OS DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ

Atualizado: Abr 13


Conteúdo extraído do Livro "Os desafios da Liderança Cristã" de autoria do Pastor Marciel A. Delfino.

Os desafios da liderança Cristã

INTRODUÇÃO


Líder cristão não é somente o titular do ofício pastoral. Àqueles que presidem departamentos, líderes de senhoras, senhores, jovens, adolescentes, missões, evangelismo, crianças, escola dominical, etc. também são líderes. A liderança cristã pode ser abrangente, isso é, envolvendo todos ou vários grupos da igreja, ou ser mais restrita, um departamento, uma área, ou uma classe específica. Essa regra também se aplica aos líderes dos subdepartamentos da obra de Deus.

Em todos os casos, a liderança cristã é sempre uma tarefa árdua, que exige muito esmero, abnegação e amor. O fator da responsabilidade e da obrigação não serão suficientes para garantir o sucesso de nossa missão. A liderança cristã deve ser encarada como uma obra espiritual, e, portanto, exige recursos que vão além dos talentos e aptidões humanos.

Jesus Cristo é o nosso maior exemplo de liderança. Outras grandes personagens bíblicas nos deixaram também o exemplo de uma liderança promissora, como Moisés, Josué, Davi, Débora, Jefté e muitos outros.



O que é Liderança Cristã

A liderança cristã é, na prática, um pouco de tudo. Liderar é vocação, prática, técnica, arte. É uma mistura de uma diversidade de fatores.

A liderança cristã depende de vários fatores, mas acredito que quatro são fundamentais. Alguns destes fatores são obras de Deus na vida do crente, como por exemplo a vocação e o espírito abnegado, outros são resultados da prática cristã, como no caso do comprometimento, por último vem o planejamento que é uma espécie de gestão do tempo.

  • Chamado ou vocação

O chamado divino é o fator mais importante na liderança cristã (At 9.15,16). Quando o chamado de Deus é evidenciado em nossas vidas, conseguimos enxergar além das limitações humanas, além da ótica natural das coisas. Começamos a ver as coisas pela perspectiva divina e não somente pela visão humana limitada. O líder deve sempre ter visão mais nítida, ampla e longínqua. Esta capacidade nos é concedido pelo Espirito Santo que nos capacita para o cumprimento de nossa missão. O chamado nos fará enxergar mais longe, mas também nos fará compreender e aceitar a liderança como uma missão honrosa outorgada por Deus, que ao ser completada será bem recompensada (1 Co 15.58)

  • Renúncia, Abnegação

Abnegação é quando abrimos mão de nossos interesses para atender aos interesses alheios. Nesse caso os interesses de Deus e os interesses de nossos liderados.

Jesus é o maior exemplo de abnegação, pois aceitou morrer pelos pecados da humanidade simplesmente por amor, sem esperar nada em troca (Fl 2.5-8). Este é o verdadeiro sentido da abnegação e o verdadeiro espirito da liderança.

Este espírito abnegado é obra do Espírito Santo na vida daqueles que são chamados para a liderança cristã “...porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5:5).

  • Comprometimento


Comprometimento é mais que simplesmente compromisso, mas envolvimento pleno. O fator do compromisso e da responsabilidade não é capaz de definir todo o sucesso de nossa liderança, mas nosso grau de envolvimento, sim.

  • Planejamento

Um bom planejamento é uma arma poderosa capaz de produzir grandes resultados. O líder deve preocupar-se com os resultados.

“Planejar é criar um plano para otimizar o alcance de um determinado objetivo. Esta palavra pode abranger muitas áreas diferentes. O planejamento consiste em uma importante tarefa de gestão e administração, que está relacionada com a preparação, organização e estruturação de um determinado objetivo. É essencial na tomada de decisões e execução dessas mesmas tarefas. Posteriormente, o planejamento também a confirmação se as decisões tomadas foram acertadas (feedback). Um indivíduo que utiliza o planejamento como uma ferramenta no seu trabalho demonstra um interesse em prever e organizar ações e processos que vão acontecer no futuro, aumentando a sua racionalidade e eficácia[1].

