ESTUDO 02 | OS DONS ESPIRITUAIS NA BÍBLIA | SERIE - DONS ESPIRITUAIS


Descrição dos dons nas Escrituras

Os dons são descritos na Bíblia por termos ou expressões diferentes, tais como:

  1. Ministérios – (1 Co 12.5)

  2. Operações – (1 Co 12.6)

  3. Manifestações do Espírito – (1 Co 12.)

  4. Dons – (1 Co 12.4)

  5. Dons da graça – (Rm 12.6)

No sentido específico ou real do termo, os dons são definidos como "Conceções de Cristo a Igreja por meio do Espírito Santo, para sua edificação mútua", isso é; para a promoção de seu crescimento multidimensional "qualitativo e quantitativo" (Ef 4:8-10). O termo pode ser também usado de maneira genérica, referindo-se a qualquer aptidão, talento ou tendência na vida de qualquer indivíduo, seja ele cristão, ou não, com também se referir a qualquer benefício da parte de Deus; (ver Ec 3.13; 2.24; 5.19).

Portanto, para entendermos melhor a atuação dos dons espirituais no contexto da igreja, dividiremos-os em três classes distintas, são elas:

  1. Dons espirituais – (1 Co 12. 8-10)

  2. Dons ministeriais – (Ef 4.11)

  3. Dons espirituais de governo prático – (Rm 12.6-8; 1 Co 12.28)

A classe de dons comuns (os benefícios ou dádivas que Deus concede a humanidade por sua graça comum) incluiremos no final desse estudo por não se tratar de dons (dádivas) específicos para igreja.

1. Os Dons Espirituais (1 Co 12:8-10)

Esta classe é composta pelos nove dons do Espírito, citados por Paulo em (1 Co 12.7-10). São nove dons subdivididos em três classes:

1.1. Dons que manifesta o saber de Deus:

  • Sabedoria

  • Palavra da Ciência

  • Discernimento de Espíritos

1.2. Dons que manifesta o poder de Deus:

  • Dons de cura

  • Dons de operação de maravilhas (Milagres)

  • Dons de fé

1.3. Dons que manifestam a mensagem de Deus;

  • Profecia

  • Variedade de línguas

  • Interpretação das línguas

Esta divisão dos dons espirituais contribui para seu melhor estudo e compreensão; isso é importante, pois uma maneira eficiente de explorarmos o potencial máximo de cada dom, depende do quanto o compreendemos e isso por sua vês é fundamental para que o objetivo divino seja alcançado, isto é, a “edificação da igreja”. Isso, no entanto, impõe uma responsabilidade primeiramente individual e depois coletiva.

O Cristão, desde o momento que decide buscar qualquer dom espiritual, precisa conhecer o objetivo da existência deles, e aqueles que já possuem dom Espiritual, e não conhece a real finalidade dos mesmos, deve informar-se o quanto antes, ou então acabará transformando o bem em mal. Devemos usar os dons na Igreja, com o intuito de promover a edificação e o crescimento de todos os seus membros.

Como já abordamos anteriormente a maneira como os dons são administrados hoje na igreja de Cristo é preocupante. As pessoas têm concebido suas próprias ideais sobre como usá-los, e desenvolvendo critérios próprios de avaliação da veracidade desses dons, e isso quando avaliam. O que tem causado confusão e transtorno. Os que assim procedem são pessoas imaturas, desinformadas, mas, o mais triste é que nossas igrejas estão repletas de pessoas assim. A Igreja para essas pessoas tornou-se um palco de disputa e exibicionismo, sobre quem possui o maior número de talentos e são mais usadas por Deus. O conceito de "dons" se resume em grande parte sobre quem (faz mais barulho, quem faz mais previsões ou os que mais exploram as tendenciais e ações estáticas). Essas pessoas, na verdade, estão promovendo os seus próprios interesses, e jamais os interesse de Deus. A real intenção divina é que os dons promovam o seu poder, a sua glória, sua sabedoria e a sua majestade.

Aqueles que não agem baseado nesse princípio são reprovadas pelo Senhor, por serem falsos representantes Dele.

