CURSO LIDERANÇA/LIÇÃO 11 - O CRENTE COMO MEMBRO FUNCIONAL DO CORPO DE CRISTO


“Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros” (Rm 12.4,5).


1. DIVERSIDADE/INDIVIDUALIDADE

O ser humano é um ser único em termos de espécie, como também em termos pessoais. Cada indivíduo possui suas características próprias. Essas características se manifestam em termos físicos, emocionais, cognitivos e espirituais. Isso significa que podemos manifestar diversas características próprias comuns da natureza humana, como comer, dormir, ouvir, sentir, pensar, mais ou mesmo tempo interpretar cada estímulo sob uma perspectiva única “nossa visão de mundo particular”. Por dessa complexidade do ser humano ele se classifica como um ser individual e único. Liderar uma equipe é ter consciência da diversidade e individualidade ao mesmo tempo.


1.2. EXPLORANDO A DIVERSIDADE

Paulo usa a figura de um corpo para comparar a Igreja de Cristo. Essa comparação é proposta primeiramente por causa dos aspectos multidimensionais e multifuncionais do Reino de Deus, bem como dos diversos aspectos das manifestações do Espírito Santo. Mas, também é proposta com base na diversidade e individualidade dos crentes em particular, como uma personalidade única.

Isso implica em afirmarmos que Deus entende a diversidade e valoriza a individualidade dos membros do corpo de Cristo. Ele mesmo capacita os crentes com aptidões e talentos distintos, mas inter-relacionados, com o intuito de cumprir toda a dependência dinâmica do Reino.

Paulo desenvolveu a alegoria de comparação da Igreja como um corpo (Rm 12; 1 Co 12; Ef 4). Essa comparação é usada para ilustrar várias verdades espirituais, e em nosso estudo serão usadas também, para ilustrar verdades funcionais de uma equipe formada por crentes professos. Quando Paulo compara a igreja ao corpo, tem em mente alguns aspectos como:

  1. Funcionalidade. O corpo é o exemplo de algo plenamente funcional

  2. Diversidade. Apesar de ser único, é formado por partes diversas e distintas estética e anatomicamente falando.

  3. Individualidade. Cada membro tem sua peculiaridade.

  4. Equilíbrio. O equilíbrio do corpo é o resultado de sua funcionalidade.

  5. Unidade. Apesar de ser composto por diversas partes, todas operaram de forma unânime e simultânea.

  6. União. Todas as partes do corpo estão ligadas por juntas, ligaduras etc.

  7. Cooperação. O corpo é o exemplo de algo totalmente ativo-cooperativo

O corpo tem muitos membros, do mesmo modo a Igreja de Cristo é formada por diversos crentes. Da mesma forma uma equipe é formada por diversos membros.

A diversidade e peculiaridade dos membros do corpo ilustra a diversidade de dons espirituais e ministérios outorgados por Cristo a Igreja. Da mesma maneira a diversidade e peculiaridade dos membros de uma determinada equipe, ilustra sua diversidade de talentos, que somados, formam a sua dinâmica, e seu potencial.

Vários são os membros do corpo, mas eles trabalham de maneira unanime e coordenada com o propósito de manter o equilíbrio do corpo; da mesma maneira uma equipe deve trabalhar de maneira unanime e coordenada afim de alcançar os resultados esperados.

A igreja em sua diversidade forma o corpo, mas Cristo é a cabeça, isso é, ele é o responsável pela direção, equilíbrio, e a vida do corpo. A equipe possui um líder, e este líder é responsável por dirigir todo o grupo, todavia, não como uma parte independente, mas totalmente interdependente. Os membros do corpo são interdependentes, isso é, depende uns dos outros, e juntos são dependentes da conexão com a cabeça, como a cabeça aos membros. Não se pode separar os membros da cabeça, e nem a cabeça dos membros, todos são interdependentes. Um líder sem uma equipe, não é líder, da mesma forma uma equipe sem um líder, não é uma equipe.

Essas e muitas outras verdades podem ser ilustradas a partir da figura da Igreja como o Corpo de Cristo, o do crente como seus membros em particular.


2. O CORPO E SEUS MEMBROS

O corpo humano é dividido em três partes fundamentais: cabeça, tronco e membros. Dessa maneira, a cabeça é formada pelo crânio e a face; o tronco é composto do tórax e do abdômen; e, por fim, os membros são classificados em superiores (brações, antebraços, ombros e mãos) e inferiores (quadril, coxas, pernas e pés).