O planejamento é uma espécie de gestão do tempo. As nossas prioridades são muitas, o que torna muitas, também, às nossas atividades. Por outro lado, o tempo é bem curto, mas é suficiente o bastante para trabalharmos nossas prioridades, e obtermos excelentes resultados. Mas para isso é necessário que tenhamos um bom planejamento.

Acredito eu que o propósito de um planejamento é realizar mais, em menos tempo e com maior qualidade.



Os desafios da liderança cristã

Ser um líder cristão não é uma tarefa muito simples. Exige muito daquele que postula essa missão.

Quase todas as pessoas acham que possuem aptidões de liderança, e que têm potencial para isso, mas na prática a maioria falha nos pontos mais essenciais.

Isso acontece pelo fato de que nem todos possuem os requisitos básicos para ser um líder cristão. Mas a questão da seleção não pode seguir os critérios meramente formais. Pessoas pouco produtivas e pouco talentosas, podem se superar e tornar-se grandes líderes, enquanto, por outro lado àqueles que demostram certa aptidão pode nos decepcionar.

Um exemplo disso são os apóstolos de Jesus, Tiago e João. O apelido deles eram “Boanerges”, isso é, filhos do trovão (Mt 3.17). Esse apelido lhes foram dados por causa de seu temperamento explosivo, mas depois de passarem pela escola de Cristo, tornaram-se grandes líderes. João inclusive é conhecido como o apóstolo do amor. O homem do temperamento explosivo tornou-se um homem amoroso e manso.

O segredo da liderança nem sempre se encontra no quesito “querer”, “poder”, “talento”, mas no quesito “vocação, dedicação”. Quando falo de vocação não me refiro apenas ao dom ou tendência inata, mas ao chamado divino. Apesar de que a vocação não seja o fator único e definitivo, deve ser considerado como o princípio fundamental da liderança. Toda a estrutura de uma liderança cristã eficiente, se constrói a partir desse fundamento.

O líder cristão, um crente multifuncional

Como já enfatizamos, Jesus Cristo é nosso maior exemplo de liderança cristã eficaz. E baseado no exemplo de Cristo observamos que a liderança cristã é uma atividade que concentra em si diversas outras funções. O líder cristão é uma espécie de crente multifuncional.

  • O líder cristão é um guia espiritual. O líder cristão é um líder espiritual, por esse motivo deve estar habilitado para exercer em certo sentido o ministério de apascentar. Todo pastor é um líder espiritual, mas nem todo líder é um pastor. Não somos líderes somente quando somos revestidos de liderança. O líder promissor age como líder, mesmo sem assumir função de liderança. Da mesma forma o líder cristão, mesmo não exercendo o ministério pastoral precisará agir como tal em diversas circunstâncias.

  • O líder cristão é um mestre ou instrutor. Um mestre é um ensinador por excelência, o instrutor repassa instruções. Ninguém, contudo, pode ensinar ou instruir sem ter antes aprendido. O líder cristão deve procurar atender esse aspecto de sua missão. Líderes chamados tem grande chance de serem eficazes, líderes preparadas tem todas as chances de serem eficazes.

A liderança cristã é um convite para um mergulho profundo no oceano da ciência e sabedoria de Deus, bem como do conhecimento de todas as necessidades humanas. O líder eficiente é um líder preparado e um líder preparado é sempre os mais informados.

  • É um amigo em particular. Um amigo é alguém que podemos contar sempre independentemente das circunstâncias e ocasiões. O modelo de amigo, que vemos na pessoa de Cristo, é o modelo de amigo, que devemos ser para os nossos liderados. O amigo ama incondicionalmente, perdoa, compreende, auxilia, mas, também é sincero ao apontar os nossos erros.

