CURSO LIDERANÇA/LIÇÃO 10 – A PECULIARIDADE DOS MEMBROS DA EQUIPE


Pelo ponto de vista funcional, uma equipe é formada por dois grupos principais. Os membros ativos e os membros passivos. Algumas características gerais marcam estes dois grupos:

  1. Membros ativos. Participam ativamente das atividades do grupo e buscam sempre promover o bem comum da equipe.

  2. Membros Passivos. Participam das atividades, mas não com entusiasmo e espírito cooperativo, mas, apenas como alguém que tem algumas responsabilidades a cumprir.

O fator determinante para a classificação de cada membro, é seu grau de envolvimento e as intenções que os motivam.

Estes dois grupos podem ainda se dividir em outros diversos subgrupos:

  1. Ativos. Ativo-cooperativo ou dinâmico, ativo-oportunista, ativo-inconstante

  2. Passivos. Passivo-responsivo ou cooperativo, passivo-neutro, passivo- crítico-pessimista.

Apesar de parecer estranho afirmar isto, mas, mesmo a classe dos passivos são uteis para a construção da identidade do líder; podem assumir um papel relevante na formação do pensamento crítico/refletivo, e da formação crítico/deliberativa tanto do líder, como também dos demais membros.

Uma equipe é formada por pessoas – uma personalidade compreende diferença, distinção, diversidade, peculiaridade. Mesmo uma equipe formada por crentes confessos, pode encontrar dificuldades no relacionamento interpessoal e no trabalho em equipe. Por isso, é necessário sempre cultivar a fraternidade, a união, a harmonia, empregando esforço recíproco, com o propósito de promover a unidade e o equilíbrio do grupo. Mesmo sendo uma equipe formada por crentes confessos, não podemos assegurar que todos, de fato, tiveram uma experiência salvífica verdadeira com Cristo. Ao mesmo tempo, também, devemos admitir que nem todos possuem o mesmo grau de maturidade em relação a fé e nem o mesmo conhecimento da demanda do trabalho em equipe.

Para garantir maior engajamento entre os membros da equipe, é necessário promover a reciprocidade e mutualidade, na realização de atividades conjuntas “interatividade”, discussões de ideias, incentivando a participação e a colaboração.

Ao imaginarmos um grupo de pessoas, devemos pensar em diferenças e peculiaridades. Cada membro de uma equipe é uma pessoa única, que possui suas peculiaridades, sua própria visão de mundo, sua própria maneira de ser, seu temperamento, sua autoestima etc. Não podemos ver as diferenças como um problema, mas como recursos múltiplos e um multiverso de possibilidades, pois ser diferente é normal. Nunca podemos subestimar, e nem superestimar nenhum membro da equipe, pois podem nos surpreender em ambos os extremos.

O segredo para o sucesso de uma equipe não está no quanto o líder assume controle sobre ela. Controle nem sempre é benéfico, pelo menos em termos espirituais. Pedro recomenda aos líderes cristãos:

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (Pd 5.2,3).

Líderes obsessivos por controle, sufocam o potencial de sua equipe, tornando-a infrutífera. Pessoas tendem a ser mais produtivas e dinâmicas quando fazem algo por entusiasmo próprio e não por força de regra ou imposição. As pessoas devem ser instigadas a realizar determinadas tarefas, e não forçadas a isso. O papel de convencer e incentivar é do líder cristão, que deve ao mesmo tempo, contar com auxílio do Espírito Santo na realização dessa tarefa (Jo 16.8).

Muitos líderes cristãos fracassam nesse particular. Temos que ter sempre em mente que o rebanho pertence ao Senhor, e nós, como todos os demais crentes, somos apenas ministros “remadores” e despenseiros dos mistérios de Cristo. Somos servos de Cristo e conservos uns dos outros. O controle é importante quando entendido como sinônimo de organização e prudência.