Na definição de Paulo, no entanto, membro é qualquer parte externa do corpo humano que exerce uma função básica. Isso envolve praticamente todas as partes visíveis do corpo: cabeça, orelhas, ouvido, olhos, nariz, braços, mãos, pernas, pés (1 Co 12.12-31). Jesus também se referiu aos membros do corpo em termos mais genéricos (Mt 5.29). O corpo humano e seus membros são usados como comparações, para ensinar lições espirituais como vimos acima. Não se pretende apresentar uma definição científica da anatomia humana, como é definido hoje pela medicina moderna.

Na perspectiva de Paulo, o Corpo é uma representação perfeita da Igreja, pois apesar de seu todo, é composto por diversos pormenores, os membros. Da mesma forma a igreja de Cristo é única, mas composta por diversos membros, isso é, os crentes em particular. Cada equipe é uma representação perfeita da igreja de Cristo. Nisso se destaca a individualidade em relação a totalidade, e a totalidade em relação a individualidade. Em nosso estudo da igreja como um corpo, podemos depreender ao mesmo tempo, o funcionamento de uma equipe em relação a diversidade e a individualidade de seus membros, e vice-versa.


2.1. A INDIVIDUALIDADE DOS MEMBROS DO CORPO

“Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente membros uns dos outros” (Rm 12.4,5).

As partes externas do corpo humano “por hora denominado membro”, tem características e funções específicas. Isso fala de uma anatomia própria e função própria. Alguns membros do corpo podem até substituir outro, mas nunca a coordenação será a mesma. Por exemplo, alguém que não tem os braços, pode desenvolver habilidades com os pés, no entanto essa substituição sempre será deficiente.

No Reino de Deus, cada crente em particular, constitui um membro funcional do corpo de Cristo, e por isso tem uma função específica no Reino. Essas funções específicas falam das variedades de dons e ministérios concedidos por Cristo à sua igreja.

Todo crente verdadeiramente convertido, torna-se um membro do corpo de Cristo, e, instantaneamente recebe de Cristo seu lugar no corpo. Nosso lugar no corpo definirá qual será nossa função, isso é, quais dons ou ministérios exerceremos na igreja. Uma equipe formada por crentes salvos deve ser estruturada funcionalmente com base nesse princípio. Isso é, valorizando os dons e talentos espirituais de cada membro.

Os dons são concessões de Cristo à sua igreja (EF 4.8). São outorgados visando sua edificação de um modo geral. Portanto, o exercício dos dons, visam fortificar os laços de união entre os membros e seu equilíbrio perfeito para com a cabeça, que é Cristo. Os dons espirituais não devem ser exercitados com propósitos egoístas. Os dons são de Cristo, e devem cumprir os propósitos de Cristo para com sua igreja.

Cada membro da equipe tem responsabilidades a cumprir. Essa responsabilidade se aplica em três dimensões principais: a si mesmo, ao demais membros, e a sua liderança.

No que se refere a si mesmo, é competência do membro, buscar sempre aprimoramento e aperfeiçoamento espiritual, com o propósito de promover próprio seu crescimento em Cristo.

No que se refere aos demais membros, o membro da equipe tem a responsabilidade de manter o equilíbrio, sua edificação, e crescimento. Enquanto exerço os dons e talentos que Deus me concedeu, promovo minha própria edificação, e a edificação das pessoas que me ouvem ou me observam.

“E não retendo a Cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo com o aumento concedido por Deus” (Cl 2.19).

No que tange a liderança, “a cabeça”, nossa responsabilidade, é cuidar em honrar nossa liderança todo tempo, recebendo e cumprindo os comandos que partem dele.

Os membros de uma equipe são interdependentes, isso é, depende plenamente da conexão com os demais. Portanto, nenhum membro da equipe é autossuficiente. Isso pode ilustrar duas verdades principais: que nenhum membro da equipe sobrevive desligado de sua liderança, e nem tampouco desligado da comunhão dos demais membros.


3. COMPETÊNCIA DO MEMBRO

Competência aqui é a responsabilidade que nos compete na qualidade de membros de um determinado grupo.

Já falamos um pouco sobre esse assunto, e aqui iremos tratar de maneira mais extensa para que possamos compreender todas as implicações desta responsabilidade.

Como já falamos, essa responsabilidade abrange três aspectos básicos: a si mesmo, os demais membros e a liderança. Aqui iremos abordar principalmente a responsabilidade do crente para com os demais membros.

Essa responsabilidade se resume em uma palavra “edificação”, qualquer ação individual do crente na Igreja ou na atividade de seu grupo que não contribua para a edificação mútua dos demais membros, simplesmente será desnecessária.

A edificação dos demais membros envolve aspectos como: Crescimento, Estruturação, Consolidação, Maturação.


1.1 CRESCIMENTO

O membro da equipe deve empregar todo o seu potencial espiritual afim de promover o crescimento dos demais membros do grupo, segundo a medida de seu chamado e vocação.

“De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria” (Rm 12.6-8).