Os dons são de Deus e não nossos, eles constituem a dinâmica da Igreja, mas deve atender unicamente os interesses de Deus. A palavra de Deus “A Bíblia” deve ser a única fonte de informação sobre a maneira como definimos e como administramos os dons, pois é a Inerrante, Infalível e Soberana Palavra de Deus. Ela é a nossa regra de fé e conduta, possui toda informação necessária para a vida da igreja em sua plenitude.

A falta de conhecimento bíblico pertinente tem sido a causa principal das aberrações evidenciadas no contexto de muitas igrejas locais da atualidade, principalmente as denominadas “pentecostais do manto, do fogo, etc”.

2. O ensino bíblico na igreja é competência dos líderes cristãos

Deus incumbiu os líderes cristãos do ensino bíblico na igreja (Mt 28.19; 1 Pd 5.2; Gl. 5,6;) este ensino deve ser sistemático, abrangendo todos os temas e assuntos abordados nas Escrituras, com ênfase maior àqueles que constituem a vida da Igreja de Cristo, isso é, os que estão relacionados a salvação do crente e o serviço cristão. A igreja só poderá cumprir toda a vontade divina se conhecer toda esta vontade.

Se os líderes cristãos negligenciarem sua missão, a igreja padecerá, as consequências podem ser diversas, abrangendo vários aspectos.

Nossa abordagem abre caminho a uma outra realidade ainda pior. Muitos dos líderes de hoje “pastores, mestres ou doutores”, estão desqualificados para o ministério bíblico do ensino. Ninguém poderá ser um líder ou ensinador eficiente sem antes ter sido um bom discípulo. “Um bom mestre é sempre fruto de um bom discipulado”.

Estamos vivendo também na atualidade o que eu chamo de “síndrome do simeonismo”. Simeão o mágico, ao ver que os apóstolos, ao impor aos mãos sobre os novos convertidos recebiam o Espirito Santo, ofereceu dinheiro a Pedro para que lhe fosse dado também o dom de Deus. Pedro imediatamente retrucou “Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus” (At 8.21). Muitos hoje estão tendo sorte, mas igualmente a Simão o Magico não tem parte, isso é, “o chamado verdadeiro de Deus”.

Outros são realmente chamados, mas simplesmente negligenciam seu papel, por motivos diversos.

A igreja não tem o poder de conferir ministérios a ninguém, ela simplesmente reconhece a chamada já existente, o ministério é dado por Deus (Ef 4.11). Esta questão é um dos piores males da atualidade.

Casos semelhantes são aquelas pessoas que andam dizendo e fazendo o que Deus não ordenou que fizessem. Se utilizam do sensacionalismo e emocionalismo, bem como de certas tecnicas de hipinose para atrair e causar admiração nos telespectadores. Isso pode ocorrer de forma intencional ou involuntária. De qualquer forma os que assim procedem, agem como ignorantes da palavra de Deus é serão responsabilizados por seus atos. Não passaram por um período de aprendizagem cristã. Foram denominados ou se auto intitularam profetas precocemente e hoje estão a perverter o caminho de muitos crentes igualmente neófitos e de mente incauta.

No entanto, não podemos negar o fato de que existem ainda muitos homens chamados e capacitados, e que tem compromisso com o Senhor Jesus.

1º DONS QUE MANIFESTAM O SABER DE DEUS.

  1. – Dom de sabedoria (1 Co 12:8a)

O “dom da sabedoria” é a operação do Espírito Santo que capacita o crente a receber, ordenar e verbalizar os mistérios de Deus de maneira clara e acessível. Este dom do Espírito é imprescindível a todo Cristão, mas principalmente os ensinadores cristãos ou os que presidem o rebanho de Deus. Nas várias manifestações deste dom, podemos destacar sua manifestação momentânea que leva o pregador a uma exposição dinâmica inspirada da palavra de Deus, sem prévio preparo, leva os ouvintes a vibrarem no Espírito e a receberem uma plena edificação espiritual pelo fato de estarem sendo alvos diretos de uma inspiração dinâmica. A intensidade deste dom pode ser variável dependendo unicamente da vontade do Espírito Santo. Parece que os sete diáconos eleitos em (At.6:5) possuíam este dom.

