CURSO LIDERANÇA/LIÇÃO 9 – EXPLORANDO OS RECURSOS



O crescimento só é possível quando nos apropriamos dos recursos necessários. O líder cristão deve procurar explorar todos os recursos possíveis para que tenha a capacidade de cumprir sua missão com sucesso. Os recursos a serem explorados se concentram em três principais áreas: econômica, humana e espiritual.

A questão não é somente aprender a explorar o potencial destes recursos, mas primeiramente ter consciência que eles existem, apropriar-se devidamente deles, e explorá-los à medida que os promovemos em grau, número e intensidade.


1. RECURSOS ECONÔMICOS

A questão dos recursos financeiros é, sem dúvida uma das questões mais preocupantes diante do desafio da liderança cristã. Tudo custa algum valor, desde uma simples caneta que usamos para redigir um plano de ação, aos mais diversos instrumentos, ferramentas, coisas e objetos que vamos utilizar na execução deste plano. Tudo isso deve ser contabilizado antecipadamente para que qualquer imprevisto venha, de alguma forma, comprometer o sucesso de nossa missão. Jesus nos alerta sobre o sermos prudentes nos mínimos detalhes.

“pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: este homem começou a edificar e não pôde acabar” (Lucas 14:28-30).

Se fossemos resumir estas palavras de Jesus em uma palavra, seria “planejamento”. O planejamento nos permite ter uma visão panorâmica de nossa missão, o que nos permite fazermos uma aplicação objetiva, consistente e coerente.

Um líder não deve fazer vistas grossas aos problemas. Devemos reconhecer que no exercício de nossa liderança nos depararemos com problemas reais potenciais, e que a questão da escassez de recursos financeiros pode ser um deles, mas a notícia boa é que se trata de um problema solúvel.

O líder deve sempre pensar positivo, e deve transmitir esse positivismo aos seus liderados. Não podemos esconder que a questão da escassez de recursos seja um problema, mas um problema que tem solução. O líder deve encarar com toda convicção que todo problema tem solução. Às vezes o problema é uma questão de ótica, se para mim alguma coisa representa um problema em potencial, para outros podem não ser. Tudo pode ser uma questão de perspectiva apenas. O líder cristão deve procurar sempre ver além das impossibilidades, por toda ótica possível.

Quando encaramos todos os problemas como algo que tem uma solução, buscamos ver e analisar por primas diferentes, até que tenhamos avistado uma solução plausível. Isso sempre será necessário, tanto em relação ao aparente problema da escassez de recursos financeiros, como o de muitos outros problemas que irão surgir.


1.1. FONTES E MEIOS DE OBTENÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS

Não existe esta história de que não há quaisquer recursos. O fato de termos uma equipe já é prova que temos recursos em nossas mãos, basta sabermos explorá-los “no bom sentido da palavra”, sempre visando, acima de tudo o interesse comum de toda equipe. Uma equipe bem preparada constitui a maior fonte de recursos do líder cristão. Uma equipe fortemente comprometida com uma causa, traz consigo um dilema determinante “se não temos aqui, buscamos ali, se não temos em casa buscamos lá fora”.


1.2. CONQUISTANDO RECURSOS

Nunca vamos ter recursos sobrando, se sobra é porque falta demanda, e ausência de demanda, é sinônimo de escassez de projeto; sempre podemos conseguir o necessário e o suficiente. Diante dessa necessidade surgem possibilidades diversas, e devemos adotar os métodos que melhor se adéqua ao projeto e as peculiaridades do grupo. Mas uma coisa é certa, devemos buscar recurso onde tem recurso, naquilo que realmente traz resultados significativos, senão será apenas enrolação e perca de tempo.

Podemos dividir a equipe em grupos com a meta de arrecadar fundos em lugares específicos. Outra equipe pode ficar responsável em angariar fundos em outros pontos estratégicos. Sempre existe intermináveis possibilidades, o que falta mesmo é determinação.

O líder pode adotar por exemplo, o método de abordagem direta, que implica em uma apresentação objetiva e concisa do projeto, seguido de um apelo ao seu interlocutor para a cooperação. Este método funciona principalmente para autoridades políticas, empresários, donos de estabelecimentos comerciais, ou quaisquer outras pessoas que se identificam com a causa; principalmente pessoas que já conhecem o trabalho. Isso funciona na maioria dos casos. Sempre tem pessoas dispostas a ajudar. Uma boa e amigável abordagem pode ser o segredo para se ter grandes resultados nessa tarefa de angariar fundos.

