A ORIGEM DO MAL E OS EFEITOS DA QUEDA DE ADÃO.


INTRODUÇÃO

Desde os tempos mais remotos da era cristã, os estudiosos tem empregado esforços, com o propósito de classificar os relatos de Gênesis, levantando pressuposto diversos, principalmente onde o escritor sagrado narra os fatos a respeito da criação e da queda humana. Os mais conservadores acreditam que o texto é uma narrativa histórica e que os detalhes apresentados são fatos. Os menos conservadores “meios-termos”, defendem uma coisa ou outra, “uma fábula que tem como propósito ensinar algumas lições espirituais” ou “uma história que mistura realidade com mito, sendo difícil determinar onde é mito e onde é realidade. E, por último temos os liberais “mais céticos”, que classificam não só o evento da tentação e da queda, mas praticamente quase todos os eventos de Gênesis como mito.

Com base em uma perspectiva conservadora, defendo a posição de que, a narrativa da criação e da queda humana, são narrativas históricas reais. O escritor sagrado não criou ou reinventou, não adaptou uma tradição antiga sobre a criação e muito menos usou de uma linguagem mitológica ou figurada para ensinar lições de cunho espiritual. Ele, com a inspiração do Espírito Santo narrou fatos, sintetizando a história das origens cosmológicas e humanas afim de que o leitor pudesse, por um simples esforço cognitivo, entender o plano salvífico de Deus, que foi sendo desenvolvido e revelado a medida que a história humana se descortinava.

Há diversos argumentos bíblicos que nos reportam a uma posição mais conservadora das narrativas de Gênesis, atestando sua veracidade histórica. De maneira simples podemos mencionar:

  • A simplicidade da proposição histórica dos fatos

A maneira como a narrativa é proposta serve como um indicativo de que trata-se de fatos históricos. O escritor não dá nenhuma indicação de que a narrativa deveria ser entendida de outra maneira.

  • O testemunho da própria Escritura sobre o Gênesis

A Bíblia faz constantes referências a Adão e Eva, inclusive desenvolve uma cronologia acedente que parte de Cristo até Adão (Lc 3.23-31). Outras cronologia mais remotas já atribuía a Adão a origem de toda humanidade (1 Cr 1.1; Dt 32.8), faz-se menção, também, ao pecado ocultado por Adão (Jo 31.33; da Aliança por ele violada (Os 6.7)

  • O testemunho de Cristo e dos Apóstolos

Jesus, ao falar a respeito do casamento, cita Gênesis 1.26 “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez. E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?” (Mateus 19.4,5). Paulo, em seus escritos, faz menção, inúmeras vezes a Adão e Eva (Rm 5.14; Co 15.45; 1 Tm 2.13,14), igualmente Judas (1.14).

  • O Testemunho do desenvolvimento teológico da doutrina do pecado e da redenção, que tem como cerne a narrativa de Genesis 3.

A doutrina do pecado original, que tem a narrativa de Gênesis como cerce é paulatinamente desenvolvida na cultura e na teologia judaico/cristã. Paulo, em especial, faz menção diversas vezes da queda de Adão e Eva e suas consequências sobre a humanidade de um modo geral (Rm 5.14; 1 Co 15.22; 2 Co 11.3).

  • Os efeitos objetivos e subjetivos do pecado na vida da humanidade.

O ser humano é mal por natureza:

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10).

“Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um “Salmos 14:3”.

“Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” (Salmos 53:3).

“Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5).

Há uma forte tendência na vida das pessoas para o mal, e para o pecado, isso se deve pelo efeito do pecado de Adão sobre a vida da humanidade:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” (Romanos 3:23)

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).

A teologia da redenção não se embasa em uma narrativa mitológica, mais em fatos. Acredito eu, que, se concebermos os relatos primários do Gênesis apenas como mitos ou alegorias, descontruímos toda uma tradição teológica sobre o pecado, e a salvação, bem como sobre o juízo divino.