Se o crente, ou o membro da equipe hesita em cumprir sua responsabilidade conforme a medida do dom de Cristo, então é considerado um membro negligente, e a negligência é um pecado grave.

Cada servo de Cristo deve procurar abundar em seus dons espirituais, a fim de que os frutos de seu trabalho sejam também mais amplos (1 Co 14.12).

O crescimento dos demais membros de nossa equipe “igreja” se dá pela dinâmica de nosso serviço cristão, portanto, quanto mais abundante for, maior e mais expressivos serão os resultados.


3.2. ESTRUTURAÇÃO

A igreja de Cristo, também é comparada a um edifício, que vai sendo construído dia após dia (EF 2.21). Todo edifício deve crescer de acordo com a sua estrutura, ou sua capacidade de resistência. Cristo, ou a doutrina cristã é a base da construção da igreja de Cristo (Ef 2.20; 1 Co 2.11). Os valores e a ética da equipe (que devem refletir a verdade cristã), constitui sua identidade, e fundamento.

A condição ativa do membro promoverá a estrutura de toda a equipe, isso num processo gradativo e progressivo.

A firmeza ou estrutura de um grupo é consequência do exercício adequado dos dons e talentos dados por Deus (Ef 4.11-16), sejam espirituais ou habilidades adquiridas.

3.3. CONSOLIDAÇÃO

Consolidar significa dar solidez. Em termos espirituais representa a compreensão e a vivência adequada de uma base cristã sólida. A unidade na igreja é fruto de sua consolidação na fé: “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13). É dever de todo crente ajudar a promover unidade no corpo de Cristo, como o é, o membro de uma equipe, através da prática da fraternidade, da paz e da união. O corpo jamais permanecerá unido se lhe faltar esses elementos tão vitais.


3.4. MATURAÇÃO

A maturidade é a fase adulta da vida crista, esse é o alvo de Deus para todo crente. A faze da maturidade é faze que o crente tem seus sentidos bem exercitados, e pode alcançar todo o seu potencial de frutificação. Nós fomos chamados para darmos frutos, e frutos com abundância (Jo 16.15). A missão de um líder cristão é formar outros líderes igualmente, zelosos quanto ao cuidado, fervorosos quanto ao espírito, definidos quanto a sua missão, independentes quanto as suas ideias, crítico quantos aos seus métodos, expressivos quanto a sua dinâmica, e reflexivos quanto a sua prática.


4. A IMPORTÂNCIA DOS MEMBROS NO FUNCIONAMENTO DO CORPO

Um membro do corpo é uma peça importante dele, um corpo só é considerado normal se possuir todos os membros em perfeito exercício. Cada membro possui suas características próprias, bem como uma função específica. Nenhum membro do corpo é insignificante, ou sem valor, por mais que aparentemente não seja assim tão virtuoso. Paulo diz:

“Antes, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os membros do corpo que reputamos serem menos honrados, a esses revestimos com muito mais honra; e os que em nós não são decorosos têm muito mais decoro, ao passo que os decorosos não têm necessidade disso. Mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele (1 Co 12.22-26).

Aparentemente existe aqueles membros que parecem ser mais fracos, outros menos honrosos, outros indecorosos, mais todos eles são importantes dentro de sua respectiva área de atividade ou função. Os membros do corpo são interdependentes, de maneira que quando um dos membros do corpo está doente, todo o corpo padece juntamente.


CONCLUSÃO

O “corpo” lembra a igreja, os “membros” o crente, e a “função” exercida pelo membro no corpo, lembra nossos dons e mistérios. Isso significa que, se nos consideramos um membro ativo do corpo, então temos alguma habilidade a ser exercida no contexto de nossa igreja, e particularmente no contexto de nossa equipe. Não existe essa história de que somos crentes, mais não temos nenhuma função, nenhum dom específico, um crente de banco apenas. Todo crente verdadeiro tem uma função no corpo espiritual de Cristo. Essa função nos é concedida pela soberania divina, que distribui os dons à sua igreja como ele quer: “Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” (1 Co 12.18).

Não escolhemos quais dons ou ministérios exerceremos, e nem podemos cometer o erro de desvio de função. Devemos servir naquilo a que fomos chamados e a que formos incumbidos: “Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2 Tm 4.5). “Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado” (1 Co 7.24)


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SOBRE O AUTOR

Marciel A. Delfino é ministro do evangelho, graduado em teologia, licenciado em letras pela Universidade Paulista. É cofundador da EFTA – Escola de Formação Teológica Adonai, onde também atua como professor de teologia sistemática, e no departamento de pesquisa bíblico/teológica da instituição, na produção, aprimoramento e ampliação do material didático dos cursos. É casado com a Miss. Alline, e pai de Kêmelly Regielly, Hêmilly Caroline e Kayllon Teodoro.

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