  1. – Palavra da Ciência;

O “dom da ciência” é a operação do Espírito no crente que abre caminho aos tesouros eternos de Deus, e tudo mais, a ele relacionado (Rm 11.33). A Ciência Divina, como sua eterna sabedoria é incomensurável e infinita. Como, o ser humano é limitado, o Espírito Divino em parceria com o espírito humano controla a dimensão e dosagem dos mistérios Eternos a serem revelados, portanto, como o dom de sabedoria, o grau e intensidade do dom da ciência pode variar, dependendo unicamente da vontade divina na vida de seus servos. Como o dom da sabedoria, este dom deve ser buscado por todo cristão, com certa prioridade a mesma classe acima mencionada.

Não podemos confundir o dom da ciência e o dom da sabedoria com simples capacidade de criar ou inventar algo, principalmente as do contexto físico. São dons que transcendem o natural e incomum e chega no âmbito real dos tesouros eternos da divindade.

1.3 - Discernimento de Espíritos:

Amados não creiais em todo espírito, mais provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus, e todo espírito que não confessa que Jesus veio em carne não é de Deus: Mas este é o espírito do anticristo do qual já ouvirdes que há de vir, e eis que já está no mundo”(1 Jo 4.1-4).

Como diz a última expressão acima, “eis que já está no mundo”, é uma referência ao espírito do anticristo. Tais espíritos atuam no contexto da igreja de Cristo. É o espírito da apostasia, da mentira. O mundo não tem que se apostatar, pois já é apostata, mas os cristãos sim.

Este “falso espírito” tem enganado muitos e ainda continua enganando, a não ser que nós cristãos, busquemos com todas as nossas forças o “dom de discernimento de espíritos”.

Este dom não é dispensável a nem um cristão, todos precisam, apesar de nossa realidade hoje ser bem diferente. Muitos na atualidade, abandonam as diretrizes bíblicas e tornam-se guiados por sonhos, supostas visões, profecias e revelações e acabam sendo vítimas do engano, nenhuma revelação, seja em sonhos, visões, profecias é superior a revelação bíblica. Os dons são outorgados com já frisamos, para edificação da igreja e não para sua base ou diretriz, a base do cristianismo é a Bíblia, qualquer suposta revelação proveniente de qualquer fonte, sendo contrária a Bíblia é engano, é o espírito do erro, do Anticristo (Gl 1.8)

O dom de discernimento de espíritos é a operação do Espírito Santo na vida do crente que o capacita a conhecer a origem e fonte de uma mensagem de maneira plena e espontânea, sem análise prévia. Uma mensagem pode originar-se de três fontes distintas: Deus, Satanás ou do próprio indivíduo. O dom de discernimento de espíritos nos capacita então a conhecer tal origem e natureza.

É hora de nos despertarmos para a realidade que enfrentamos hoje, principalmente no que tange aos fenômenos espirituais. Os falsos profetas estão por toda parte vestidos de ovelhas, mas que interiormente são lobos vorazes. São agentes ativos do diabo que enganam e são enganados, (Mt 24.5-6; Ef 5.6; Cl 2.8 e 2 Ts.2.3). Mas os agentes humanos do diabo, geralmente são inconscientes, pois antes de enganarem, são enganados, isso é obra do Pai da Mentira, fruto do espírito do engano. O dom de discernimento de espírito é dádiva de Cristo à sua Igreja que a capacitará a fugir do laço do diabo. Este dom é perfeito como os demais, em sua natureza espiritual, porém, não dispensa que o crente busque igualmente orientações através do conhecimento bíblico.

O dom do discernimento de espíritos atua em conjunto com a revelação bíblica, juntos produzirão orientação completa. Muitos fenômenos estranhos são comuns hoje em nosso meio, e são tão sutis que não poderão facilmente ser desmascarados se não pelo precioso dom de discernimento de espíritos em conjunto com a revelação bíblica.

3. Dons que manifestam o poder de Deus:

3.1. Dons de cura:

Esse dom é o único que é flexionado no plural, isto dar-se pelo fato de haver derivações deste dom.