Uma liderança cristã eficaz deve ser a mais democrática e reflexível ´possível para que possa ter sucesso no trabalhar com a diversidade e com as peculiaridades de cada membro, usando isso para promover o bem comum da equipe. Uma liderança controladora geralmente se identifica com o sistema de governo ditatorial, onde o líder, “ditador, rei, déspota”, dita as regras. Não há nada mais sufocante do que isso. O líder cristão não é um chefe, nem um mandatário, é o guia da equipe. O líder usa sua influência, enquanto o chefe o poder. O líder antes de falar ao ouvido toca primeiro o coração, o chefe impõe regras e limites e exige que sejam cumpridas. As Escrituras afirmam “[...] Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6). Devemos despertar o espírito voluntário de cada membro da equipe “[...] sustém-me com um espírito voluntário” (Salmos 51:12). Para que por fim não sirvam “[...] à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;” (Efésios 6:6).

O sentimento de controle geralmente vem acompanhado de alguns outros elementos igualmente prejudiciais; insensibilidade, inflexibilidade, arbitrariedade, egoísmo. Isso tudo constitui um veneno contra o verdadeiro espírito da liderança cristã.

No geral, uma equipe é o reflexo do seu líder. Pode haver nessa regra algumas exceções. Pessoas podem tomar lados totalmente opostos em uma demanda, com base em influências internas e externas e o líder sábio é capaz de agir com prudência diante desta exceção, a fim de explorar ao máximo o potencial de cada membro da equipe, eliminado também com isso, todo foco de oposição e rebeldia. O líder deve estar atento as influencias que seus liderados sofrem constantemente, principalmente aquelas que se referem a maneira como o interpretam, ou como avaliam sua liderança, não com o propósito de contê-las a qualquer custo, pois esta atitude nem sempre resolve problemas, mas com a intenção de poder dar a cada um o benefício da dúvida. Uma conclusão consciente é aquela que leva em consideração a realidade de todas as partes, e não sob uma única ótica. Vamos estar atentos ao ditado que diz: “uma história sempre tem duas versões”. Cada parte envolvida tem a sua versão da história, mas uma terceira pessoa não pode tomar partido de forma consciente, sem antes ouvir as duas facetas da história.

Para entendermos melhor o aspecto funcional de uma equipe precisamos fazer algumas considerações mais profundas sobre o que leva os membros da equipe a tomar parte nestes dois grupos supracitados – ativos e passivos – bem como, os seus respectivos subgrupos.

A maneira como o líder age e interage com seu grupo, o modo como apresenta os objetivos, e o caminho para alcançar tais objetivos “metas”, podem ser determinantes para que cada membro assuma uma posição em relação a ele, e a equipe de um modo geral. Temos o exemplo de Saul, que por um voto impensado, comprometeu o sucesso de sua equipe:

“E estavam os homens de Israel já exaustos naquele dia, porquanto Saul conjurou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até à tarde, antes que me vingue de meus inimigos. Por isso todo o povo se absteve de provar pão. E todo o povo chegou a um bosque; e havia mel na superfície do campo. E, chegando o povo ao bosque, eis que havia um manancial de mel; porém ninguém chegou a mão à boca, porque o povo temia a conjuração. Porém Jônatas não tinha ouvido quando seu pai conjurara o povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, tornando a mão à boca, aclararam-se os seus olhos. Então respondeu um do povo, e disse: Solenemente conjurou teu pai o povo, dizendo: Maldito o homem que comer hoje pão. Por isso o povo desfalecia. Então disse Jônatas: Meu pai tem turbado a terra; ora vede como se me aclararam os olhos por ter provado um pouco deste mel, quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos filisteus feriram, porém, aquele dia aos filisteus, desde Micmás até Aijalom, e o povo desfaleceu em extremo. Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vacas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu com sangue. E o anunciaram a Saul, dizendo: Eis que o povo peca contra o Senhor, comendo com sangue. E disse: Aleivosamente procedestes; trazei-me aqui já uma grande pedra. Disse mais Saul: Dispersai-vos entre o povo, e dizei-lhes: Trazei-me cada um o seu boi, e cada um a sua ovelha, e degolai-os aqui, e comei, e não pequeis contra o Senhor, comendo com sangue. Então todo o povo trouxe de noite, cada um pela sua mão, o seu boi, e os degolaram ali” (1 Samuel 14:24-34).