O QUE O RELATO DA TENTAÇÃO NOS MOSTRA

A compreensão do relato da tentação, como de muitas outras passagens veterotestamentárias, não deve limitar-se ao texto, ou a compreensão simples do escritor sacro. Devemos pensar em um sentido além da narrativa ou frase. Não se trata de dar ao texto um significado espiritual ao bel prazer de cada interprete, mas analisar por uma ótica teológica baseada em todo o contexto bíblico. A teologia, como qualquer outra ciência, passa por um processo de desenvolvimento. Todas as principais doutrinas bíblicas vão sendo desenvolvidas ao longo das Escrituras, e no que tange ao olhar crítico e subjetivo dos interpretes modernos, ela vem se transformando, ora ganhando forma mais implícita, ora mais explicita, ora mais elucidativo, ora mais objetivo. De qualquer maneira a teologia vem se desenvolvendo a partir do pressuposto bíblico, veterotestamentário, neotestamentário. O Pensamento teológico vem gradativamente se desenvolvendo e ficaram impresso na teologia dos apóstolos, na teologia patrística “dos pais”, na teologia reformada e da pós-reforma, e vem se transformando até os nossos dias. Afirmar que a teologia é uma ciência que desenvolve pode ser uma afirmativa ousada e perigoso para alguns, contudo, trata-se de uma verdade absoluta, de um processo natural para qualquer área do conhecimento humano. Não se trata de algo conscientemente planejado ou deliberado, mas pelo fato de surgirem novas perspectivas, novos procedimentos, novos horizontes, novas possibilidades que abrem caminho para a implementação de novos métodos. Essa transformação não é uma ameaça a verdadeira teologia apostólica, e nem tão pouco a teologia ortodoxa e conservadora, mas uma oportunidade de estabelece-las com maior eficácia e fundamentalidade, libertar o pensamento cristão do fanatismo e do pragmatismo religioso, bem como das teologias proselitistas tendenciosas, que cativam mentes incautas a um sistema religioso arbitrário e víeis puramente ideológico.

Para conhecermos as reais proposições desta narrativa, devemos olhar além da perspectiva do escritor sacro, mas segundo a perspectiva do desenvolvimento teológico sobre o mal, o pecado e a salvação. Muitas passagens neotestamentárias ganharam uma interpretação nova na visão apostólica, isso não significa que a mensagem original foi mudada ou adulterada, mas que, o escritor sacro, inconscientemente, mas movido por inspiração do Espírito Santo, deixou algo implícito em seus escritos que só foram possíveis de serem percebidos com o desenvolvimento teológico do pensamento judaico/cristão. Não foi criado nem reinventado um novo sentido, mais percebido e explicitado mediante a revelação do Espírito Santo. Isso podemos deduzir de algumas passagens proféticas da Bíblia:

  • Moisés, nem seus leitores imediatos, tinham consciência que o Senhor se referia a vitória do Messias sobre o diabo ao pronunciar seu juízo sobre a serpente (Gn 3.15), como bem entende o pensamento teológico posterior, conf. (Rm 16.20).

  • Nem Abraão, nem o escritor de Gênesis tinha consciência que “o cordeiro da providência” seria um tipo do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

  • Jacó ao abençoar seus filhos não tinha consciência que sua benção sobre Judá seria um prenúncio da era messiânica e do governo do messias (Gn 49.10).

  • O mesmo podemos dizer da muitas profecias messiânicas do livros proféticos, Isaías, Jeremias, Miquéias, Zacarias, etc, que tão claramente prenunciaram eventos a respeito do Messias que se cumpriram literalmente em sua vida e em seu ministério terreno (Is 7.14: Mq 5.2: Zc 9.9)

Muitas das profecias tidas hoje como messiânicas, tiveram algum cumprimento imediato, na vida de seus endereçários primários, mas depois foram reinterpretadas e aplicadas pelos Apóstolos ao Messias. São profecias que possuem duplos-cumprimentos. Ou simplesmente possuem um significado implícito que foram contemplados posteriormente pelos apóstolos.

  1. QUE O MAL É UMA REALIDADE

Para entendermos melhor sobre essa temática é necessário que recorramos a algumas regras gramaticais da língua portuguesa. Essa comparação serve apenas para entendermos a aplicação dos termos em nossa tradução da Bíblia em Português.