Alguns acreditam que talvez exista um dom de cura para cada enfermidade ou para um grupo específico de enfermidades, porém, não temos base bíblica para afirmamos isto. O que podemos afirmar com precisão é que existe mais de um dom de cura, pois lemos “dons de curas”, mas o que são os dons de cura? Os dons de cura são operações do Espírito, que capacita o crente por meio de uma virtude especial, fazer sinais em grande número ou mais precisamente, curar.

As curas em grande quantidade é a prova da existência dos dons de cura na vida de determinada pessoa, no entanto, precisamos estar atentos porque é nesse âmbito que o espírito do engano mais atua, com Sinais de mentira (Ap 16: 13). Nem tudo que parece ser realmente é, ainda mais em nossos dias, onde o engano se espalha assustadoramente. Os dons podem ser manipulados (Mt 24.24; 2 Ts 2.9-12; Ap 13.13,14) Hoje em dia as pessoas em vez de deixar serem usadas pelo Espírito, querem usar o Espírito, mas na verdade isso não acontece, pois o Espírito não pode ser jamais mecanizado, o Espírito é espontâneo, voluntário, age por seus próprios impulsos. Quando alguém quer corresponder aos impulsos do Espírito, então ocorrem suas operações, neste caso as curas verdadeiras que por sua vez promovem a glorificação do nome do Senhor e a edificação da sua Igreja.

Este dom deve ser buscado por todo cristão, para que aja um número maior de curas na igreja, e consequentemente maior número de pessoas sejam beneficiadas. A humanidade na atualidade é atingida por diversas doenças, cuja gravidade variam, algumas delas ainda não possuem diagnósticas como, por exemplo: O câncer maligno, a AIDS, depressão, diabetes, etc. Para Deus, no entanto, nada é impossível (Gn 18.14; Jr 32.17; Mt 19.26; Mc 10.27; Lc 18.27; Rm 4.21)

A atuação destes dons de cura na igreja promoverá saúde para seus membros e poderá se estender ainda os que estão de fora. Os dons de cura têm como finalidade o bem estar físico da igreja de Cristo, mas não há proibições que impeça sua atuação geral. A cura realizada deve ser instantânea e ao mesmo tempo espontânea, não pode valer-se de qualquer artifício humano, é uma operação direta do Espírito Santo na vida do doente através da virtude curadora do Espírito na vida do possuidor do dom, (Lc 8.46).

Os dons de cura devem ser buscados e colocados em prática, mas deve-se tomar cuidado para que seja ministrado de maneira correta, sem exageros e dramaticidade. Jesus curou muitos doentes, (MT 8.16-18). As curas realizadas por Jesus aconteciam de forma completa, objetiva e direta, simplesmente dizia: “sê limpo, como no caso do leproso de Cafarnaum (Mt 8.3)” “Como crestes seja feito” ao centurião, (Mt 8:5), “a sogra de Pedro” Jesus simplesmente “tocou”, (Mt 8.15) ao paralítico de Cafarnaum “Levanta-te e anda”, (Mt 9.5), um outro exemplo é o homem da mão ressequida, que Jesus somente pediu-lhe que estendesse a mão “e lhe foi restituída sã com a outra” (Mt 12.13). Jesus é o doador dos dons (Ef 4.8), portanto, as curas realizadas por ele é uma demonstração real de como funciona os dons de cura.

Alguns exemplos bíblicos de dons de cura podem ser vistos na vida de homens como Estevão, “e Estevão, cheio de fé e de poder fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.80), Estevão, além de possuir dons de cura, “fazia prodígios”, isso significa que possuía, também, o dom da fé “cheio de fé e poder”, e ainda por último possuía o dom de maravilhas, pois fazia “grandes sinais entre o povo”, estes são os três dons que manifestam o poder de Deus. É condição necessária para os vocacionados para o ministério (At 6:3). Em Atos 3, encontramos um modelo de dons de cura na vida dos Apostolo Pedro e João, que disseram ao paralítico “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. Em nome de Jesus Cristo o nazareno, levanta-te e anda” (At 3.6)

