ESTUDO 10 | A DIGNIDADE DO REINO, OS DOIS FUNDAMENTOS | SÉRIE - SERMÃO DA MONTANHA


TEXTO BÍBLICO: (MT 7.21-29).

INTRODUÇÃO

Neste estudo, o último da série “Sermão da Montanha”, iremos estudar a respeito da dignidade do Reino e sobre os dois fundamentos discorridos, por Jesus em Mateus 7.22-29.

Ninguém é digno do Reino de Deus, nem de absolutamente nada que vem da parte Dele. O mérito do homem pecador é a morte (Rm 3.26). Contudo, Cristo conquistou para nós o direito de vida eterna, e o acesso a todas as demais bênçãos do Senhor (Jo 3.16,17). Este privilégio é estendido, no entanto, apenas àqueles que vivenciam a vida cristã na prática e não, simplesmente nominalmente. A vida interior é mais importante que a vida exterior; esta sempre é um reflexo daquela.

A base de da Vida Cristã é a Palavra de Deus. Toda construção da vida cristã deve ser realizada em torno desse fundamento.

O crente que deixa de observar a palavra de Deus, é imprudente, pois sua construção espiritual desmorona rapidamente, semelhante a uma casa edificada sobre a areia. Uma casa construída sobre a areia, não possui qualquer resistência. Os ventos, as ondas constantes do mar, que representam as diversidades de circunstancias da vida, se encarregarão de desfazer qualquer coisa ali construída.

FAÇA TEOLOGIA CONOSCO

Confira Alguns de Nossos Cursos

Básico em Teologia

Médio em Teologia

Avançado em Teologia

A dignidade do crente

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (v 21).

Como afirma o Salmo 15.1-5

“Quem, Senhor, habitará na tua tenda? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça, e do coração fala a verdade; que não difama com a sua língua, nem faz o mal ao seu próximo, nem contra ele aceita nenhuma afronta; aquele a cujos olhos o réprobo é desprezado, mas que honra os que temem ao Senhor; aquele que, embora jure com dano seu, não muda; que não empresta o seu dinheiro a juros, nem recebe peitas contra o inocente. Aquele que assim procede nunca será abalado”.

A vida cristã deve ser marcada por atos e obras concretos e não por atos e palavras vazias. A prática superficial da religião transforma as pessoas em meros praticantes de um código legal, destruindo a piedade e a justiça. Os religiosos dos tempos de Jesus assim procediam, invocavam a Deus, mais não o faziam de alma, mas apenas da boca.

Citando uma passagem de Isaías, Jesus disse: “Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim”. (Mt 15.8). Jesus se referia aos religiosos hipócritas que esqueciam de praticar as coisas mais importante da lei “a justiça, o juízo e a fé”, e se apegavam cegamente aos preceitos exteriores, tornando assim meros religiosos fanáticos.

A vontade de Deus é conhecida por meio da Revelação Escrita, a Bíblia (Jo 5.39). Não existe outro meio ou forma de conhecermos a boa, perfeita e completa vontade de Deus para as nossas vidas (Rm 12.2). Os costumes e as tradições cristãs, por mais expressivos que sejam, não possuem a mesma autoridade e credibilidade da Bíblia. Portanto, devemos sempre distinguir o que é um costume, tradição e aquilo que é doutrina bíblica.

Para se construir uma base cristã sólida, é necessário que conheçamos perfeitamente a Palavra de Deus.

Dom espiritual não é salvação

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. (v 22,23).

Evidenciar os dons espirituais é uma prova de que a Igreja se identifica com a igreja apostólica (Mc 15.17,18). Os dons espirituais constituem a dinâmica da Igreja de Cristo. No entanto, a supervalorização destes dons, em detrimentos aos demais valores da fé, podem trazer consequências gravíssimas para a igreja.

Um exemplo clássico disso é a Igreja dos coríntios. Paulo afirma que os coríntios possuíam todos os dons espirituais (1 Co 1.7), mas entre eles havia toda sorte de dissensões, invejas e contendas (1 Co 1.10,11; 3.3), e acima de tudo havia ali a prática e tolerância de pecados horríveis que nem mesmo entre os ímpios se viam (1 Co 5.20. Eram egoístas na hora de celebrarem a comunhão “ceia” (1 Co 11.1-30), além disso eram escandalosos, desordeiros e irreverentes no culto. (1 Co 14). Não basta possuir dons espirituais, é necessário entender bem a finalidade deles na igreja.