  • Mal com (l), plural “males”, tem como antônimo o adjetivo “bem”.

  • Mau com (u), plural “maus”, tem como antônimo o adjetivo “bom”.

O “mau” é uma caracterização do diabo, ou de alguém que manifesta as suas qualidades (Sl 140.1; Mt 12.35; Pv 6.12). “Mal” com “l”, é um termo mais genérico e se refere a todas as coisas ruins do mundo, doenças, pestes, guerras, crimes, etc.

Às Escrituras usam alguns termos para referirem-se às pessoas que se identificam com satanás ou que refletem as mesmas características.

  • Filhos de Belial (1 Sm 2.12; 2 Sm 23.6; 1 Rs 21.13; 2 Co 13.7; Dt 13.3).

O significado desta expressão não é tão claro, mas os interpretes concordam que o significado é: “filhos do mal, do diabo, filhos diabólicos”, uma pessoa potencialmente má.

  • Ímpios (Nm 16.26: Sm 2.9). O que pratica a impiedade. Esse termo é usado em paralelo com “filhos de Belial” em algumas versões)

  • Pecadores (Lc 5.22; Pv 1.10; Sl 25.8). Os que praticam toda espécie de pecado.

  • Filhos do diabo (1 Jo 3.10; Jo 8.44). Todos os que não são filhos de Deus.

  • Iníquos (Jo 16.11; Jó 20.5; Pv 6.12). Os que praticam a iniquidade.

Todas essas palavras ou expressões são usadas para caracterizar pessoas que se identificam com “Satanás”, pessoas potencialmente pecadores, rebeldes contra a pessoa de Deus.

O DIABO E O MAL

O mal e todos os males, entraram no mundo por meio do diabo, mas existem à parte dele. O pedado é a raiz de todo mal, em detrimento do bem, é o pecado existe à parte de Satanás.

Já refleti várias vezes sobre a questão do mal e do pecado, e onde o diabo entra nesse processo. Além do mal, do pecado e do diabo, devemos também refletir sobre os efeitos da tentação, da carne e do mundo na vida do ser humano.

Podemos afirmar, com base no conceito Bíblico geral que o pecado, a tentação, o mundo, a carne e o diabo se manifestam potencialmente maus, e trabalham de maneira conjunta afim de promover a rebelião do homem contra Deus. Todos estes são representações do mal nesse mundo, e assumem papeis relevantes na manutenção e promoção do mal. É difícil definir o papeis específicos de cada um no processo de tentação, pois são interdependentes e intrinsicamente interelacionados.

O mau é o conceito máximo de injustiça diante do Senhor, bem como a característica de tudo aquilo que não é da luz e que é manifestado pela luz (Mt 4.16; Jo 1.15; Ef 5.13; 1 Jo 1.7). Tudo o que confronta a justiça divina e toda sua natureza moral perfeita é caracterizado como mal. Na oração do Pai Nosso, Jesus ensinou seus discípulos a orarem “...E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal” (Mateus 6:13). O mal é tudo aquilo que tem o objetivo nos atingir e nos afastar de Deus, seja o pecado, a tentação, o diabo, o mundo e a carne ou tudo o que deles procedem.

Com base no contexto bíblico neotestamentário, podemos definir uma certa hierarquia entre as representações ou facetas do mal.

