A INTEGRIDADE DO HOMEM CHAMADO JÓ


INTRODUÇÃO

Jó foi um dos poucos homens na Bíblia a quem o próprio Deus elogiou. Receber um elogio de alguém por algo positivo que fazemos pode não ser tão difícil, mas receber um elogio do próprio Deus não é tão comum. Apenas alguns poucos homens nas Escrituras tiveram este privilégio, Abraão a quem Deus chama de “meu amigo” (Is 41.8), Davi, “o homem segundo o meu coração” (At 13.22), Moisés, a quem Deus chama de meu servo inúmeras vezes (Nm 12.7), Calebe, a quem Deus também elogia (Nm 14.24), e poucos outros.

Estes homens, eram homens comuns como qualquer outro homem, mas fizeram a diferença em sua geração e conquistaram o coração de Deus. Conquistar o coração de Deus significa conquistar sua atenção, o que incorrerá na benção plena do Senhor (1.10).

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1. Satanás observa Jó

A justiça de um homem justo cativa o coração de Deus e chama a sua atenção, mas, também, é capaz de chamar a atenção do inferno.

Satanás, o agente principal do mau, se apresenta pessoalmente em pouquíssimos casos na Bíblia. Ele se apresenta apenas em eventos importantes como no caso de Jó (1.6-12; 2.1-7), na tentação de Jesus (Mt 4.1-4), Zacarias, o sumo sacerdote (Zc 3.1), e outros poucos casos. Os muitos casos bíblicos de manifestações malignas são manifestação dos agentes de satanás, ou de sua influência. Satanás só se manifesta pessoalmente quando a causa, de fato está a sua altura. Ele é o príncipe dos demônios (Mt 9.34), príncipe deste mundo (Jo 12.31); 14;30; 16.11), o príncipe das potestades do ar (Ef 2.2). Ele tem ao seu serviço uma legião de espíritos malignos, que atuam sob suas ordens, promovendo todo tipo de males no mundo.

O homem chamado Jó, era uma causa que merecia a atenção de Satanás. Jó chamou a atenção do diabo por causa de sua integridade incondicional. O crente que conquista a atenção de Deus deve saber que terá também a atenção de Satanás (1 Pd 5.8).

  • Jó era um homem rico (Jó 1.3), o mais rico de todo oriente, tinha a seu serviço inúmeros servidores, mais sua confiança não estava nas suas riquezas, e nem em seu poder diante dos homens, mas no Senhor.

  • Jó era um pai de família, amava sua esposa e filhos, mas seu maior amor era o Deus altíssimo (Jó 1.5).

  • Jó tinha uma saúde aguçada, mas sua confiança não estava em suas próprias forças, mas em Deus.

  • Jó era um homem de prestígio social, era reverenciado por todos, até mesmo as crianças o reverenciava, contudo, sua maior satisfação era ser um servo de Deus.

  • Jó possuía muitos amigos, homens sábios e inteligentes, mas sua maior companhia era o Todo-Poderoso.

Ao deparar-se com este homem chamado Jó, satanás ficou perplexo. Começou a observa-lo em seu cotidiano, na maneira como ele lidava com seus bens, servos, família e amigos. O inimigo não encontrou nenhuma falta nele e isso lhe deixou estarrecido. Quem sabe tentou induzir Jó as pecar contra Deus usando circunstâncias do seu cotidiano, mas todo esforço foi em vão, Jó era irrepreensível.

O inimigo resolve, então ir a presença do Próprio Deus (v 6-8). Não era um lugar que ele gostava de ir, ou onde ele fosse bem-vindo, mas a integridade daquele homem o havia incomodado.

Na primeira visita ao céu satanás é interrogado com essas palavras de Deus:

“Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal” (1.8).

Por ter observado Jó há algum tempo, Satanás já havia concluído que ele era um homem justo, mas agora ele estava ouvindo da boca do Próprio Deus o que Ele pensava sobre Jó.

Jó é uma das poucas pessoas na Bíblia a quem Deus mesmo elogia.

Deus mesmo afirma de Jó que ele era um homem:

  • Sincero. Íntegro, completo

  • Reto. Perfeito

  • Temente a Deus. Alguém que reverencia a Deus acima de tudo

  • Desviando-se do mal. Alguém que evita o pecado a qualquer custo.

Não havia homem semelhante a Jó. Esta afirmativa saiu da boca do próprio Deus. Satanás já estava convencido disso, mas mesmo assim tentou colocar em dúvida a integridade de Jó.

2. O Diabo incita Deus contra Jó

Ao ouvir a confissão de Deus sobre Jó o diabo tenta incitar a Deus contra ele. Deus conhecia a veracidade da integridade de Jó, mas queria provar ao Diabo que Jó não o servia por causa do benefício que Dele havia recebido, ou pelos bens que possuía, mas por aquilo que Ele era. Jó era um servo fiel. Deus permite ao Diabo tirar tudo de Jó.

Porventura, não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentado na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face! E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor (Jó v 9-12).

Jó perdeu tudo quanto possuía, em um único dia, incluído aquilo a que sua alma estava mais ligada, seus próprios filhos (1.18,19).

Ao ouvir a notícia, Jó não blasfemou, mas se humilhou diante do Senhor e o adorou (1.20).

O diabo perdeu a primeira aposta, mas não se deu por convencido. Mais uma vez o Diabo comparece na presença de Deus e incita a Deus contra a própria vida de Jó, alegando que tudo o que homem tem dará por sua vida ou saúde (2.4).

Deus conhecia o coração de Jó, mas queria provar sua integridade ao seu maior inimigo que havia colocado em dúvida a sua integridade.

Deus repete ao diabo às mesmas palavras da primeira visita, mas acrescenta: “que ainda retém a sua sinceridade” (2.3).

Apesar da provação sem causa, Jó ainda manteve sua integridade.

Para provar ao Diabo a integridade de Jó, Deus permite mais uma vez o inimigo intentar contra a sua vida, mas adverte: “poupa, porém, a sua vida” (2.6 b).

“Então, saiu Satanás da presença do Senhor e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça (2.7).

Nesse momento o sofrimento de Jó toma dimensões inexplicáveis, apesar de tudo ainda se acrescenta o pessimismo da esposa, o desprezo dos seus contemporâneos e a acusação dos seus próprios amigos.

Jó perdeu tudo: Deus, seus bens materiais, filhos, a esposa, saúde, o respeito dos amigos e de seus contemporâneos, e por fim se sente rejeitado pelo próprio Deus.

Não há dor que se compara a dor da rejeição. Mas ainda nessas condições Jó não pecou contra Deus (Jó 2.10).

Jó possuía todas as boas qualidades, que foram atestadas pelo próprio Deus. Mas por meio da provação ele aprende a lição da paciência, da confiança e da perseverança no Senhor.

“Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg 1.11).

CONCLUSÃO

Jó nos é apresentado como um exemplo de fé. Um exemplo a ser copiado.

A razão pela qual Deus permitiu o sofrimento de Jó não é explicado nas Escrituras, mas a lição que aprendemos de tudo isso é que Deus nos prova com o propósito de nos tornar mais maduros, a fim de que sejamos preparados para algo maior.

Deus retribuiu a Jó tudo em dobro (Jó 42.12).

Deus nos prova a fim de que sejamos aprovados para as mais nobres missões em seu Reino.

Vale a pena suportarmos a provação. Sabemos que podemos suportar todas as coisas se reconhecermos em tudo a soberania de Deus sobre nossas vidas (Jó 2.10).

Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso (Tg 5.11).

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