Se granjear dinheiro em espécie é mais difícil, podemos mudar a estratégia e granjear a matéria prima para fazer dinheiro. Conheço muitas igrejas, departamentos, projetos sociais que usam essa estratégia de transformar coisas em dinheiro. Produtos de consumo como, comida, higiene, vestuário etc. são bem vendáveis. Conheço exemplos de pastores que conseguiram construir suas igrejas promovendo festivais de pudins, sorvetes, pizzas, pamonhas, e acessórios diversos em bazares beneficente etc. Não é vergonha fazermos isso se a causa realmente é digna. Trabalhar promovendo o Reino de Deus é a tarefa mais digna que existe. E vale quaisquer esforços para alcançarmos essa meta. A pessoa pode ressentir-se de fazer uma doação direta, mas se alguém lhe oferece algo de primeira necessidade por um preço justo, encontrará nisso um incentivo.

Que os recursos financeiros são precários, é um fato, mas nunca podemos usar desta realidade como um pretexto para justificar resultados pequenos, ou a falta de um projeto realmente digno de nossa missão. É claro que é sempre bom sermos cautelosos nessa questão, mas o que estou sugerindo é que sempre é possível angariar recursos e poder atender as necessidades de nosso projeto. Essa regra se aplica a todas as categorias de líderes, titulares do ofício pastoral “pastores”, líderes de departamentos e subdepartamentos. Pois a realidade é sempre a mesma, o que muda é o âmbito de influência e a intensidade do projeto.


2. RECURSOS HUMANOS

Todo o plano redentor de Deus gira em torno de um eixo único que é o gênero humano. Visto por uma perspectiva espiritual, o ser humano constitui a causa principal da existência do Reino de Deus na terra. Deus mobilizou todos os seus esforços e recursos pela causa humana, e estes esforços e recursos estão refletidos no próprio homem, em seu plano salvífico, e em seu cuidado e preservação. Podemos resumir que Deus é pela causa humana. Toda estrutura de caráter espiritual, “liderança cristã”, deve refletir este mesmo princípio.

Deus salva homens para que sirvam de meio para salvar outros homens; Deus se revela à homens, para que estes o manifestem a outros; e toda esta mobilização ocorre no contexto espiritual e físico da Igreja, a agência principal do Reino na terra. Deus + recursos seus é = a salvação do homem; o homem salvo + recursos divinos é = a homens salvos. E este círculo se repete. Este resultado, no entanto, só é possível quando se tem uma equipe de cristãos bem preparada, que reconhece o valor e abraça de corpo, alma e espírito a causa humana.

A obra de Deus na terra é uma causa incomensurável, nunca com nossa mente tão finita podemos comensurá-la. E, na verdade, não é necessário compreendermos tudo; essa tarefa é competência do Senhor, que detém o controle total de toda situação. Compete-nos apenas entender e compreender a parte que nos cabe neste plano (Dt 29.29). Portanto, uma equipe formada por cristãos deve ter seus objetivos e metas bem definidos nesse processo.

Nossa cooperação, por mais efêmera seja, pode fazer toda a diferença em nosso tempo e espaço que nos envolve, e Deus espera que assim o façamos, pois “para cada tempo Deus tem um homem e para cada homem Deus tem um desafio” (autor desconhecido).

O líder cristão que não tem como causa maior as pessoas, não pode ser considerado, de fato, um líder espiritual, pois não reflete o exemplo e nem a ordem de Cristo (Mt 28.19; Mc 15.16).

As pessoas são como o barro na mão de um oleiro, primeiramente Deus nos descobre e nos molda conforme aquilo que ele deseja que representemos em sua causa (1 Co 12.8-10; Rm 12.6-8), depois ele nos coloca na condição de despenseiros seus, e na qualidade de ministros seus. Cada crente é um ministro de Cristo em particular, e cada ministro é uma peça importante em sua estrutura de governo espiritual.

Cada membro de uma equipe, tem um papel importante na manutenção dos objetivos e propósitos dela. E cada equipe cuida de uma determinada área no contexto geral de todo este projeto complexo do Senhor Jesus, sua Igreja. Cada ação, cada gesto, cada atitude positiva em prol desta causa é um passo importante para cumprirmos toda a máxima de Deus.

  1. Pessoas geram pessoas. O propósito dos recursos humanos no contexto do Reino é produzir recursos. Se uma equipe cumpre seus propósitos “causa, objetivos, metas”, está caminhando no rumo certo para se tornar uma grande equipe; tanto em termos de número, como de potencialidade e, trabalhando sempre nesse proposito torna-se não somente uma grande equipe, mas um grande exército do bem, que é capaz de influenciar o contexto espiritual e social em que vivemos.