  • O mal. Tudo que é oposto ao “bem”, e ao “Bom Deus” (Mc 10.18; Lc 18.19). O mal não existia, mas passou a existir mediante a rebelião de Lúcifer, em um tempo remoto desconhecido (Is 14.12-15; Ez 28.13-24). Deus não criou o pecado e nem o mal, mas criou, tanto os anjos, quanto os homens, seres morais, dotados de livre arbítrio. O pecado tornou-se uma possibilidade de escolha. Seres morais dotados de livre arbítrio tem o poder de escolha. Deus, como um ser moral, é autolimitado por sua própria natureza divina. Deus não pôde ter criado o mal pois ele é bom por natureza. Deus não pode ser o que não é por natureza, e vice-versa (2 Tm 2.13). Como um ser moral soberano autossuficiente e autolimitado, padrões morais fluem e se estabelecem imutáveis, irremediáveis, invariáveis, absolutos e perfeitos, a partir de sua natureza santa. Qualquer escolha, de qualquer criatura moral divina, celestial ou terrena, que não se conforma com os padrões perfeitos de Deus é caracterizado como pecado e desobediência. Isso ocorreu com Lúcifer em um passado remoto, e ele deu origem ao pecado. Qualquer escolha de uma criatura moral, é neutra antes de uma lei regimentar ou normativa, contudo, a partir do momento que normas são estabelecidas, passam a ser caracterizadas como más escolhas, e, portanto, passíveis de juízo. Deus é antes de tudo, portanto, as leis morais também o são, são inerentes a sua natureza santa. A escolha de Lúcifer em se rebelar contra Deus, foi uma escolha consciente, que infligiu leis morais do Supremo Criador, e por isso teve a justa retribuição. Ele foi expulso do céu e perdeu todos os seus privilégios como anjo Guardião e Protetor, regente do coral celestial (Is 14.12,15). Portanto, o diabo deu origem ao mal e ao pecado, mas existe a parte destes, tornando-se então apenas uma das muitas representações do mal no mundo.

  • A tentação. - [Do heb. nissv, do gr. ekpeirazo; do lat. tentationem] Estimulo que pode levar à prática do pecado. Embora a tentação, em si, não constitua pecado, o atender às suas reivindicações caracteriza a transgressão das leis divinas[1]. A tentação não é o pecado em si, mas instigue a ele. A tentação é o meio pelo qual o pecado entra em contato com o homem e o contamina. A Bíblia afirma que Deus não tenta ninguém e nem pode ser tentado pelo mal “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte (Tiago 1:13-15). A tentação pode ser tanto uma influência externa, como interna. Que agem de maneira intrínseca com o propósito de conduzir o homem a uma rebelião contra Deus. A tentação não é o pecado em si, mas pode nos levar ao pecado, por meio de nossos sentidos: olfato, paladar, tato, visão, audição. Isso parece estar em evidencia na tentação de Eva “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gênesis 3:6). Os três principais pilares da tenção estão aqui implícitos: a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida (1 Jo 2.16).

  • O diabo, o mundo e a carne. Estes são os agentes ativos da tentação nesse mundo, tanto podem se apropriar dela como tomar a forma dela para impelir os homens a pecar contra Deus.

  • O diabo é o primeiro e o maior embaixador do pecado nesse mundo (1 Jo 3.8; 1 Pe 5.8). Ele é a real personificação do mal nesse mundo. Sua missão nessa terra é promover a rebelião da criação divina contra o seu Criador. Ele usará todos os artifícios, meios, apetrechos que estão ao seu alcance afim de promover o mal e o pecado no mundo (Ef 6.11; 1 Tm 3.7). A maior desejo do diabo, que é alimentada constantemente por sua ambição e orgulho é fazer com que o homem, criado a imagem de Deus morra no pecado, e seja condenado por sua justiça (Jo 10.10). O diabo conhece a Deus melhor do que qualquer outro (Tg 2.19), e conhece bem o ser humano. Ele age de uma maneira que o homem seja confrontado pela própria justiça de Deus, e seja condenado, assim como ele o foi “Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:57).

  • O mundo. “[Do gr. kosmos, ordem, beleza; do lat. mundus, puro] Filosófica e cientificamente, é a terra e o conjunto de todas as coisas criadas por Deus. Neste sentido, justifica-se a definição etimológica que encontramos de mundo no grego e no latim. O Universo que Deus criou é a mesma ordem e a mesma beleza. No campo da teologia, porém, é o sistema que se opõe de forma persistente e sistemática ao Reino de Deus. Eis porque somos instados a não amar o mundo nem o que nele há (1 Jo 2.15,16). Conformar-se com o mundo significa perder toda a identidade espiritual (Rm 12.2).[2]”.