As consequências da atitude de Saul foram desastrosos: o povo ficou exausto, esgotado fisicamente por falta de alimentação, e o povo, totalmente desequilibrado, lançou mão dos despojos “...ovelhas, e vacas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu com sangue” (1 Sm 14.34), Jonatas filho de Saul – que não tinha consciência da regra imposta por seu pai – acabou pecando involuntariamente contra Deus, e as consequências são sentidas imediatamente (1 Sm 14.37). A atitude de Saul, contribui também para criar oposição em meio a equipe – o próprio Jonatas. As palavras de Jonatas, mesmo sem intencionalidade, produziram efeitos negativos desastrosos (1 Samuel 14.34), sem contar o prejuízo para a própria alto-imagem de Saul.

Portanto, para fins de uma compreensão adequada do processo funcional de uma equipe, é necessário olharmos além da perspectiva do líder, mas de todas as perspectivas possíveis, líder, liderado, equipe, causa etc.


1. MEMBROS ATIVOS

1.1. Ativo-cooperativo. O membro ativo-cooperativo ou ativo-dinâmico é aquele que se envolve totalmente e potencialmente com a causa do grupo. Ele se identifica plenamente com sua equipe, causas, objetivos, metas, liderança etc. As causas de sua equipe tornam-se causas suas. Qualquer membro pode tornar-se um membro ativo-cooperativo. Isso pode depender bastante do quanto a pessoa de doa em prol do Reino, de sua voluntariedade, de sua experiência pessoal com Cristo, mas também, de como a pessoa interage e é receptiva à sua equipe e principalmente ao seu líder. Portanto, não somente o membro em si, mas também o líder pode contribuir significativamente para a formação de membros ativos-cooperativos.

1.2. Ativo-oportunista. O membro ativo-oportunista não se identifica com a equipe e nem com seu líder, mas encontra em tudo isto uma oportunidade de tirar algum proveito próprio. Sua atitude aparentemente receptiva e positiva em relação a sua liderança e as metas e objetivos da equipe estão baseadas e uma motivação egoísta, individual, e não no bem coletivo ou na causa comum. Este tipo de membro pode ser bem cooperativo, e produtivo, mas, somente, enquanto as circunstâncias lhe são favoráveis. Se a maré mudar de direção pode facilmente abandonar o barco. Absalão filho de Davi era o tipo membro-oportunista, suas intenções desde muito cedo era furtar o trono de seu pai, e para isso se manifestou prestativo e altamente produtivo, como um membro ativo da equipe de Davi, “Também Absalão se levantou pela manhã, e parava a um lado do caminho da porta. E sucedia que a todo o homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, o chamava Absalão a si, e lhe dizia: De que cidade és tu? E, dizendo ele: De uma das tribos de Israel é teu servo; então Absalão lhe dizia: Olha, os teus negócios são bons e retos, porém não tens quem te ouça da parte do rei. Dizia mais Absalão: Ah, quem me dera ser juiz na terra, para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça!” (2 Samuel 15:2-4). Esse tipo de pessoa geralmente não se esforça muito por esconder suas reais intenções, e diante de uma possível frustração, pode tomar uma posição de oposição à liderança, bem como de depreciação dos objetivos e metas antes defendidos. Membros ativos-oportunistas são articuladores, maquiavélicos, frios e calculistas, são carismáticos e possuem sempre um forte poder de persuasão o que facilita a conquista de espaço e confiança, eles também, podem tomar uma posição passiva com a menor das facilidades. Todavia, é possível reverter este quadro mediante uma atitude sempre acolhedora e reflexiva do líder. As pessoas quando confrontadas com verdades profundas tendem a ser sensibilizadas e desmontadas psicológica e emocionalmente.