  • É conselheiro, consolador, confortador. O Espírito Santo é o Supremo Conselheiro, Consolador, Confortador (Jo 14.16; 2 Co 1.3,4). Esse exemplo tríplice que vemos na pessoa do Espírito Santo, deve ser copiado pelo líder cristão. O líder deve ser capaz de se superar a cada dia e estar pronto a cumprir este aspecto de sua missão prontamente.

  • É pacificador. O líder cristão deve ser capaz de resolver os conflitos internos do grupo, sem prejuízos ou percas significantes. Para isso, o líder deve contar com a orientação do Espírito Santo. O perdão, o amor apaga qualquer indício de litígio. O líder deve incentivar os seus liderados ao exercício da fraternidade, perdão e o amor mútuos, “Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados” (1 Pedro 4:8).

  • É um perito motivacional. Motivar é o principal desafio da liderança. Os membros de uma equipe são seres humanos comuns como qualquer outro. O fato de lideramos um grupo de pessoas que professam a fé cristã, não significa que são perfeitos. Todos temos os nossos problemas e dificuldades, bem como nossas necessidades peculiares. O líder cristão deve ser sábio o suficiente para lidar com os seus próprios problemas, e estar sempre pronto a ajudar os seus liderados a superar os seus, incentivando os a permanecer firmes lutando pela mesma causa primária.

  • É um psicólogo. A psicologia se ocupa em estudar o comportamento humano. O estado psicológico das pessoas pode influenciar as suas ações e comportamentos. Entender o comportamento das pessoas e as supostas causas pode ser uma ferramenta eficiente na tarefa de auxiliar nossos liderados a compreender e resolver os seus conflitos internos. Depois de conhecer as causas, é mais fácil diagnosticar o problema. Não estou dizendo que o líder cristão substitui o profissional da área, o psicólogo, mas que podemos auxiliar nossos liderados em diversas situações particulares. O líder, como dissemos é um amigo em particular. Bons líderes criam bons vínculos de amizades com os seus liderados, e isso é um fator importantíssimo para que se possa conquistar a confiança do grupo. Ninguém vai se abrir com uma pessoa que não confia, ou que não tem intimidade. Portanto, antes de tudo é necessário criar vínculo com a nossa equipe. Depois tudo fica mais fácil. A maioria dos problemas humanos possuem causas naturais comuns. Basta uma boa conversa, comparando as experiências vividas ou contempladas, informações adquiridas, que encontramos um caminho para resolver a maioria dos conflitos que passamos. Lembre-se, o Espírito Santo sempre nos auxiliará nessa tarefa. Jesus compreendia bem os seus liderados, e conhecia bem a causa de seus problemas, por isso sua liderança se destaca como a mais excelente, eficiente e eficaz.

  • É um administrador. No contexto eclesiástico moderno a “Liderança Cristã” é uma área estudada à parte da “Administração Eclesiástica”. Apesar de parecer ser a mesma coisa, na prática são áreas diferentes. Liderança lida com recursos humanos “pessoas”, administração lida com “coisas”, tudo visando o crescimento e estabilização de uma entidade ou instituição. Mas, de qualquer forma estão entrelaçadas. Um bom líder sempre será também um bom administrador e vice-versa. Não significa que todo líder é administrador ou que um administrador é um líder, mas o “bom” sempre será.

  • Um mestre da persuasão. Persuadir é instigar, convencer do contraditório. Sempre envolve uma crença ou convicção, pois persuadir é convencer nosso oponente que nossa ideia é a melhor opção. Essa é uma ferramenta poderosa da liderança. Bons líderes são sempre persuasivos, convincentes. O proposito principal da liderança é preparar nossos liderados para o trabalho em equipe. A união faz a força, portanto, o principal alvo da liderança é trabalhar a equipe de tal forma a possibilitar o trabalho em grupo, para que se alcance os objetivos esperados. Nesse desafio, a persuasão é a ferramenta ideal. Paulo escrevendo a Tito exorta: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9). Sempre haverá aqueles que discordam, isso é normal, mas o bom líder é capaz de convencer o contradizente sempre visando o bem individual e coletivo, e acima de tudo o bem da obra de Deus. O Espirito Santo exerce o papel de persuasão na vida dos pecadores, “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (João 16:7,8). O poder de influência é uma marca de uma boa liderança, seja em qual âmbito for.