  • A Carne - [Do heb. basar\ do gr. sarx e do lat. carnem] Nas Sagradas Escrituras, o termo é usado tanto para descrever a natureza humana, como para qualificar o princípio que está sempre disposto a opor-se ao espírito. Este último sentido foi desenvolvido como doutrina pelo apóstolo Paulo. O crente carnal, segundo muito bem explica em suas epístolas, é o que dá inteira guarida ao pecado[3]. Em Gálatas 5.19-21, Paulo faz uma lista das obras da carne que podem ou não se manifestar em nossas vidas, isso vai depender de como respondemos ao Espírito que em nós habita (Gl 6.10).

A NATUREZA DO DIABO

A real natureza de Satanás pode ser conhecida por meio dos nomes ou apelidos atribuídos a ele nas Escrituras:

A Bíblia usa algumas figuras para descrever Satanás, e elas exprimem aspectos da sua natureza e pessoa. Em outras palavras elas descrevem a real intenção do inimigo contra o crente e contra o ser humano de um modo geral.

  • Serpente (Gn 3.1-3; 2 Co 11.3; Ap 12.9; 20.2). Essa figura descreve a sagacidade e astúcia do inimigo. A serpente sempre pega sua presa de surpresa. A serpente no Édem usou de grande astúcia e sutileza para enganar Eva.

  • O leão (1 Pe 5.8). Essa figura ilustra a voracidade e a força de Satanás contra a vida do crente. Jesus também é descrito como o leão da tribo de Judá. Esse título de Cristo evoca sua vitória sobre satanás, o pecado e contra todos os inimigos de Deus e de seu povo (Ap 5.5).

  • Dragão (Ap 12.3; 16.13; 20.2). Essa figura lembra o poder de Satanás, sua grande força. O dragão era um ser mitológico bem difundido nas culturas orientais. A ele se atribuía poderes místicos, e o atributo da invencibilidade e da força.

  • Valente (Mt 12.29; Mc 3.27; 11.21,22). Essa figura descreve, como a figura do leão, a bravura e intrepidez de Satanás. Satanás é o valente que entra na vida das pessoas e rouba-lhes seus bens “saúde, casamento, família, paz interior”. Jesus é o único que pode dominar e saquear Satanás. Ele é aquele que é “mais Valente do que o valente”.

Muitos dos outros nomes e títulos dados a Satanás na Bíblia evocam sua natureza, ou a própria missão de Satanás em relação aos santos de Deus ou ao mundo de uma forma geral.

  • Satanás “adversário”. O inimigo de Deus e nosso inimigo.

  • Diabo “difamador” “acusador”. Nosso acusador diante de Deus (Ap 12.10). Ele acusou Jó diante de Deus (Jó 1.9-11; 2.4-7), acusou o sumo sacerdote Josué (Zc 3.1).

  • Belial “indignidade, perversidade, maligno”.

  1. QUE O PECADO É POTENCIALMENTE MALIGNO E DESTRUTIVO

Nada nessa vida, conhecido e imaginado pode compara-se ao pecado em termos de poder, destruição e subjugação. Nem mesmo o próprio diabo, se compara ao poder do pecado sobre a humanidade. Parece meio estranho alguém fazer uma afirmativa como essa, mas, como já abordamos, apesar do pecado ter se originado por meio do diabo, ele existe a parte dele. No mundo espiritual, e na perspectiva divina, o diabo é caracterizado apenas como um agente do pecado, e ambos como facetas potenciais do mal.

Jesus venceu na cruz o diabo, o pecado e a morte (Hb 2.14; Rm 8.3; Cl 2.14), mas seus efeitos não foram totalmente erradicados da vida do crente, por isso vivemos um guerra constante contra o mal em suas múltiplas formas “o pecado, o diabo, o mundo, a carne”.

O pecado é apresentado na Bíblia como uma condição, uma lei e como prática.

  • Todos herdamos o pecado de Adão e Eva, portanto, somos pecadores por natureza

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”; (Romanos 3:23)

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).

Posicionalmente essa é a condição da humanidade diante do Senhor. Quando somos alcançados pelo evangelho passamos a ser classificados como “pecadores remidos”.

