CURSO LIDERANÇA/LIÇÃO 3 - A RELAÇÃO LÍDER-LIDERADO

Atualizado: Out 13


Os que aspiram a liderança cristã devem manifestar algumas características que permitem uma boa relação com os seus liderados, e deve cultivá-las sempre. Sem essas características básicas, ou pelo menos boa parte delas, não pode haver a mínima possibilidade de resultados positivos. Portanto, é necessário “bloquear” reflexos negativos de nossa personalidade, e desenvolver ao mesmo tempo certos “atrativos” que possibilitam a aproximação das pessoas.

Como já dissemos, o líder não deve preocupar-se em apenas ser líder, mas em alcançar bons resultados. Uma liderança sem resultados positivos não é liderança, é desperdício de tempo, e desgaste inútil. O líder eficaz cultiva um bom relacionamento com a sua equipe, individualmente e coletivamente e procura, à medida do possível solidificar e estreitar esse relacionamento a cada dia. Nada pode ser perfeito enquanto houver possibilidade de melhoras. Isso também se aplica ao nosso trato com os membros de nossa equipe. Conquistar a amizade e a confiança do grupo é um projeto que leva tempo e exige certa atenção do líder. Algumas expressões simples poderão ser bem eficazes nesse processo:


1. EMPATIA

Segundo o site www.significados.com.br, Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo - amor e interesse pelo próximo - e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais[1].

A empatia é uma qualidade necessária para um bom relacionamento interpessoal.

A palavra “compaixão” é um sinônimo de “empatia”. Jesus tinha muito empatia e compaixão pelo próximo (Mateus 14.14; Lucas 7.13; Marcos 8.2). Não podemos compreender as pessoas sem antes nos colocarmos no lugar delas. E não podemos aceitar as pessoas sem antes compreendê-las. Sentir-se aceito é um fator importante para qualquer espécie de relacionamento.

Cada indivíduo possui suas necessidades e características próprias. A não compreensão dos indivíduos e a não aceitação deles constitui um grave empecilho para o bom relacionamento interpessoal.


2. CAPACIDADE DE OUVIR

Falar em público é um grande desafio, mas saber ouvir também o é. Tiago recomenda aos seus leitores:

“...todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1.19).

Se falar em público é um desafio para o homem moderno, aprender a ouvir também o é, e muito mais. A maioria das pessoas são sabem ouvir. O bom líder é sempre prestativo, atencioso. Uma coisa que faz qualquer pessoa se sentir menosprezada é quando não se tem a atenção necessária do seu interlocutor. Sentir-se valorizado é um fator importante no relacionamento interpessoal. Ouvir o que as pessoas têm a dizer é um passo muito importante para conhecê-las. Nossas palavras revelam muito de nós. É certo que alguns assuntos abordados por alguns membros de uma equipe não têm qualquer relevância para o líder e para os demais, mas isso não significa que não seja relevante para eles. E se algo é realmente relevante para algum dos membros do grupo, o deve ser também para o líder. Pois o bem de toda equipe depende do bem-estar individual de cada um.

Jesus, certa feita passou um longo período dialogando com uma mulher estrangeira (João 4.7-40). O diálogo, como o próprio termo sugere, é um intercâmbio de conversas. O líder deve incentivar o diálogo e a interação do grupo.


3. CAPACIDADE DE COMUNICAÇÃO

Não pode haver uma boa conexão no relacionamento líder/liderado sem haver uma boa comunicação. Comunicar é "partilhar, participar algo, tornar comum". O líder deve desenvolver uma boa capacidade de comunicação. A linguagem é o veículo mais poderoso no processo de comunicação, mas o corpo também possui linguagem própria. Nossa feição, gesticulação, atitudes, revelam muito daquilo que há dentro de nós. Portanto, devemos ser coerentes no uso de nossas palavras, e linguagem corporal. Tanto no sentido de sermos bem transparentes no que propomos, quanto no que gesticulamos. Nossas palavras devem expressar justamente o que nossa feição ou gestos dizem.

