ESTUDO 01 | INTRODUÇÃO AOS DONS ESPIRITUAIS | SÉRIE - DONS ESPIRITUAIS


INTRODUÇÃO

O termo “dom” (do Latim donu) é substantivo masculino, e significa presente, benção, dádiva; dotes naturais; figurativo: mérito, merecimento; privilégio; poder; faculdade, aptidão[1]. A palavra “dom” é usada em inúmeras passagens tanto do Antigo como do Novo Testamento, com uma diversidade de significados.

A ideia principal implícita no termo é de algo que é dado gratuitamente, ou oferecido espontaneamente. Dependendo do contexto em que aparece a palavra, pode conotar uma significação diferente em relação a outras passagens, mas sempre com ideia de algo recebido imerecidamente.

  • Em passagens do Antigo Testamento como Lv 23.38; Dt 16.17; Nm 18.11; 18.29; o termo dom aparece com o sentido de novidades do campo ou produtos da terra, dentre os quais se tiraria uma parte, que seria oferecida ao Senhor.

  • Em 2º Cr 21.3; 72.10; Ez 20.26,31; Dn 2.6,48; 5.17; aparece com o sentido de presentes, que são oferecidos a outrem.

O termo “dom” pode significar também todas as bênçãos e dádivas recebidas do Senhor, ou o que oferecemos a Ele, os bens financeiros, o direito de gozar das beneses da vida, etc. estas coisas são também chamados, dons (Dt 16.17; Ec 3.13; 5.19).

No Novo Testamento a ideia de “dom” aparece em sentido mais estrito, mas igualmente referindo-se a algo conferido por Deus imerecidamente a um indivíduo, ou indivíduos.

  • As Expressões “dom de Deus”, que aparece em João 4.10, Ef 2.8; “dom pela graça, Rm 5.15”, “dom gratuito, Rm 5.16, 6.23”, “dom da justiça, Rm 5.17”, (dom celestial, Hb 6.4), refere-se ao dom imerecido da salvação, que nos é conferido gratuitamente por Deus por meio da fé em Jesus (Ef 2.8).

  • As expressões (dom do Espírito Santo, At 2.38, 10.45); (dom de Deus, At 8.20); (mesmo dom, At 11.17); (dom de Cristo 4.7); refere-se ao Batismo com (ou no) Espírito Santo, concedidos aos seguidores de Jesus. É também denominado “revestimento de Poder” em Atos 2.8.

No Novo Testamento, sempre quando o termo “dom” é precedido pelo artigo definido “o”, e tem o designativo Deus, ou Espírito Santo, refere-se ou ao dom da salvação, ou ao dom do Batismo com o Espírito Santo, como vimos acima, com exceção de 2 Timóteo 2.6, onde a expressão “o dom de Deus” se refere a um dos dons espirituais.

E se aparece precedido pelos artigos “um, os” refere-se aos vários dons de Deus concedidos a sua Igreja, estes podem ser: “Dons Ministeriais” Ef 4.11, também chamados, dons de Cristo”; Dons de governo (Rm 12.6-8) e os famosos “Dons Espirituais” de (1 Co 12.8-10).

Levando em conta os múltiplos significados do termo, faremos nesse estudo uma abordagem geral dos dons, dividindo-os basicamente em duas classes principais, segundo o conceito mais aceito na atualidade a este respeito:

  • “Dons espirituais”. Esta classe de dons são específicos da Igreja de Cristo Jesus. Esta por sua vez é formada por três subclasses:

A. 1ª Subclasse. “Dons espirituais propriamente ditos”. Esta classe de dons são exclusivos da igreja de Cristo. Estes estão relacionados em 1 Coríntios 12-10.

B. 2ª Subclasse. “Dons ministeriais”. Esta classe de dons também são exclusivos da igreja de Cristo, e mais precisamente aos que Cristo escolheu para tal. Estão relacionados em Efésios 4.11.

C. 3ª Subclasse. “Dons de Governo Prático”. Esta classe de dons também é exclusiva da igreja de Cristo, e mais precisamente aos que Cristo escolheu para tal. Estão relacionados em Romanos 12.6-8.

  • “Dons comuns”. Os dons comuns, como o próprio termo sugere não se limitam a igreja de Cristo. Portanto, se estendem a quaisquer pessoas que manifestam tais aptidões. No consenso mais geral os dons comuns são subdivididos em outras duas subclasses:

  1. Habilidades adquiridas

  2. Habilidades inatas

Deus é a fonte de todos os dons, seja eles “comuns”, ou “espirituais” (Tg 1.17).

RAZÕES PELAS QUAIS DEVEMOS ESTUDAR OS DONS

Sem dúvida, várias razões podem ser apresentadas para o estudo dos dons, no entanto, relacionaremos as principais, segundo a própria perspectiva do Novo Testamento.