A relação líder/liderado

Liderança é interação. Interação é ação recíproca, mútua, e isso fala, principalmente de relacionamento. O resultado da liderança depende em grande parte do fator líder/liderado.

Os que aspiram a liderança cristã devem manifestar algumas características que permitem uma boa relação com os seus liderados. Sem essas disposições básicas, ou pela menos boa parte delas, não pode haver a mínima possibilidade de resultados positivos.

Como já dissemos, o líder não deve preocupar-se em apenas ser líder, mas em alcançar bons resultados. Uma liderança sem resultados positivos não é liderança, é desperdício de tempo, e desgaste inútil. O líder eficaz cultiva um bom relacionamento com a sua equipe, individualmente e coletivamente e procura, à medida do possível solidificar e estreitar esse relacionamento a cada dia. Nada pode ser perfeito enquanto houver possibilidade de melhoras. Isso também se aplica ao nosso trato com os membros de nossa equipe.

1. Empatia

Segundo o site www.significados.com.br, Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo - amor e interesse pelo próximo - e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais.

A empatia é uma qualidade necessária para um bom relacionamento interpessoal.

A palavra “compaixão” é um sinônimo de “empatia”. Jesus tinha muito empatia e compaixão pelo próximo (Mt 14.14; Lc 7.13; Mc 8.2). Não podemos compreender as pessoas sem antes nos colocarmos no lugar delas. E não podemos aceitar as pessoas sem antes compreendê-las. Sentir-se aceito é um fator importante para qualquer espécie de relacionamento.

Cada indivíduo possui suas necessidades e características próprias. A não compreensão dos indivíduos e a não aceitação dos mesmos é um grave empecilho para o bom relacionamento interpessoal.

2. Capacidade de ouvir

Falar em público é um grande desafio, mas ouvir corretamente também o é. Tiago recomenda os seus leitores: “...todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1.19).

Se falar em público é um desafio para o homem moderno, aprender a ouvir também o é, e muito mais. A maioria das pessoas são sabem ouvir. O bom líder é sempre prestativo, atencioso. Uma coisa que faz qualquer pessoa se sentir menosprezada é quando não se tem a atenção necessária. Sentir-se valorizado é um fator importante no relacionamento interpessoal. Ouvir o que as pessoas têm a dizer é um passo muito importante para conhecê-las. As palavras revelam muito de nós.

Jesus, certa feita passou um logo período de tempo dialogando com uma mulher estrangeira (Jo 4.7-40). O diálogo, como o próprio termo sugere é um intercâmbio de conversas.

3. Capacidade de Comunicação

Não pode haver uma boa conexão no relacionamento líder/liderado sem haver uma boa comunicação. Comunicar é "partilhar, participar algo, tornar comum". O líder deve desenvolver uma boa capacidade de comunicação. A linguagem é o veículo mais poderoso no processo de comunicação, mas o corpo também possui linguagem própria. Nossa feição, gesticulação, atitudes, revelam muito daquilo que há dentro de nós. Portanto, devemos ser coerentes no uso de nossas palavras, e linguagem corporal.

Ter boas ideias não tem nenhuma serventia se não conseguimos transmiti-las para o grupo. Uma boa comunicação sempre envolve um vocabulário simples, sadio e sincero. Nada de vícios de linguagem como gírias, hipérboles, frases com duplos sentidos, eufemismos, ironias, indiretas, etc. Isso não significa que não podemos explorar as figuras de linguagem e os recursos da língua portuguesa, mas sermos sábios para filtrarmos o nosso vocabulário, dosando igualmente os nossos gestos para termos uma linguagem corporal confiante. “O homem se alegra em responder bem, e quão boa é a palavra dita a seu tempo” (Pv 15.23). As palavras dos nossos lábios não podem ser incoerentes com linguagem do nosso corpo e vice-versa.