3.2. Operação de Maravilhas

O dom de operação de maravilhas (milagres) se assemelha aos dons de cura, podem atuar também na área da restauração, porém vão mais além. Os dons de operação de maravilhas atuam principalmente no campo da impossibilidade e do extraordinário. É a o operação do Espírito no crente, que o capacita a realizar sob a autoridade Divina sinais miraculosos, extraordinários, que a luz da lógica seriam impossíveis de serem realizados, ferem drasticamente as leis da natureza, são a verdadeira contramão da lógica, há vários exemplos na Bíblia, um deles bem conhecido é a cura de um cego de nascença curado por Jesus (Jo 9:1-7), outros podem ser a água transformada em vinho (Jo 2:1-11), a multiplicação dos pães (Mt 14:15-21, Mt 15:32-37) e a figueira que secou (Jo 21:1-11), ressurreição de mortos (Jo 11.43; At 10.40)

Baseado em tais exemplos, podemos ainda identificar este dom na vida de alguns cristãos na atualidade? Muitos afirmam tê-lo, e outros oram intensamente pedindo, sem, contudo saber o que realmente representa o dom de operação de maravilhas, este pode ser considerado o dom mais extraordinário do Espírito, portanto jamais devemos deixar de buscá-lo. Todos os dons atuam no âmbito sobrenatural, pois são manifestações sobrenaturais, porém o dom de operação de maravilhas excede a todos os demais, pois não é simplesmente extraordinário, como seus próprios resultados o são. Exemplos bíblicos de dons de maravilhas é como já citado, Estevão (At 6.8-9) e Paulo (At 19. 11). O exemplo de Paulo a parte de Cristo é o mais real exemplo de dons de maravilha, o texto em apreço diz: “Paulo fazia maravilhas extraordinárias” esta frase enfatiza não somente o dom, mas seus próprios resultados.

Paulo nos exorta a buscar os melhores dons (1 Co 12.3), com certeza o dom de operação de maravilhas pode ser indicado como um dos melhores.

3.3. Dom da Fé:

O dom da fé (1 Co 1.:8), não é um dom independente, age em conjunto com os dons da cura e operação de maravilhas. O dom da fé não deve ser confundido com uma simples fé comum, ou fé salvífica (Ef 2.8), ou ainda a fé como fruto do Espírito (Gl 5.22), este último, apesar de ser também uma obra do Espírito Santo, não pode ser relacionado com o dom espiritual da fé, a fé como elemento do fruto do espírito é obra produzida no interior do crente e vai sendo aperfeiçoada de acordo com a correspondência do crente ao Espírito Santo (Gl 5.22). O dom da fé é uma operação sobrenatural do Espírito no crente, que o capacita a realizar grandes coisas que manifestam o eterno poder de Deus, em parceria ou animando os dons da cura e operação de maravilhas, (At 6:5).

Os que possuem o dom da fé, podem inspirar fé em outras pessoas. Este é um dom dinâmico, indispensável aos cristãos, e, portanto, devemos buscá-lo intensamente (1 Co 1.:31;14.1-2), os que já o possuem devem sobejar nele para edificação da igreja (1 Co 14.12, isso é: aperfeiçoando seu dom na operação de curas, prodígios e sinais extraordinários. Quão raros são estes dons hoje em dia. Com esta definição podemos ainda afirmar que possuímos o dom da fé? Ou ainda devemos buscá-lo caso desejamos receber? Seja lá qual for nossa resposta, o que devemos saber é que tudo deve ser feito para glória de Deus.

Em (Hebreus 13:6) o escritor diz: “sem fé é impossível agradar a Deus” e Jesus disse: “se tiverdes fé como um grão de mostarda fareis coisas incríveis” (Mt 21.21), pode ser que Jesus se referia ou não, ao dom da fé, porem fala de uma fé que demonstra o poder sobrenatural de Deus, que é necessário ao cristão, essa fé no entanto, jamais pode existir à parte da fé de (Hb 11:6), que nos leva a agradar a Deus.

O dom da fé pode ser visto na vida de homens tais como: Estevão, primeiro dos sete diáconos eleitos (At 6.5), Apolo (At 18:28), que tinha uma capacidade impar de despertar fé nas pessoas (leia Atos 18.28), outro caso é o próprio Senhor Jesus. A carência do verdadeiro dom da fé e cada dia mais crescente na igreja de Cristo da atualidade.