  1. Levando em consideração a verdade que todos os dons são conceções de Deus a humanidade (Ef 1.17), devemos estudá-los a fim de conhecermos melhor o caráter de Deus ou sua natureza.

  2. Para conhecermos a maneira como Deus se relaciona com a humanidade, como devemos nos relacionar com Ele, e conhecer a maneira como ele deseja que nós nos relacionemos uns com os outros; em suma, para conhecermos a plenitude dos propósitos de Deus nos indivíduos em particular e no corpo místico de Cristo, sua Igreja.

  3. Para esclarecermos dúvidas sobre o que pode ser atribuição divina e o que não procede Dele.

  4. Para nos ajudar a detectar qual nossa chamada, e que dom de Deus há em nós.

  5. Para conhecermos a eficácia e ineficácia dos dons de Deus no contexto da Igreja.

  6. Para esclarecer diversas dúvidas pertinentes.

  7. Para nos aprimorar no exercício de nosso dom ou dons recebidos.

ENTENDENDO MELHOR OS DONS ESPIRITUAIS

Algumas passagens no Novo Testamento, apresentam-nos claramente diversas razões pelas quais Deus concedeu os dons à sua Igreja.

Efésio 4.12-16. Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

A passagem de Efésios, acima mencionada, nos apresenta as seguintes razões:

  1. O aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério.

  2. Para que cheguemos a:

  • Unidade da fé

  • Conhecimento pleno do Filho de Deus (grifo nosso).

  • Varão perfeito (maturidade cristã).

  • A medida da estatura completa de Cristo.

3. Para que não sejamos mais meninos inconstantes levados em roda por todo vento de doutrina.

4. Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo (v 15).

5. Para nossa edificação em amor (v 16 b).

Em resumo, os dons foram concedidos para mútua edificação da Igreja de Cristo. Essa mesma verdade é ratificada por Paulo também em (Romanos 12.6-10). E em 1ª Coríntios 12.7, “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. Isso é, de maneira que venha promover o bem comum de todo o corpo de Cristo, a Igreja.

Portanto, os dons foram concedidos a Igreja para promover a glória de Cristo, e não a glória pessoal de cada crente.

Na perspectiva neotestamentária é expressamente proibido usar os talentos que Deus nos concedeu para fins egoístas, e os que assim procedem serão por Ele julgados (1 Co 10.31; cf. Mt 25.24-26).

Resumindo, tanto a falta dos dons, como seu mau uso, pode levar uma igreja ao fracasso. Imagine uma igreja sem unidade? Uma igreja sem o perfeito conhecimento de Cristo, ou uma igreja sem maturidade espiritual? É desastroso, não é?

No transcorrer das poucas páginas desta apostila apresentaremos uma síntese a respeito dos dons espirituais, que com certeza há de nos auxiliar, na compreensão e administração dos mesmos no contexto igreja de Cristo. Vamos lá.

ENTENDENDO MELHOR OS DONS COMUNS

São aptidões, talentos, dotes, habilidades inatas ou adquiridas, provisões pessoais, tais como; vestes, calçados, saúde, prosperidade financeira, emprego, fama e sucesso, etc. e até mesmo resposta a alguma petição feita a Deus. Coisas semelhantes são chamadas dons, por Salomão em (Ec 3: 13; 5.19). Estas e outras coisas, Deus pode fazer ou conceder aos homens, mesmo que não aprove suas ações ou mesmo que não sejam seus filhos por crer e aceitar a Jesus (Jo 3.3,5).

O consenso moderno é que os dons comuns são divididos em “naturais” e “habilidades adquiridas”.

Os dons naturais, são aqueles dons que nos são concedidos por Deus, no nosso nascimento. Estes são parte intrínseca de nossa constituição, ou personalidade, são as nossas tendências ou inclinações naturais. Cada indivíduo, por exemplo, possui certo gral de inteligência, e isso pode ser considerado um dom natural. Outro exemplo é nossa saúde. Alguns possuem uma saúde de ferro como afirmamos comumente, outras pessoas possuem uma saúde menos vigorosa, mas igualmente a possuem em certo grau. As pessoas com saúde mais debilitada, não podem ser consideradas menos favorecidas, ou menos abençoadas por Deus, elas podem ser, na verdade até mais abençoadas.

Outro exemplo de dom natural são as muitas habilidades notadas na vida de muitas pessoas, na área musical, mecânicas, facilidade em aprender outras línguas ou idiomas, e muitos outros.

Os dons ou as habilidades desenvolvidas, são dons que desenvolvemos no transcorrer de nossas vidas. São quase idênticos aos primeiros, e podem ser facilmente confundidos com aqueles. Às vezes é difícil determinar, se uma determinada aptidão é inato, ou se simplesmente a desenvolvemos em determinada fase da vida.

[1] Fonte: yahooperguntas


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