4. Ser temperante

A temperança é uma das virtudes mais relevantes da fé cristã. Em Gálatas 5.22 a temperança é descrita como um dos elementos do fruto do Espírito Santo. O crente deve cultivar essa virtude em parceria com o Espírito Santo. Ser temperante significa ser equilibrado, ter domínio próprio. O homem temperante é uma pessoa dosada.

5. Capacidade de organizar equipes e incentivar o trabalho em equipe.


Liderar é trabalhar em equipe. O líder tem a responsabilidade de criar, estruturar e incentivar o trabalho em equipe, treinando os seus membros para a realização das múltiplas tarefas, sempre em perfeita harmonia com os interesses comuns do grupo. Não é um trabalho fácil, exige o máximo de dedicação e sacrifício. Sua equipe será um reflexo de sua liderança. Líderes eficazes procuram sempre se superar a cada dia, aumentando assim seu poder de alcance. Bem, como, se esmera por preparar ao máximo cada membro de sua equipe para que tenha a capacidade de desempenharem suas tarefas com eficiência. Quando uma equipe trabalha em perfeita harmonia e equilíbrio, os resultados são sempre positivos.

O líder deve respeitar as peculiaridades de cada membro do grupo e usar essa diversidade para enriquecer a equipe. Cada membro tem o seu talento, e isso é importante, e os membros juntos formam a equipe. A diversidade de talentos possibilita um maior poder de alcance e de conquista para o grupo. Mas é necessário que cada fator esteja operando no seu devido lugar.

A equipe principal de Jesus era formada por 12 pessoas, os doze apóstolos. Eram pessoas de personalidades diferentes, e em alguns casos opostos, contudo o Senhor Jesus soube distribuir as responsabilidades de acordo com o perfil de cada um. A responsabilidade de um membro na equipe deve valorizar o seu potencial, isso funcionara como um incentivo para ele. Um líder é um descobridor de talentos, e um hábil explorador para usar esses talentos para fortalecer o grupo e ampliar o poder de alcance de sua equipe. Em outras palavras um líder não conferi talentos, ele explora talentos, e usa o potencial de cada membro do grupo para fortalecer a equipe e ampliar o poder de alcance da mesma, bem como o seu próprio poder de conquista. Um líder não confere talentos, mas oportunidades, para que os membros do grupo desenvolvam suas habilidades.

O potencial do líder cristão

Potencial é o nosso poder de alcance, a capacidade máxima que dispomos. Quanto maior o poder de alcance do líder, maior seu poder de conquista. Lembre-se, uma equipe sempre reflete sua liderança. Uma equipe jamais crescerá além de sua liderança.

No âmbito natural, nosso poder de alcance como líder cristão, está intimamente ligado à nossa capacidade de gestão de pessoas, a maneira como lidamos com os problemas, e a maneira como encaramos a nós mesmos.

Um líder cristão não é um super-herói e nem um super-crente. Jamais deve pensar isso de si mesmo, e nem tampouco transmitir essa imagem para os seus liderados. O líder cristão é uma pessoa comum como qualquer outra, que possui suas qualidades, mas também possui suas limitações. O líder deve trabalhar o seu potencial a fim de ampliar os seus horizontes, bem como o seu poder de alcance, mas deve também ser sincero para reconhecer seus fracassos e suas limitações. Algumas experiências da vida nos promovem, outras no mínimo nos ensina. Quando somos sinceros conosco mesmo, reconhecendo nossas limitações, estamos dando um passo certo para expandir nosso potencial.