Com a queda de Adão, o pecado sai da dimensão do mundo espiritual (diabo e os anjos), e passa para o ambiente físico da criação, e a raça humana passa a sofrer diretamente suas consequências, como no caso da maldição lançada sobre eles (Gn 3.14-19), o primeiro homicídio (Gn 4.8), o casamento bígamo de Lameque e seu duplo homicídio (Gn 4.19-25), a união promiscua dos filhos de Deus com a geração ímpia de Caim, que resultou na corrupção generalizada da raça humana que culminando com destruição total do gênero humano mediante as águas do dilúvio (Gn 6-8).

Deus advertiu Caim sobre os efeitos nefastos do pecado “Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar” (Gn 4.7). Aqui, acredito eu, o pecado é apresentado pela primeira vez como uma lei mortífera plenamente dominadora e potencialmente subjugadora, ninguém pode escapar de seu poder.

Paulo em Romanos discorre mais claramente sobre este tema. O pecado como uma lei espiritual se instalou de maneira irrevogável na vida do ser humano. Enquanto ele vive, está sob a lei do pecado. A única coisa que nos faz vencer a “lei do pecado” é outra lei espiritual superior, que quando implementada em nossas vidas, por meio de Cristo, nos dá condições de vencer o pecado (Rm 8.2). Todos os que estão sob a lei do pecado, pecam como por obrigação e não porque querem, eles não tem escolha. A força da lei do pecado é infinitamente superior a capacidade humana de resistir aos seu poder. Os estão sob a lei de Cristo, tem a opção de não pecar. A graça de Cristo lhes confere o poder de escolha, se apropriarem da graça vencerão o pecado, se der ocasião a carne, serão novamente vencidos pelo pecado (Gl 5.16-18).

OS EFEITOS IMEDIATOS DO PECADO NA VIDA DE ADÃO E EVA

Os efeitos do pecado na vida de Adão e Eva foram devastadores. Após comerem do fruto proibido começaram a manifestar diversas atitudes inusitadas:

  • Os olhos foram abertos. “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus” (Gênesis 3:7). Expressão “foram abertos os olhos” nos faz refletir sobre o estado de inocência de Adão e Eva. Eles foram criados perfeitos (Gn 1.26,31), andavam nus e não se envergonham, mas após comerem do fruto proibido, sentiram vergonha pela primeira vez. Naquele momento perderam sua inocência.

  • Confeccionaram suas próprias roupas. “...e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (Gênesis 3:7). Adão e Eva tentaram cobrir sua nudez mediante vestes feitas por eles mesmos. As vestes foram substituídas por vestimentas feitas pelo o próprio Deus, mediante o sacrifício de um animal. Aqui vemos um relutante esforço humano por alcançar a justiça divina mediante seus próprios esforços. Mas Deus deixa bem claro que qualquer esforço humano é insuficiente diante da justiça de Deus. Alguns estudiosos veem nesse texto uma prefiguração do sacrifício de Cristo, cujo sangue seria derramado como propiciação do pecado da humanidade (Jo 1.36).

  • Se esconderam. “E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (Gênesis 3:8). Adão e Eva esconderam-se do Senhor. Esta atitude ainda se repete na experiência do homem com Deus. O homem reconhece sua indignidade, e sabe que em seu estado de vergonha, impiedade e desobediência, jamais poderá comungar com um Deus tão puro e santo, e a atitude é sempre a mesma, se esconder e fugir da presença do Senhor. Em sua fuga constante, o homem sempre procura algo que o possa ocultar da presença de Deus, seja “arvores espirituais” ou qualquer outra coisa, mas na realidade, ninguém jamais poderá se esconder da presença do Senhor, “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4:13).

  • Justificação. “E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gênesis 3:10). Quando o pecador reconhece que não pode se esconder ou se ocultar das vistas do Criador, ele agora procura uma maneira de justificar suas atitudes diante do Senhor. Isso aconteceu também com Caim (Gn 4.9,13); e Lameque (Gn 4.23,24). E ainda hoje, quando o pecador é confrontado pela justiça divina.

