar sempre independentemente das circunstâncias e ocasiões. O modelo de amigo que vemos na pessoa de Cristo, é o modelo de amigo que devemos ser para os membros de nossa equipe. O amigo ama incondicionalmente, perdoa, compreende, auxilia, mas, também é sincero ao apontar os nossos erros e defeitos (Provérbios 18.24).


1.4. É CONSELHEIRO, CONSOLADOR, CONFORTADOR

O Espírito Santo é o Supremo Conselheiro, Consolador, Confortador (João 14.16; 2 Coríntios 1.3,4). Esse exemplo tríplice que vemos na pessoa do Espírito Santo, deve ser copiado pelo líder cristão. O líder deve ser capaz de se superar a cada dia e estar pronto a cumprir este aspecto de sua missão prontamente.


1.5. É PACIFICADOR

O líder cristão deve ser capaz de resolver os conflitos internos do grupo, sem prejuízos ou percas significantes. Para isso, o líder deve contar com a orientação do Espírito Santo. O perdão, o amor apagam qualquer indício de litígio. O líder deve incentivar os seus liderados ao exercício da fraternidade, perdão e o amor mútuo:

“Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados” (1 Pedro 4:8).


1.6. É UM PERITO MOTIVACIONAL

Motivar é o principal desafio da liderança. Os membros de uma equipe são seres humanos comuns como qualquer outro. O fato de lideramos um grupo de pessoas que professam a fé cristã, não significa que são perfeitos. Todos temos os nossos problemas e dificuldades, bem como nossas necessidades peculiares. O líder cristão deve ser sábio o suficiente para lidar com os seus próprios problemas, e estar sempre pronto a ajudar os seus liderados a superar os seus problemas, incentivando-os a permanecer firmes lutando por seus próprios objetivos, e pelos objetivos comuns de toda a equipe.


1.7. É UM PSICÓLOGO

A psicologia se ocupa em estudar o comportamento humano. O estado psicológico das pessoas pode influenciar as suas ações e comportamentos. Entender o comportamento das pessoas pode ser uma ferramenta eficiente na tarefa de auxiliar nossos liderados a compreender e resolver os seus conflitos internos. Depois de conhecer as causas, é mais fácil diagnosticar o problema. Não estou dizendo que o líder cristão substitui o profissional da área, o “psicólogo”, mas que podemos auxiliar nossos liderados em diversas situações particulares. O líder, como dissemos é um amigo em particular. Bons líderes criam um bom vínculo de amizade com os seus liderados, e isso é um fator importantíssimo para que se possa conquistar a confiança do grupo. Ninguém vai se abrir a uma pessoa que não confia, ou que não tem intimidade. Portanto, antes de tudo é necessário criar vínculo com a nossa equipe. Depois tudo fica mais fácil. A maioria dos problemas humanos possuem causas naturais comuns. Basta uma boa conversa, comparando as experiências vividas ou observadas, informações adquiridas em bons livros sobre o assunto, que encontramos um caminho para resolver a maioria dos conflitos que passamos. Lembre-se, o Espírito Santo sempre nos auxiliará nessa tarefa. Jesus compreendia bem os seus liderados, e conhecia bem a causa de seus problemas, por isso sua liderança se destaca como a mais excelente, eficiente e eficaz.


1.8. É UM ADMINISTRADOR

No contexto eclesiástico moderno a “Liderança Cristã” é uma área estudada à parte da “Administração Eclesiástica”. Apesar de parecer ser a mesma coisa, na prática são áreas diferentes. “Liderança” lida com as habilidades do potencial humano incentivando a superação, conquista, cooperação, persuasão; enquanto a “administração” lida com recursos de produtividade e estrutura a fim de promover o crescimento e estabilização de uma entidade ou instituição. Mas de qualquer forma estão entrelaçadas. Um bom líder sempre será também um bom administrador e vice-versa. Não significa que todo líder é administrador ou que um administrador é um líder, mas o “bom” sempre será.


1.9. UM MESTRE DA PERSUASÃO

Persuadir é instigar, convencer do contraditório. Sempre envolve uma crença ou convicção pessoal, ou posição ideológica, pois persuadir é convencer nosso oponente que nossa ideia, proposição, conceito é o melhor para todos. Para isso é necessário possuirmos um grande poder de persuasão pela argumentação, ou no mínimo pelo nosso exemplo pessoal. Essa é uma ferramenta poderosa da liderança. Bons líderes são sempre persuasivos, convincentes. O proposito principal da liderança é preparar nossos liderados para o trabalho em equipe. A união faz a força, portanto, o principal desafio da liderança é trabalhar a equipe de tal forma a possibilitar o trabalho em grupo, para que possa alcançar os objetivos esperados. Nesse desafio, a persuasão é a ferramenta ideal. Paulo escrevendo a Tito exorta: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9). E aos coríntios: “Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a Deus; e espero que nas vossas consciências sejamos também manifestos” (2 Coríntios 5:11). Sempre haverá aqueles que discordam de nossa opinião, isso é normal, mas o bom líder é capaz de convencer o contradizente, sempre visando o bem individual e coletivo, e acima de tudo o bem da obra de Deus. O Espírito Santo exerce o papel de persuasão na vida dos pecadores, “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (João 16:7,8). O poder de influência é uma marca de uma boa liderança, seja em qual âmbito for.


1.10. É UM FORMADOR DE EQUIPES

O líder tem a responsabilidade de criar, estruturar e incentivar o trabalho em equipe, treinando os seus membros para a realização de múltiplas tarefas, sempre em perfeita harmonia com os interesses comuns do grupo. Não é um trabalho fácil, exige o máximo de dedicação e sacrifício. Sua equipe será um reflexo de sua liderança. Líderes eficazes procuram sempre se superar a cada dia, aumentando assim seu poder de alcance; bem, como, se esmera por preparar ao máximo cada membro de sua equipe para que tenha a capacidade de desempenharem suas tarefas com eficiência. Quando uma equipe trabalha em perfeita harmonia e equilíbrio, os resultados são sempre positivos. O líder deve respeitar as peculiaridades de cada membro do grupo e usar essa diversidade para enriquecer a equipe. Cada membro tem o seu talento, e isso é importante, e os membros juntos formam a equipe. A diversidade de talentos possibilita um maior poder de alcance e de conquista para o grupo. Mas é necessário que cada fator esteja operando no seu devido lugar. A equipe principal de Jesus era formada por 12 pessoas, os doze apóstolos (Marcos 3.13-19). Eram pessoas de personalidades diferentes, e em alguns casos opostos, contudo o Senhor Jesus soube trabalha-los e distribuir as responsabilidades de acordo com o perfil de cada um. A função de um membro na equipe deve valorizar o seu potencial, isso funcionara como um incentivo para ele. Uma pessoa certa no lugar errado não traz resultados positivos. Um líder é um descobridor de talentos, e um hábil explorador para usar esses talentos para fortalecer o grupo e ampliar o poder de alcance de sua equipe. Em outras palavras um líder não confere talentos, ele explora talentos, e usa o potencial de cada membro do grupo para fortalecer a equipe e ampliar o poder de alcance dela, bem como o seu próprio poder de conquista. Um líder não confere talentos, mas oportunidades, para que os membros do grupo desenvolvam suas habilidades.

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