Jesus não teve nenhum ressentimento em confessar suas fraquezas diante dos seus discípulos, e de reconhecer a carência de seu companheirismo. “E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se. E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai” (Marcos 14:33,34). Reconhecer nossas fraquezas diante de nossos liderados não fragiliza nossa liderança como muitos pensam, antes, pelo contrário, nos permiti identificamos melhor com nosso grupo e estabelecermos afinidades maiores.

O líder é um espelho para o seu grupo. E deve procurar ser na prática um exemplo de superação. A mudança que o líder deseja ver em sua equipe, deve estar refletida em seu exemplo de vida.

O líder deve reconhecer e aceitar que há uma possibilidade de fracasso, e ao mesmo tempo ter plena ciência que é possível dar a volta por cima e superar os obstáculos do dia a dia.

A falta potencial do líder

O líder deve se superar a cada dia, aproveitando ao máximo o tempo e às oportunidades. A vida nos oferta muitas oportunidades, e devemos estar atentos àquelas que são mais relevantes para a promoção do nosso crescimento espiritual e de gestão. Ninguém nasce com potencialidade plena para a liderança, esta capacidade se adquire ao longo de nossa experiência.

Valores são sempre mais importantes que coisas, e ser é sempre mais importante que ter.

Várias qualidades negativas podem dificultar o crescimento e o desenvolvimento do líder cristão:

  • Conformismo, comodismo

Nem sempre estamos dispostos a enfrentar os desafios impostos pelo exercício da liderança cristã. Quando isso ocorre o conformismo torna-se uma opção de escape. Se tudo está bem do jeito que está, para quê fazer mudanças. Isso é o que uma mente conformada sempre diz. Na verdade, as coisas não estão indo bem, mas a mente conformada prefere fazer vistas grossas à realidade.

O ser humano não gosta muito de mudanças, ainda mais quando se trata de pagar um certo preço por elas. Toda ação produz uma reação. Fazer mudanças abre caminho para diversas possibilidades, e o líder conformado não está disposto a correr tal risco. Apesar de ser muito bom deixar as coisas bem quietinhas, evitando desgastes, é necessário fazermos algumas mudanças de vez em quando. Às vezes é necessário mudar a posição dos membros da equipe, ou ainda substituir aqueles menos produtivos. Se a questão é falta de incentivo, o líder deve suprir essa necessidade, mas se a questão é descompromisso, é necessário fazer mudanças. Se as coisas não estão funcionando como devido, pode tratar-se de um momento propício para fazer algumas mudanças.

Nem sempre, no entanto, o problema não está na equipe. Ás vezes a falta de resultados positivos se encontra no método. Se este for o caso, este é um bom momento para mudar a estratégia de trabalho.

  • O sentimento de mesmice

Há líderes que caem no comodismo, outros na verdade possuem um espirito de mesmice. Isso é, acham a monotonia algo plenamente normal. São inimigos da inovação. Não estão dispostos a mudar porque acham normal a passividade. Essa é a pior qualidade de liderança, se é que isso pode ser chamado de liderança. Podemos achar esse posicionamento meio estranho, mas nossas igrejas atuais estão repletas de pessoas assim. Para eles, (como diz o ditado vulgar) “tanto faz ser seis como meia dúzia”. Geralmente são líderes sem iniciativa ou atitude, não possui objetivos bem definidos, e por esse motivo não são capazes de estabelecer metas eficazes. Essa espécie de liderança, tende a perder a sua autoridade e consequentemente sua influência no grupo o que pode ser interpretado pelo líder como rejeição, o que os motivam a abandonar sua função.

  • O sentimento de autossuficiência

Vivemos a era daquilo que eu chamo de “síndrome da autossuficiência”. O sentimento de Autossuficiência é quando a pessoa desmerece tudo o que vem de outro. Não se acha dependente de ninguém a não ser dele mesmo. Somente ele tem a melhor ideia, somente ele sabe fazer direito e assim vai. Geralmente o sentimento de autossuficiência vem acompanhado do egoísmo e egocentrismo, bem como, de uma liderança autoritária. Para essas pessoas a opinião dos outros não tem nenhum valor, e uma suposta opinião contrária é interpretada imediatamente como uma grave afronta.