Com base no exemplo da Igreja de Coríntios, podemos deduzir que, dom espiritual, não sinônimo de espiritualidade.

No meio pentecostal, há uma grande supervalorização dos dons espirituais. O movimento pentecostal hoje, influenciado pelo neopentecostalíssimo, vem perdendo sua originalidade e tornando um movimento mais sensacionalista que avivalistas.

Não estão preocupados com a edificação da igreja, mas com o entretenimento do público. Por isso cria e incentivam o êxtase e o transe espiritual, que para mim são mais descontroles psicológicos do que experiências espirituais, sem levar em consideração os parâmetros bíblicos. As palavras de Paulo aos coríntios, são mandamentos e não apenas conselhos facultativos, portanto, devem ser levados em consideração. Deus ainda exige que o culto seja feito reverentemente e com ordem (1 Co 14.40).

Em meio a estes avivalistas modernos, homens e mulheres do manto, do reteté, existe muitos que supostamente afirmam possuir dons de cura, profecia e autoridade para expulsar demônios, mais que, ao observar seu exemplo de vida, não vemos nenhuma coerência com a Palavra de Deus. A estes recomendo: cuidado! Dom espiritual não é sinônimo de vida cristã, e, portanto, não é segurança para nossa alma. Deixe de brincar com aquilo que é sério, se arrependa de seus pecados enquanto é tempo. Pois o juízo de Deus se aproxima em que Jesus abertamente dirá aos falsos espiritualistas e avivalistas “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (v 23).

O homem prudente e o homem imprudente

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda” (24-27).

A palavra de Deus, como já foi dito, constitui o fundamento da vida cristã. A Palavra é comparada por Jesus a rocha, enquanto a vida cristã é comparada a casa que é edificada sobre ela.

A base de uma construção é responsável por sua sustentação. Sua subsistência depende do lugar onde será construída, e quais materiais serão usados em seus fundamentos. Não somente a escolha do lugar e o material a ser usado é importante, mas também, a qualidade desse material. A pedra é uma matéria resistente e sólida, por isso é comparada a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é o fundamento da vida Cristã. Ela é responsável por nos conceder a estabilidade necessária para resistirmos as influências internas e externas que o crente sofre. As chuvas, as torrentes e os ventos é uma referência às circunstâncias diversas a que estamos sujeitos nessa vida, “tentação, provação, problemas, oposição, perseguição, etc”.

A areia, pelo contrário, é um chão instável, inseguro, que não oferece as condições necessárias para uma construção. A areia simboliza a vida cristã sem o fundamento doutrinário e teológico necessários para sua sobrevivência.

Estas pessoas são comparadas a meninos inconstantes, que são levados por todo vento de doutrina (Ef 4.14).

Há muitos cristãos aventureiros hoje em dia, que desprezam o conhecimento de Deus. São inimigos do ensino sistemático nas igrejas, por conceber uma ideia que não condiz com a Palavra de Deus, que o conhecimento da palavra nos é dado por revelação direta de Deus, sem necessidade de que um agente humano as interprete e as aplique. Essas pessoas, geralmente são individualistas, egoístas, autossuficientes, não aceitam a hierarquia e nem se submete a liderança ou qualquer autoridade constituída por Deus.

Paulo escrevendo a Timóteo afirma: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas” (2 Tm 4.3,4).

O fim dessas pessoas é a queda espiritual, simbolizada por Jesus pela queda da casa edificada na areia, que não resistiu as influências externas vindas sobre ela, chuvas, ventos, torrentes, tempestades, que simbolizam as sujeições da vida cristã.

O inimigo quer que os crentes crescem sem conhecimento, pois assim, são mais fáceis de serem confundidos, e caiam na armadilha de sua própria inconstância e insensatez.

A Autoridade de Jesus

A multidão presente no discurso do sermão do monte, ficou admirada com os ensinos de Jesus, pois os ensinavam com autoridade e não como os escribas.

Os escribas eram os mestres da lei de Moisés, toda questão que envolvia a interpretação e aplicação da lei, era de sua competência. No entanto, influenciados pelas tradições dos anciãos, e o farisaísmo judaico, se tornaram meros refletores de mandamentos humanos. O ensino de Jesus, no entanto, se revelou mais ousado e mais significativo. Jesus muitas vezes falou na primeira pessoa, quando ensinava seus discípulos, o que sugere autoridade própria.


136 visualizações