1.3. Ativo-inconstante. O membro ativo-inconstante pode, também, se envolver totalmente e potencialmente com a causa do seu grupo, e se identificar plenamente com sua equipe, objetivos, metas, liderança etc. no entanto, por breve tempo. No geral são pessoas sonhadores, que ambicionam grandes projetos, mas tais sonhos oscilam e se alternam de tempos em tempos. Isso ocorre por não possuir um foco e nem objetivos bem definidos; tem dificuldades em trabalhar com metas, principalmente àquelas a longo prazo. Agem por ímpeto, como se recebessem uma grande descarga de energia, e em seu ímpeto conseguem surpreender, fazendo grandes realizações, mas não conseguem manter o pique. Esse tipo de membro reconhece facilmente suas limitações e suas instabilidades; caso venham se desintegrar do grupo não causam prejuízos significativos a imagem do líder e de sua equipe. Suas intenções são sinceras, mas lhe falta estabilidade para concretizar projetos. O líder deve reconhecer que existe pessoas assim em sua equipe e deve procurar ajudá-los a manter o foco e à fé em Cristo. Marcos o sobrinho de Barnabé, agia como um membro ativo-inconstante: “E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos. Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra” (Atos 15:37,38). Apesar de Marcos ter agido de forma inconstante, abandonado Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária, posteriormente, ele se tornou um excelente cooperador do ministério de Paulo, “Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Timóteo 4:11). Em alguns, a inconstância pode surgir como consequência do excesso de ansiedade, movido por ambições e expectativas elevadas, que produz inquietação, ou simplesmente como consequência de lutas internas. O que torna necessário a presença e o acompanhamento constante do líder. Membros ativos-inconstantes também podem tomar a posição passiva com facilidade.


2. MEMBROS PASSIVOS

2.1. Passivo-cooperativo. O membro passivo-cooperativo é aquele que cumpre cabalmente seu dever como membro da equipe, mas movido apenas por um senso de responsabilidade e de obrigação. Não é capaz de criar, inovar, interagir; apenas cumpre o papel que lhe cabe sem mais expectativas. Jesus faz uma citação que lembra um membro passivo-cooperativo, “E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa? E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu? Porventura dá graças ao tal servo, por que fez o que lhe foi mandado? Creio que não. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer” (Lucas 17:7-10). Em outra passagem Paulo complementa esse pensamento, “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada” (1 Coríntios 9:16,17). O membro passivo-cooperativo ou passivo-responsivo tem qualidades positivas por ser alguém responsável, que gosta de cumprir cabalmente o figurino, mas falta-lhe a dinâmica, o envolvimento, a vivenciação. Eles não conseguem manifestar muita empatia, e não estão dispostos a fazer muito além daquilo que está fora de sua alçada ou responsabilidade. A maioria das grandes corporações hoje, enfrentam problemas com relação aos seus funcionários, que em sua maioria esmagadora se identificam como passivos-cooperativos. Não estão preocupados em fazer nada além daquilo que sua função pede, e nem tampouco com o sucesso da corporação. Este quadro, no entanto, pode ser melhorado, mediante treinamento voltado para causas filantrópicas e solidárias que tornam as pessoas mais sensíveis.