Ter boas ideias não tem nenhuma serventia se não conseguimos transmiti-las para o grupo. Uma boa comunicação sempre envolve um vocabulário simples, sadio e sincero. Nada de vícios de linguagem como gírias, hipérboles, frases com duplos sentidos, eufemismos, ironias, indiretas etc. Isso não significa que não podemos explorar as figuras de linguagem e os recursos da língua portuguesa, mas sermos sábios para filtrarmos o nosso vocabulário, dosando igualmente os nossos gestos para termos uma linguagem corporal confiante. “O homem se alegra em responder bem, e quão boa é a palavra dita a seu tempo” (Pv 15.23). As palavras dos nossos lábios não podem ser incoerentes com linguagem do nosso corpo e vice-versa.


4. TEMPERANÇA

“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Colossenses 4:6).

A temperança é uma das virtudes mais relevantes da fé cristã. Em Gálatas 5.22 a temperança é descrita como um dos elementos do fruto do Espírito Santo. O crente deve cultivar essa virtude em parceria com o Espírito Santo. Ser temperante significa ser equilibrado, ter domínio próprio. O homem temperante é uma pessoa dosada. Pessoas muito explosivas, descontroladas emocionalmente podem diminuir seu poder de conquista, e, portanto, menores chances de desenvolver vínculos como os membros de sua equipe.


5. CARISMA

Líderes carismáticos tem probabilidades infinitamente maiores de cultivar relacionamentos. O carisma os torna receptivos, amigáveis, acessíveis. O carisma depende em grande parte dos traços da personalidade. Algumas pessoas são mais fechadas, outras mais abertas por natureza. No entanto, é possível moldar ou aperfeiçoar certas características que dificultam a aproximação das pessoas.

Tente ser menos formal e mais liberal, tente sorrir mais, cobrar menos. Se envolva mais com os assuntos da equipe, e procure compartilhar com eles experiências do seu dia a dia. Conte histórias, seja mais engraçado, mas seja sempre cauteloso, e moderado para não ir além dos limites. Estes gestos simples têm grande peso sobre como sua imagem é refletida e vão revelar o seu lado gentil, amigável e carismático. Isso não fará você perder o respeito de sua equipe, mas conquistá-los. No início pode parecer um desafio, mas com o tempo se tornarão reflexos espontâneos de sua personalidade.

Outro elemento bem eficaz na conquista é a empolgação. Líderes empolgados são mais contagiantes, mesmo que não sejam possuidores de grande carisma. A empolgação funciona como um atrativo natural que é capaz de contagiar mesmo as pessoas menos participativas e produtivas. Não podemos esperar grandes resultados se temos pouca empolgação pelo que fazemos. Pessoas empolgadas dificilmente se arrependerão do que faz mesmo não tendo resultados positivos.


6. OTIMISMO

O otimista sempre é positivo, consegue enxergar além das dificuldades, vê sempre uma oportunidade de superação. Pessoas otimistas são pessoas que aprendem a transformar o caos em oportunidades. São pessoas que conseguem enxergar mais longe. São positivas por uma razão, conseguem ver portas e oportunidades em meio as adversidades. Empolgação e otimismo são expressões altamente contagiantes.

O oposto do otimismo é o pessimismo. O pessimista é sempre negativo em tudo. É capaz de enxergar apenas o lado ruim das coisas. Pessoas pessimistas tem grandes dificuldades de cultivar relacionamentos. Simplesmente não dá para se relacionar ou conviver muito tempo com alguém excessivamente negativo, que parece torcer para tudo dar errado. Ou que simplesmente discorda de tudo que você fala. Meu Deus! Haja paciência.

Quando uma pessoa do grupo de manifesta pessimista, o líder tem diante de si um problema, visto que o pessimismo também é contagiante “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9). Mas se o líder se torna pessimista, então podemos concordar, que estamos diante de uma causa perdida.

O pessimismo revela algumas anormalidades ocultas na alma, como a baixa-alta-estima, medo do futuro por diversos motivos, medo de fracassar ou de perder coisas importantes da vida, feridas não curadas na alma, frustrações, ressentimentos profundos, o sentimento de rancor e inveja, dentre outros. Por se tratar de atitudes, geralmente inconscientes, a maioria das pessoas pessimista são sabe que são assim. Pessoas pessimistas revelam seu lado negativo inconscientemente, mas também podem, às vezes agir por escolha consciente, como no caso do profeta Jonas:

“Mas isso desagradou extremamente a Jonas, e ele ficou irado. E orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor! Não foi esta minha palavra, estando ainda na minha terra? Por isso é que me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (Jonas 4:1-3).