  • Culparam uns aos outros. “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gênesis 3:12). Aqui vemos um incidente que ocorre sempre, quando alguém é confrontado por seus erros, sempre procura colocar a culpa em alguém. As pessoas dificilmente assumem seus erros, preferem julgar a culpa em alguém, do que reconhecer que são ignorantes, pecadores, indignos, e carecem do favor de outrem e também de Deus. Adão colocou a culpa na mulher, a mulher culpou a serpente e assim vai. Com base nos parâmetros de sua justiça Deus proferiu uma sentença sobre cada uma das partes envolvidas (Adão, Eva e o própria serpente) (Gn 3.14-18). Na sentença divina sobre a serpente encontramos a primeira mensagem redentora (Gn 3.15). Deus prenuncia a vitória de Cristo “o descendente da mulher”, sobre o diabo na cruz do calvário, “feriras o calcanhar” é uma referência a todo o sofrimento desencadeado contra Cristo em sua Paixão. Apesar todo aquele sofrimento imerecido, Jesus triunfou sobre o diabo e o mal.

  • O pecado teve consequências devastadores sobre toda a criação, a ordem natural das coisas foram interrompidas, e novas leis passaram a reger a natureza de um modo geral.

  • Sobre a serpente. O diabo havia tomado a forma de uma serpente para manifestar-se a Eva, contudo a maldição lançada por Deus, não somente resultaria na derrota de Satanás por Cristo, como, também, traria consequências para a vida do próprio animal. Alguns acreditam que até aquele momento a serpente andava sobre pés, como os animais, mas que, por ocasião da maldição divina, ela passou a rastejar “Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida” (Gênesis 3:14).

  • Sobre a mulher. “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará” (Gênesis 3:16). A maldição sobre a mulher envolvia alguns pontos importantes: complexidades no período da gravidez, um parto com dores, e a dominação do marido, que posteriormente ganhou fortes raízes na cultura oriental.

  • Sobre Adão. “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida” (Gênesis 3:17). A terra não daria mais suas delícias espontaneamente, Adão deveria cultivar a terra para prover seu alimento, e isso como muito labuta e fatiga (v 19).

  • Sobre a terra. “...maldita é a terra por causa de ti” (Gênesis 3:17). Deus amaldiçoou a terra por causa do pecado de Adão, a partir de então ervas daninhas brotariam na terra e iriam servir como flagelo para o próprio Adão quando fosse cultivá-la.

  • “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:17). Adão estava ciente que, ao comer do fruto proibido sofreria a justa punição, Deus o havia advertido disso. Adão comeu, e como consequência foi expulso do jardim, e a partir de então passou a experimentar a morte. Nunca nos acostumamos com a realidade da morte, nem em nossas vidas, e nem na vida dos nossos entes queridos. Isso ocorre porque, a morte é uma intrusa em nossas vidas, ela chega quando ninguém espera, e leva a todos. Apesar de ter plena consciência da morte, o homem vive nesse mundo como se nunca morresse. A morte na vida de Adão, como consequência de sua desobediência a Deus não trouxe apenas a morte física, mas também espiritual e eterna. A “morte espiritual” é a presente condição espiritual da humanidade perdida perante Deus, “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). A “morte eterna”, também chamada de segunda morte (Ap 20.14), é a eterna separação dos ímpios da presença de Deus. A Palavra de Deus afirma que não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1). Se estamos em Cristo, estamos livres da morte espiritual, e consequentemente da morte eterna.

  • O pecado de Adão e Eva trouxeram consequências a toda a criação de Deus, incluindo toda flora e fauna (Rm 8.20-22). Há indícios de que os animais no princípio eram totalmente herbívoros, incluído o próprio homem, após a queda, vamos notando gradativamente uma mudança na dieta alimentar dos homens, incluindo no cardápio, a carne animal. Vemos claramente essa mudança alimentar após o dilúvio, quando o próprio Deus ordena que Noé levasse consigo animais extras, para que servisse de alimento, tanto para eles “os homens”, quanto para os próprios animais (Gn 6.21). Quando a ordem de todas as coisas forem restauradas, na era milenar, então os animais carnívoros voltaram a ser vegetarianos (Is 11.6-9).