4. Dons que manifesta a mensagem

Esta última subclasse de dons espirituais de (1 Co 12.8-10) é a mais mal interpretada na atualidade e a mais tendenciosa a equívocos e contradições, principalmente no meio pentecostal. Isto dar-se por haver uma compreensão errada do que é realmente esses dons.

4.1. Dom de profecia:

Para entender estes dons é necessário que façamos um sistemático estudo dos mesmos a luz das Escrituras, a começar pelo dom da profecia, na seguinte ordem temática:

  1. O Profeta, a Profecia e o dom de Profecia do Antigo Testamento;

  2. O Profeta, a Profecia e o dom de Profecia do Novo Testamento;

  3. Como devem ser avaliadas as profecias;

  4. Como devem ser entregues as profecias;

  5. Quem substituiu a profecia do AT.

4.1.1. Profeta, a Profecia e o dom de Profecia do Antigo Testamento.

O Profeta é alguém que fala em lugar de outrem, é um mensageiro, uma porta voz. No Antigo Testamento o termo não se referia somente a um profeta de Deus, mas era aplicada de um modo geral, inclusive como referência à falsos profetas, como os profetas de Baal e Aserá, citados em ( 1 Rs 18.19). Porém quando se tratava de profetas de Deus referia-se a homens chamados, comissionados e capacitados para uma missão especifica, “entregar a mensagem de Deus”, (Jr 1.5, Ez 3.4-5 e 17). Os profetas de Deus possuíam autoridade suprema e dons infalíveis, de maneira tal que muitas das profecias destes homens de Deus, foram adicionadas as Escrituras do A.T.

Eles usavam expressões como: “Ouvi” (Is 1:10), “Disse me o Senhor” (Is 43:1-14; Is 44:2,6,24), “assim diz o Senhor” e outras semelhantes,

A mensagem era anunciada, usando tais expressões porque eram verdadeiramente às “Palavras de Deus”.

4.1.2. Profeta, a Profecia e dom de Profecia do Novo Testamento.

Muitos na atualidade confundem este dois aspectos da profecia e isso tem sido o elo das complicações existentes hoje nessa área. O dom de Profeta do Novo Testamento segundo Efésios 4.11 é, primeiramente, um dom ministerial, segundo, um dom espiritual 1 Coríntios 12.10. Os que o possuem, são, a semelhança dos profetas do A.T. chamados, comissionados e capacitados, para uma missão específica, porém, não com tanta eficácia como àqueles. Como já outrora citamos, os profetas do A.T. foram dotados especificamente por Deus, para transmitir uma mensagem soberana, infalível, oral ou escrita, como no caso das Escrituras Sagradas.

O Profeta do N.T – (Ef 4.11) que também possui o dom da profecia (1 Co 12:10; Rm 12:6 conf. At 11:29, 21:10) jamais foram capacitados a transmitir uma mensagem infalível, Inerrante (1 Co 13:8,9). Ou mesmo a capacidade de produzir às Escrituras, isto foi incumbido aos apóstolos de Cristo e unicamente a eles (ver dom ministerial de Apostolo). Por ser um dom inferior, e sujeito a falhas, Paulo exorta seus leitores a examinar tudo (1 Co 14.29; 1 Ts 5.21)

Os Profetas do (N.T). Realizaram tarefas específicas na igreja tais como: Transmitir a mensagem de Deus profeticamente (At 11.29; 21.10), exortar e confirmar os novos convertidos através da revelação bíblica (At 15.32), confirmar por imposição de mãos a chamada específica divina na vida de alguém, (At 13.1), servir em questões materiais como, levar informações dos Apóstolos (At 15.22-23), enfim, eram responsáveis por executar qualquer vontade divina direcionada a igreja que produzisse edificação, exortação, consolação (1 Co 14:3). O dom ministerial de profeta era restrito somente aos homens (Ef 4.11), mas o dom espiritual de profecia (1 Co 12.10, Rm 12.6 ) era para toda igreja, podendo ser tanto homens quanto mulheres (1 Co 11.4-5). Portanto, devemos distinguir o “dom ministerial do espiritual”, parece justo então dizer a luz do contexto bíblico que aqueles profetas, que possuíam o dom ministerial (Ef 4.11) também possuíam o dom espiritual de profecia, (1 Co 12.10), porém nem todos que profetizavam possuíam o dom ministerial, no caso das filhas de Felipe.