Paulo exorta os filipenses: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3). Este é o verdadeiro sentimento que deve nortear a liderança cristã. O líder não somente deve se abrir para novas ideias, como também incentivar os membros da equipe a participar ativamente dos debates para formulação da estratégia a ser adotada pela equipe.

Uma liderança manchada pelo sentimento de autossuficiência, constitui um veneno mortífero, que mata e sufoca a criatividade do grupo. Sem a liberdade de expressão, as pessoas reprimem sua criatividade, o que incorrerá em falta de potencial. Isso, sem dúvida, comprometerá os resultados.

  • Falta de entusiasmo no exercício da liderança

Uma equipe sem entusiasmo é um grande desafio para o líder. Um líder sem entusiasmo é uma causa perdida. Sem dúvida, o barco naufragará. A principal causa do desinteresse dos líderes cristãos na atualizada é ocasionado pelo desvio de foco. Em outras palavras a falta de conexão com aquilo que foi designado a fazer. Se perdemos de vista o alvo principal como líderes espirituais, simplesmente não temos o porquê manter de pé as metas primárias. E se por algum motivo as mantemos, não temos qualquer interesse por elas. Daí onde surge a falta de entusiasmo e de empolgação.

O líder cristão é ao mesmo tempo um líder espiritual. Isso fala de uma certa disposição de equilíbrio entre vida física e espiritual. Nunca devemos supervalorizar uma, em detrimento da outra. Equilíbrio é o segredo.

  • Falta de criatividade

Ser criativo é ser inovador, contemplador de novas oportunidades e novos horizontes. É desenvolver métodos próprios ou adaptar outros à sua realidade e necessidade.

A criatividade evita o comodismo, a mesmice e a rotina prejudicial. O líder precisa se empenhar para desenvolver uma rotina saudável em seus liderados, mas deve evitar uma rotina desnecessária. Rotina sempre lembra hábitos. Os hábitos criam a rotina e vice-versa. Para evitar uma rotina desnecessária é preciso trabalhar os maus hábitos e desenvolver hábitos saudáveis. A criatividade agirá como um equilíbrio para os dois extremos.

Líderes criativos geralmente são líderes dinâmicos, carismáticos. Essas duas qualidades são sempre imprescindíveis.

  • Inflexibilidade

Inflexibilidade é a qualidade daquilo que não se dobra, que não cede de forma alguma. Líderes inflexíveis são propensos a fracassar em pequeno e médio prazo. Isso porque se desgastam muito por bem pouco resultado. Isso se dá pelo fato de não se adaptarem à novas realidades e circunstâncias, se abrirem para novas oportunidades, objetivos e metas.

Líderes inflexíveis tendem a ser mais autoritários e excessivamente dogmáticos.

Um líder deve ser meio sistemático, mas sempre com moderação, dever ser dogmático, mas ao mesmo tempo bem flexível, deve ser um cumpridor de regras, e incentivar a equipe a cumprir o protocolo, mas somente até onde os resultados estejam fluindo como esperado. Se não há resultados positivos é hora de mudar o procedimento, a estratégia, as metas. O que jamais pode mudar é o foco do líder. Um líder que muda facilmente de foco perde, com a mesma facilidade a confiança e credibilidade de sua equipe. Ninguém segue um líder que não sabe ao certo para onde vai ou que facilmente muda de direção. Podemos mudar a rota, mas nunca o destino; podemos mudar o caminho, mas nunca o alvo; podemos mudar as metas, mas nunca os objetivos; podemos ser flexíveis quando ao procedimento, mas nunca quanto aos resultados.