O PECADO, A MAIOR TRAGÉDIA DA HISTÓRIA

O pecado é o responsável pela maior tragédia cósmica já existente. Seus efeitos são irreparáveis, tanto no espaço, como na natureza. Por causa da desobediência de um único homem (Adão), todos (seus descendentes imediatos ou remotos), foram feitos pecadores (Rm 5.19). Cristo veio para “estar na brecha” (Ez 22.30), isso é, tentar reparar um pouco do estrago deixado pelo pecado. Contudo, apesar de o sacrifício de Cristo ser plenamente eficaz, nem tudo pôde ser reparado. Muitos morreram e morrem em seus pecados, e serão condenados por Deus, isso ocorre mesmo em decorrência do trabalho incansável da Igreja em pregar o Evangelho.

Como diz Paulo citando Isaías 53.1: “Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? Muitas na atualidade nunca tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho, seja nos países mulçumanos onde o evangelho é impenetrável, como em muitas nações comunistas onde o regime não permite a fé em Jesus, sem contar as muitas tribos de nativos espalhas por todo mundo, que matem pouco ou nenhum contato com a civilização moderna. Muitos dentre estes provavelmente morrerão sem nunca ouvir a palavra do evangelho, e consequentemente não alcançaram a vida eterna, a qual nos concedida apenas por Jesus, “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). Isso é consequência do pecado na vida da humanidade. Apesar de muitos, em diversas partes do mundo, jamais terem ouvido o evangelho, não serão considerados inocentes por Deus “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” (Romanos 1:19,20). Paulo, mais adiante complementa esse pensamento dizendo: “Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados” (Romanos 2:12).

Outros ouviram a pregação do Evangelho, mas conscientemente decidiram rejeitá-lo, do mesmo serão julgados e condenados. Outra grande maioria ouve a palavra do evangelho e a aceitam, mas as coisas desta vida acabam sufocando a Palavra de Deus, e cedo ou tarde acabam desistindo de seguirem a Cristo, estes igualmente serão julgados e condenados por Deus.

O homem é responsável diante de Deus pelos seus erros, e a justiça divina condenará todo culpado.

Por causa da grande multidão de perdidos, passado, presente e futuro o pecado continuará a ser a mais terrível, a mais dolorosa, a mais indescritível tragédia de toda a história da raça humanas, pois todos os que rejeitarem o evangelho de Cristo serão condenados:

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18).

“E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15)

Nenhuma das consequências visíveis do pecado; homicídio, roubo, doenças, a morte em si, ou qualquer outra forma de sofrimento se compara a expectativa de separação eterna do homem de Deus, que se dará no futuro, após o juízo final (Ap 20.11-15). Que o favor de Cristo possa nos livrar do poder do pecado e das chamas eternas. Não vale a pena arriscar nada.

A Palavra de Deus fala de uma restauração futura, onde a ordem de todas as coisas serão restauradas. Essa restauração se dará tanto no âmbito cósmico “mundo”, como metafísico “mundo espiritual”.

Deus fará novos céus e nova terra:

“Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13).

“E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Apocalipse 21:1).

“Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Isaías 65:17).

Deus trará restauração no âmbito espiritual:

“E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio” (Atos 3:20,21),

“E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).

As reais dimensões desta restauração é objeto de muita discussão entre os estudiosos, no entanto, sem querer, entrar em detalhes, podemos afirmar, sem sombras de dúvidas, que haverá uma restauração divina em toda a sua criação visível e invisível.

CONCLUSÃO

A doutrina do pecado e do mal é vastamente desenvolvida nas páginas das Sagradas Escrituras, e estabelecem todos os fundamentos necessários para desenvolvermos uma teologia sadia sobre a temática. O que abordamos nesse nosso estudo é apenas uma pequena faceta do que representa o mal e o pecado nesse mundo.

Autor: Marciel A. Delfino

NOTAS:

[1] Andrade, Claudionor Corrêa de - Dicionário Teológico.../Claudionor Corrêa de Andrade 1 ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1998 – Pg. 270

[2] Andrade, Claudionor Corrêa de - Dicionário Teológico.../Claudionor Corrêa de Andrade 1 ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1998 – Pg. 218

[3] Andrade, Claudionor Corrêa de - Dicionário Teológico.../Claudionor Corrêa de Andrade 1 ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1998 – Pg. 78


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