Hoje o profeta, no sentido original do termo ainda existe, referem-se aqueles que pregam a palavra sob autoridade do Espírito Santo que é capaz de guiar, fortalecer, edificar a igreja de Cristo (At 15.32). O mau uso do dom de profecia na igreja hoje é preocupante, pois tem causado grandes prejuízos a obra do Senhor; aquilo que deveria produzir edificação, exortação e consolação (1 Co 14:3), está produzindo confusão, duvida e divisão (1 Co 14.40), porém isso não é apenas dos nossos dias, já era realidade na igreja dos Corintos, sendo necessário que Paulo explicasse por escrito, sua real forma de uso na igreja (1 Co 14.26-40).

As regras de Paulo são as regras válidas ainda hoje, pois são as Escrituras Sagradas, nossa maior fonte de diretriz e regra (Rm 15.4, 2 Tm 3.16).

A questão na igreja de Corinto girava em torno principalmente dos dons de línguas e profecia. Paulo afirma que o dom de profecia é um dos melhores. Apesar de sua complexidade, poderá trazer benefícios inestimáveis para a igreja de Cristo (1 Co 14.3). Se verdadeiramente possuímos um dom de profecia, devemos administra-lo visando sempre a promoção do reino de Deus.

4.1.3. Como julgar as profecias

As Escrituras nos exortam a julgar as profecias (1 Co 14.29, 1 Ts 5.21) tal julgamento serve como preventivo, podendo evitar um suposto equívoco ou um deliberado engano do diabo. Devemos distinguir o termo “julgar” que é definido como: avaliação sistemática de um fato com base em princípios pré-estabelecidos, no caso às Escrituras, de “zombar” que é escarnecer (Gl 6.7), não levar a sério, vituperar, não fazer caso. Somos autorizados a “julgar” e não a “desprezar” (1 Ts 5:20). O exame das profecias deve suceder a partir da revelação bíblica, não deve ser usados princípios baseados em opiniões ou qualquer experiência subjetiva, mesmo que sejam concepções generalizadas, pois são todas falíveis. Muitos não julgam as profecias por medo de blasfemar contra o Espírito Santo de Deus, porém, se usamos padrões bíblicos estamos fora de perigo. Afinal de consta, somos exortados pelo próprio Espirito que inspirou a Palavra a fazer tal julgamento.

A luz do contexto geral das Escrituras, existe, três meios legítimo de avaliarmos as profecias:

1º O conhecimento Bíblico (2 Pe 3.18; Os 4.6; 6.3; Ef 4.14), através do conhecimento bíblico podemos estabelecer princípios e padrões para um julgamento seguro e imparcial.

2º Através do dom de discernimento de espíritos (1 Co 12.10, 1 Jo 4:1). (ver dom de discernimento).

3º O Tempo (Dt 18.21-22), este último é o mais simples e também o mais prático de todos estes meios bíblico de avaliação de profecia. Foi usado já no Antigo Testamento, como meio legal e eficaz; este sem dúvida continua ainda sendo o método mais eficaz.

Hoje em dia o artificial é muito parecido com o real, o superficial com o profundo, o falso com o verdadeiro, e às vezes muitos não dispõe de um conhecimento a altura para avaliar tudo isso, e nem se preocupam em buscar tal conhecimento e tal discernimento. Eis a razão das pessoas terem tanta facilidade de acreditar em mentiras.

Contudo, nenhum destes métodos podem funcionar de maneira individual ou isolada, são em sua natureza interdependentes.

4.5. Considerações gerais sobre profecia neotestamentária.

  1. É um dom espiritual (1 Co 12.1)

  2. É também chamado dom da graça, porque é fruto direto da graça divina, e jamais de mérito próprios (Rm 12.6).

  3. Tem como finalidade produzir: edificação, exortação e consolação (1 Co 14.3).

  4. É um dos dons prioritários à igreja do Senhor, (1 Co 4.1).