2.2. Passivo-neutro. A passividade já traz uma ideia de neutralidade, contudo, nem todo passivo é totalmente neutro. O membro passivo-neutro é aquele que assume um papel de total neutralidade em relação à sua equipe e sua liderança. Ele parece não se identificar com a causa do seu grupo e tão pouco com sua liderança. Por não ser presente e nem ser um membro ativo-participativo, não conhece bem os valores e nem a ética do grupo; não sabem distinguir as funções e cargos ou a estrutura funcional da equipe. Não cultivam relação de proximidade com os membros do grupo, e não parece muito preocupado em tomar conhecimento dos acontecimentos que se passam; são sempre tímidos e retraídos, e evitam ao máximo a coletividade. Parecem não se preocupar com o sucesso da equipe, e nem com seu fracasso. O membro passivo-neutro não tem muito o que oferecer para o grupo, pelo menos em termos estéticos, mas jamais pode ser ignorado ou descartado. No geral, líderes tendem a descartar e ignorar membros omissos e funcionalmente irresponsáveis. No entanto, na qualidade de representantes de Cristo na terra, devemos mudar nossa atitude, assumindo uma posição sempre mais prestativa e acolhedora, como Cristo o é. Críticas ou indiretas da parte do líder ou dos membros do grupo, não ajudam nestas situações. O correto seria um acompanhamento individual, que proporcionará um conhecimento de causas. Não é possível apresentar um diagnóstico antes de analisar minuciosamente toda a questão. A condição de membro passivo-neutro pode ser revertida mediante o acompanhamento do líder e mediante o apoio dos demais membros do grupo. Alguns membros da equipe, com o tempo, se tornam membros passivos-neutros, outros sempre o foram. As causas podem estar relacionadas ao próprio líder, ou a outras questões internas, ou ainda a questões diversas relacionadas a própria pessoa. A dificuldade de sociabilidade, de cultivar relacionamento, timidez, sentimento de rejeição e exclusão, pode contribuir para uma atitude passiva-neutra. A real causa de tudo, só poderão ser de fato conhecidas, mediante o contato e aproximação. O líder cristão deve sempre cultivar a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar dos outros, e sentir o que elas sentem.

2.3. Passivo-crítico-pessimista. O membro passivo-crítico-pessimista é, com certeza, a classe mais difícil em uma equipe. Não formam uma frente de resistência declarada, mas criticam tudo e todos, e não conseguem enxergar os pontos positivos, mas apenas os pontos negativos das coisas. Geralmente não são participativos ou interativos, mas, no que se refere a criar uma frente de resistência e disseminá-la, são bem proativos. Quando confrontados e contrariados, se vitimizam, e fazem tempestade em um copo d’água. Exigem dos seus líderes um padrão de espiritualidade elevada, bem como de dedicação total, mas na prática, não manifestam qualquer dessas qualidades. Estes tipos de pessoas tendem a ser excessivamente críticos e pessimistas, criticando o que é feito, aquele que o faz, e como é feito, mas quando assumem cargos ou funções na equipe, não conseguem desenvolver qualquer resultado positivo e, para justificar sua improdutividade, tendem a colocar a culpa em terceiros. Membros passivos-crítico-pessimistas não possuem uma opinião formada ou definida a respeito da maioria das questões que se envolve, por isso sua opinião pode variar significativamente, conforme as circunstâncias mudam, chegando a se autocontradizer. Pessoas assim podem manifestar algumas qualidades negativas e ainda desvio ou transtorno de personalidade, antissocialíssimo, emocionalmente instável, duplicidade de caráter, que podem os caracterizam como pessoas não confiáveis. Por causa da instabilidade e desvio de personalidade, é difícil ajudar essas pessoas a encontrarem um caminho mais seguro, mas não custa nada tentar. Judas Iscariotes, um dos 12 discípulos de Jesus, se identificava como um membro-crítico-pessimista, ele, apesar de ter recebido um voto de confiança do Mestre Jesus, acabou entregando-o aos principais dos sacerdotes por 30 moedas de prata (Mt 26.15), e logo em seguida arrependido devolveu-lhes o dinheiro:

Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar (Mateus 27:3-5).

Este incidente nos revela uma verdade profunda, aqueles que se identificam como membro passivo-crítico-pessimista não chegarão a lugar algum, mas se autodestruirão. Jesus, mesmo presente, e ofertando todo tipo de recurso, não pode evitar a triste sorte de Judas Iscariotes. Contudo, mesmo sabendo que a situação de Judas era irreversível, Jesus não se omitiu de ajudá-lo e de oferta-lhe o seu companheirismo. Mesmo conhecendo Judas, Jesus o tinha como amigo.

Alguns membros de uma equipe podem manifestar outros comportamentos e atitudes, em muitos casos pode indicar apenas necessidade de atenção da parte do líder como, isolamento temporário, crítica superficial, aparente oposição.

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