  2. Explorando os recursos humanos. Explorar significa extrair aquilo que há de melhor em cada membro da equipe para usar em benefício da causa comum do grupo. Não estamos nos referindo a uma atitude egoísta e oportunista de muitos líderes que se aproveitam dos membros da equipe visando benefício próprio. O líder inteligente incentiva e promove o crescimento individual e coletivo dos membros de sua equipe para que possa aumentar o poder de alcance dela, e assim alcançar os objetivos estabelecidos. Não é necessário esconder estas intenções do grupo. A equipe não somente precisa, como deve tomar conhecimento de cada ação do líder e de seus objetivos finais. Isso fará com que a equipe responda melhor aos comandos de sua liderança, o que sem dúvida, trará benefícios ainda maiores.

As pessoas, portanto, constituem o mais poderoso recurso do líder cristão em ralação a sua missão física. Por esse motivo é necessário trabalhar com afinco para preparar a equipe em todos os aspectos para que possa atingir o seu alvo maior “Promover o Reino”.


3. OS RECURSOS ESPIRITUAIS

Os recursos espirituais abrangem uma diversidade de aspectos. Esses, apesar de serem colocados em último, é o mais importante e o mais essencial de todos.

A liderança cristã é uma missão de cunho espiritual, portanto, devemos nos apropriar e nos munir plenamente dos recursos espirituais para que possamos ter condições de cumprir com sucesso nossa missão.


3.1. O PODER DO ESPÍRITO SANTO

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8).

O poder de Deus derramado sobre os discípulos no Pentecostes (At 2.1-4), capacitou-os a cumprir a comissão dantes designada pelo próprio Senhor Jesus (Mt 28.19; Mc 16.15). Uma missão espiritual carece de recursos que vão além dos simples dotes e talentos humanos. O poder “dínamo” do Espírito Santo nos capacita com entusiasmo, ousadia e autoridade para cumprirmos com sucesso a missão designada por Deus. Estamos carentes de líderes verdadeiramente cheios do Espírito Santo e dotados de ousadia e autoridade para desafiar e confrontar as obras do inimigo.


3.2. OS DONS ESPIRITUAIS

Os dons espirituais são habilidades, concessões, operações do Espírito Santo na vida do crente que o capacita a cumprir determinada aptidão ou função no Corpo Espiritual de Cristo. Os dons espirituais são divididos em três categorias distintas:

· Ministeriais (Efésios 4.11)

· Espirituais (1 Co 12.8-10)

· Governos (Rm 12 12.6-8).

A Bíblia nos exorta a buscarmos os dons espirituais (1 Co 12.31), e abundar neles para a edificação da igreja (1 Co 14.12).

Não consigo enxergar um líder cristão, por exemplo, destituído de alguns dons espirituais que considero essenciais para o exercício da liderança cristã como, o dom de “ministério”, “ensino”, “exortação”, “presidência”. Ter consciência que existe tais recursos não resolve muita coisa. Precisamos nos apropriar deles para que possamos ter êxito em nossa missão.


3.3. A PROVIDÊNCIA DE DEUS

Todo líder espiritual deve ter consciência que seu potencial é limitado, por mais dinâmico e expressivo seja. Essa regra vale não somente para o líder, mas também para todos os membros da equipe. Temos um potencial limitado o que não nos permite realizarmos tudo, mas devemos acreditar que Deus pode fazer o que não podemos fazer. Nisso entra a providência de Deus.

Deus é a pessoa mais interessada no progresso desta nossa missão, afinal de contas, foi Ele quem nos designou para isso. Portanto, devemos estar cientes que Deus é capaz de nos surpreender, ocasionando oportunidades, provendo recursos, aumentando nosso poder de alcance. Deus cuidou de uma nação inteira por cerca de 40 anos em um deserto, trazendo diuturnamente pão e água, o povo não sofria de desidratação por causa do sol causticante do dia, pois ele proveu uma coluna de nuvem para conter o sol; a noite não padeciam de frio, pois Deus proveu uma coluna de fogo para os esquentar. Não havia enfermidades entre eles, apesar das condições precárias de higiene em um deserto (Ex 23.26), e nem suas mulheres abortaram (Ex 23.27). As vestes não se desgastaram, e nem os sapatos nos pés (Dt 29.5). Que tamanha providência de Deus, manifesta a um povo que nem sempre soube reconhecer os benefícios divinos (1 Co 10.7-11). Mas Deus deixou essas coisas escritas, para que acreditemos que Ele pode cuidar de muitas coisas que estão além de nossa capacidade. Lembremo-nos das palavras de Paulo aos Efésios:

Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém! (Ef 3.20,21).

Não se esqueça, Deus é um Deus de providência.

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