  5. É sinal para os fieis (1 Co 14.22)

  6. Devem ser postas a prova (1 Co 14.29)

  7. Devem ser ministradas de forma ordenada (1 Co 14.29-31).

  8. É falível, limitada, porque em parte conhecemos, em parte profetizamos (1 Co 13.8).

  9. É temporal “havendo profecias serão aniquiladas” (1 Co 13.8).

4.6. Algumas considerações sobre os Profetas do Novo Testamento.

  1. É alguém com dom ministerial (Ef 4.11) e espiritual (1 Co 12:10-28) de profecia.

  2. Os profetas citados em (At 11: 27-28; 13:1; 15.32; 21.10) sem dúvida, eram homens que possuíam tanto um dom ministerial de profeta como o próprio dom de profecias.

  3. Algumas mulheres, tais como as filhas de Felipe, possuíam o dom de profecia, sem, contudo, possuir um dom ministerial de profeta (At.21:9).

  4. Os profetas eram pessoas cuja missão era exortar e confirmar por meio de várias palavras os que iam se convertendo a Cristo (At 15.3)

5. Dom de Línguas.

Na declaração de fé das Assembleias de Deus no Brasil, o dom de línguas é distinguido do simples falar em línguas como evidência do Batismo no Espírito Santo (At 2.3-4; 10.44-46; 19.5-6). Essa manifestação vem como prova que a pessoa recebeu de fato o Batismo com o Espírito Santo, sem contudo, porém, ser a manifestação do “dom de línguas”. Na doutrina pentecostal muitos que falam em línguas quando batizados no Espírito podem não falar mais. Para que o crente continue a falar em línguas depois do batismo faz-se necessário que ele busque aperfeiçoar seu dom e busque também variedades de línguas (1 Co 12.30), que é o dom espiritual o qual estamos tratando.

Geralmente acredita-se que as línguas estranhas são espontâneas e não aprendidas, seu uso na igreja deve ser ordenado para que seu objetivo não venha perder-se. Paulo faz as seguintes proposições a respeito do dom de línguas:

“o que fala em línguas estranhas não fala aos homens, mas a Deus, pois em espírito fala de mistérios ou por mistérios. (1 Co 14.2)

“O que fala em línguas edifica-se a si mesmo em espírito, pois que no falar em línguas o espírito do crente se une ao Espírito de Deus, produzindo uma edificação interna. (1 Co 14.4, 1 Co 6.17). Não sabemos muito sobre como essa edificação individual é possível quando o crente fala em línguas.

“As línguas estranhas não podem ser excluídas do culto público (1 Co 14.36), No entanto, para que cumpra sua finalidade deve ser seguida de interpretação para que a igreja seja edificada na coletividade e ainda para que os visitantes não crentes ou indoutos não venham escarnecer (1 Co 14.23).

Com base na convicção pentecostal e com base em algumas afirmações bíblicas, podemos, então, concluir que:

  • As línguas podem surgir como evidência do Batismo com o Espírito Santo, como vimos acima.

  • Que as línguas podem ser faladas em um idioma específico existente no mundo ou em vários idiomas ao mesmo tempo como aconteceu no pentecostes (At 2.1-10).

  • Que as línguas podem ser faladas em diversidades de expressões espontâneas, extáticas ou ainda por meio de dons de variedade de línguas em forma de oração e cânticos (1 Co 14.1-5, 1 Co 12.28,30).

6. Dom de interpretação de línguas (1 Co 12:10 b)

O dom de interpretação de línguas é a operação do Espírito que capacita o crente a conceber a mensagem das línguas estranhas de maneira sobrenatural e espontânea sem o uso dos códigos e símbolos da línguas humanas; não é tradução de palavras, pois se assim fosse, qualquer pessoa que se especializasse nesta área poderia ser considerado possuidor do dom.

O dom de interpretação não é tão comum em nossos dias atuais, apesar de ser uma condição necessária para todos os que falam em línguas na Assembleia dos Santos. Os que falam em línguas no culto público devem orar para que possam receber este dom de interpretação 1 Coríntios 14.6. “Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (1 Coríntios 14:28).


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