Jonas não queria obedecer a comissão divina de pregar aos ninivitas simplesmente porque sabia que Deus era um Deus misericordioso, e que certamente pouparia aquela nação se eles se arrependessem; o que de fato aconteceu (Jonas 3.10). Jonas ficou extremamente desgostoso por tudo aquilo, a ponto de pedir a própria morte. Não havia motivos para tamanho desgosto, mas seu pessimismo cegou seus olhos e o impediu de ver tamanho benefício de Deus. Deus havia poupado não somente uma vida, mas 120 mil almas (Jonas 4.11).

O pessimista é capaz de transformar o mal em bem, e o bem em mal, simplesmente por não se conformar com sua expectativa ou atitude egoísta. O egoísmo é uma das marcas principais do pessimista.


7. LIBERALIDADE

“Mas o liberal projeta coisas liberais, e pela liberalidade está em pé” (Isaías 32:8).

“Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Romanos 12.8).

Pessoas egoístas tem dificuldades de conquistar amizades, e se, por muito esforço conseguem conquistar alguns poucos, os perdem facilmente, logo que passam a conhecer o seu lado individualista. A liberalidade é o oposto do egoísmo. Quando falamos em “repartir” pensamos logo em divisão de bens materiais, mas o sentido é, realmente abrangente. Podemos dividir ou compartilhar outras coisas igualmente relevantes, como o tempo, as oportunidades, os nossos talentos para ajudar outros; informações, cuidados, atenção, etc. Estas coisas, dependendo da situação, valem mais que dinheiro.

Líderes que só pensam em si mesmos não são dignos da amizade, do respeito e nem da atenção de seus liderados. É a lei da semeadura em ação.


8. RESPEITO MÚTUO

“Não repreendas asperamente o ancião, mas admoesta-o como a pai; aos moços como a irmãos; as mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza” (1 Timóteo 5:1,2).

O respeito mútuo é uma qualidade que deve ser cultivada por todos os membros do grupo. E o líder cristão deve ser o exemplo nesse particular.

Nem sempre concordamos com a opinião dos outros, mas todos merecem a oportunidade e expressarem suas ideias e merecem, apesar de pensar contrário, serem respeitados como um membro da equipe. A opinião contrária não deve ser motivo de desmerecimento de qualquer membro do grupo. Opiniões quanto ao método podem ser comuns, mas todos devem estar de acordo com respeito a causa pelo qual a equipe existe “promover o Reino de Deus nos corações”. O líder jamais deve perder esse foco e não deve permitir que os membros de sua equipe também o percam. Se perdemos de vista o proposito maior de nossa missão, afrouxamos nos métodos e não temos mais uma preocupação sobre quais serão os resultados.

Caso o líder encontre dificuldades com respeito às diversidades de ideias no meio do grupo, deve procurar convencê-los pela persuasão, com argumentos sólidos, enfatizando com clareza o propósito maior da equipe.

E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade”, (2 Timóteo 2:24,25).

Ninguém é obrigado a aceitar a opinião de ninguém, mas também não devemos permitir que a individualidade dos membros atrapalhe o trabalho em equipe. Diante dessa situação o líder deve ser sábio para ter condições de convencer positivamente todo grupo a abraçarem os mesmos valores e a lutarem pelas as mesmas causas.

Um passo importante para resolver conflitos internos é respeitando a individualidade dos membros do grupo. Quando há um respeito pelo próximo deixamos transparecer nossa preocupação em valorizar mais as pessoas em detrimentos das ideias. Pessoas são sempre mais importantes que ideias.

A implementação de valores, ideais, princípios em uma equipe, pode levar algum tempo. Isso não acontece de uma vez e nem de uma vez por todas. Trata-se de um processo gradativo e progressivo.

A falta de respeito entre duas pessoas torna sua convivência simplesmente impossível. Isso vale para toda espécie de relacionamento, seja conjugal, familiar, amizade, ou mesmo entre os membros de uma determinada equipe. Atitudes e palavras podem deixar feridas mais profundas que casos de agressão corporal:

A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (Provérbios 15:1).


[1] www.significados.com.br

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