O líder cristão deve usar todos os recursos que estão a sua disposição para que possa crescer sempre, e para que tenha sempre o que ofertar aos seus liderados. Esta disposição agirá como uma forma de prevenção contra todos os elementos citados acima, que são potencialmente destrutivos. Um bom exemplo de recursos é resgatando alguns bons hábitos na vida, como; ler, ouvir, dialogar com Deus e com os amigos, refletir, pensar, interagir.

O planejamento

Já abordamos sucintamente este tema anteriormente, agora iremos estudar mais detalhadamente o tema. Planejar é o primeiro passo para se ter um bom resultado.

A primeira questão que vem a nossa mente é: mas, como elaborar um planejamento?

Como já mencionamos, o propósito do planejamento é fazer mais, em menos tempo, e com maior qualidade. Nunca podemos fazer tudo, e nem podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Para isso surge a necessidade da elaboração de um planejamento. Ele funcionará como um mapa do tempo, que indicará o momento e maneira estabelecida previamente para a realização de certas atividades. Ele indicará nossos objetivos e às metas usadas para alcançá-los.

Para formularmos um planejamento não é necessário sermos um Expert no assunto. Basta seguirmos algumas etapas simples.

1º - definir um projeto de vida.

Todo líder tem uma causa pela qual deve lutar. A causa do líder cristão é a promoção do Reino de Deus. Tudo o que eu realizar como líder, ou todos os esforços que eu empregar terá como intenção primária a Promoção do Reino de Deus.

“E tudo quanto fizerdes, seja por meio de palavras ou ações, fazei em o Nome do Senhor Jesus, oferecendo por intermédio dele graças a Deus Pai” (Cl 3.17). Se o líder cristão não tem o Reino de Deus como um projeto de vida, não está habilidade para essa missão. Um projeto de vida é mais que simplesmente um projeto ou uns objetivos. Podemos ter vários projetos e objetivos como líderes, mas uma única causa maior, promover o Reino de Deus. Os objetivos definirão quais serão nossos esforços, a causa definirá se os nossos esforços valeram a pena.

2º - definir prioridades.

A liderança é um grande desafio. O tempo é limitado, os desafios são grandes, portanto, dentre as tantas possibilidades precisamos determinar aquilo que realmente é relevante. Não podemos perder tempo com aquilo que traz poucos ou nenhum resultado. Não temos todo tempo, e temos uma missão a cumprir.

Jesus definiu bem suas prioridades: “Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (João 4:32-34). Para Jesus cumprir a vontade de Deus era mais relevante que alimentar-se.

3º - definir objetivos sólidos. Os objetivos devem ser definidos de acordo com as prioridades. Podemos definir objetivos a curto, médio e longo prazo. Os objetivos mudam, como também mudam as prioridades, isso vai depender de onde estamos no cumprimento de nossa missão, mas nosso projeto de vida é invariável.

O planejamento tem como proposito possibilitar o alcance de nossos objetivos.

4º - definir metas

As metas são distintas dos objetivos. Os objetivos é a causa, enquanto as metas são o efeito. As metas são os meios que iremos usar para alcançar nossos objetivos.

Tais metas devem ser discutidas e definidas em grupo para facilitar o envolvimento da equipe. Se as metas são estabelecidas em equipe, economizamos o tempo de explicar os detalhes ou o procedimento individualmente. A meta tem um papel importante no alcance dos objetivos. Elas funcionam como um caminho, e ao mesmo tempo como um incentivo para o grupo.

5º - Avaliar os resultados.


Avaliar os resultados é uma parte importante do planejamento. Isso nos permite ver de perto nos erros e acertos.

Os resultados finais mostrarão a eficácia dos nossos esforços, se nos saímos bem, razoável, péssimos. A partir de nossas conclusões finais, podemos estabelecer um novo desafio, com grandes caches de acertos. Jamais podemos ignorar essa etapa tão importante.

[1] https://www.significados.com.br/planejamento/


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