ESTUDO 06 | A SEDUÇÃO DAS RIQUEZAS E OS CUIDADOS DESTE MUNDO | SÉRIE - SERMÃO DA MONTANHA

Atualizado: 2 de Jun de 2019


TEXTO BÍBLICO: (MT 6.18.34)

INTRODUÇÃO

Nessa cessão, iremos estudar a respeito das riquezas, e das ansiedades da vida, que são os principais responsáveis pela esterilidade no Reino de Deus.

As riquezas é uma benção de Deus. Mas, dependendo de nossa posição em relação a elas, pode se tornar um laço para a vida espiritual.

Deus promete uma vida de prosperidade para aqueles que realmente serve a ele de coração (Sl 1.3; 128.1,2). Mas, as riquezas, não detêm todo o conceito de prosperidade, como é ensinado hoje, pelos adeptos da chamada teologia da prosperidade.

As riquezas são designadas como dom de Deus “E quanto ao homem a quem Deus deu riquezas e bens, e poder para desfrutá-los, receber o seu quinhão, e se regozijar no seu trabalho, isso é dom de Deus” (Ec 5.19). No entanto, este dom entra na categoria de dom “comum”, isso é, um dom que pode ser direcionado a qualquer pessoa, seja ela crente ou não. As riquezas não são um privilégio exclusivo dos salvos, e nem a pobreza a sua única sorte. Deus dá gentilmente a quem ele quer, e priva quem ele quer.

O privilégio exclusivo dos salvos, são as riquezas espirituais, que nos são facultadas por intermédio de Cristo (Ef 1.3).

O desejo desenfreado pela posse de bens materiais, gera a ansiedade, as preocupações, e o principal e mais destrutivo sentimento, a ambição. Destrutivo, porque a ambição não conhece limites, e é capaz de qualquer coisa para alcançar seus ideais. E por esse motivo desencadeará outros diversos sentimentos destrutivos como inveja, ódio, rancor, e o sentimento de superioridade, etc.

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As riquezas

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam (Mateus 6:19,20).

Todos os sentimentos e atos perversos do homem, são motivados por três coisas principais: dinheiro, poder e fama. Estes três estão fortemente interligados.

Em sua abordagem, Tiago indagou aos seus leitores: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? ”, e ele mesmo responde; “...Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis (Tiago 4:1,2).

As guerras, os litígios, os homicídios e a inveja, têm sua origem na cobiça, isso é; no desejo desenfreado de “ter”, “possuir”, e tudo isso é alimentado pelo sentimento de ambição.

Em hipótese alguma, essas coisas poderão ser saudáveis para alma, principalmente do crente.

Por esse motivo Paulo admoesta a Timóteo:

“Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (1 Timóteo 6:6-8).

Contentar-se, não significa se acomodar passivamente a uma determinada situação, mesmo quando há possibilidades de melhoras. Se existe uma possibilidade de obtermos melhores condições para nossa vida, esses recursos, sem dúvida, não podem ser negligenciados. O contentamento é mais uma conformidade com a vontade de Deus, ou com a realidade que Deus prepara para cada um de nós (Fl 4.12).

Os bens deste mundo e os bens celestiais

Todo bem, que o homem consegue ajuntar nesse mundo, ficará nesse mundo. E estarão sujeitas a algumas circunstancias (os ladrões e as leis da natureza, a traça e a ferrugem”. Esses elementos circunstanciais vêm para demonstrar a insegurança disso tudo. O que se constrói aqui, se caba aqui, mas o que construímos diante de Deus, se preservará para sempre pois que não se sujeita a nenhuma dessas circunstâncias e nenhuma outra.

As riquezas do crente no céu é uma referência ao seu prêmio, sua conquista pelo seu trabalho prestado ao Reino de Deus nesse mundo, e o mais importante de tudo; refere-se a concreta, definitiva e eterna posse de nossa herança espiritual.

Diante dos perigos da ambição, e da insegurança das riquezas, Jesus exorta os seus discípulos a investir no Reino de Deus (v 20).

Portanto, temos diante de nós duas opções de investimento. Esta vida ou a vida futura, o céu ou a terra, o Reino ou o mundo. Cabe a nós escolher aquilo que melhor se identifica com o nosso coração. A expressão “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (v 21), alude a verdade que o homem não pode investir onde ele mesmo não se situa ou se vê. Quem é do céu, investe no céu, quem é da terra só pode investir na terra.

O perigo da sedução das riquezas e da esterilidade espiritual

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Timóteo 6:10).

Ter dinheiro sempre é bom, e ter muito dinheiro é melhor ainda, desde que sejamos bons mordomos de Deus nessa parte. A questão, no entanto, é que poucos conseguem ser bons nessa parte. Pois, como Jesus disse; nosso coração está onde nosso tesouro está. Se o nosso tesouro são as nossas riquezas, nossos corações estarão ligados a ela em todo tempo. Nisso o dinheiro se constitui um laço para nossas vidas, nos afastando de Deus e do seu Reino, ou no mínimo nos tornado estéreis, o que terá a mesma consequência desastrosa.

Amar o dinheiro é o equivalente a tê-lo como a parte mais importante e essencial de nossas vidas, isso é; como nosso deus. Mas Jesus adverte “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”, (Mateus 6:24).

Não podemos servir a Deus e as riquezas. Quando amamos o dinheiro destronamos a Deus. Quando houver uma pressão de qualquer umas das partes, porque haverá em algum momento, o crente precisará decidir quem realmente ele quer servir. O que acontece é que na maioria das vezes as pessoas que estão divididas escolhem o dinheiro. Por isso Jesus afirma “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! ” (Mt 10.25). Jesus falou essas palavras por ocasião de seu encontro com um jovem rico. Quando confrontado com a justiça do Reino de Deus, entristeceu-se e retirou-se; ele escolheu as suas riquezas.

Jesus, na parábola do semeador, menciona a semente que foi semeada entre espinhos (Mt 13.7), em sua interpretação ele afirma “E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; ” (Mt13:22). Estes dois temas; “os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas”, são os mesmos tratados nesse contexto do sermão da montanha.

Os cuidados deste mundo

O mundo moderno é marcado pela agitação. A vida neste mundo vem se tornando cada dia mais exigente. O tempo não para, as necessidades crescem, e as demandas aparecem, e por isso a luta pela sobrevivência vem se tornando cada dia mais desafiadora.

O consumismo do mundo pós-moderno é o principal motivador de toda essa agitação. As pessoas nunca se conformam com o que tem, sempre buscam mais e mais. Quem pertence à classe baixa, quer chegar a classe média, e quem pertence a classe média, deseja chegar a classe alta e assim vai.

A busca obsessiva por status social, sucesso financeiro, conforto familiar, etc. tem levados as pessoas a uma rotina de vida cada dia mais agitada. Essa agitação tem trazido várias consequências para a vida do homem; esgotamento físico e mental, stress, fadiga, ansiedades. Isso tem comprometido a saúde física e emocional das pessoas, além de trazer sérios prejuízos para a vida espiritual daqueles que são cristãos.

O consumismo e a sobrevivência humana

Pelo direito ao consumismo, as pessoas precisam ter uma carga horária de trabalho cada dia maior, isso implica em menos tempo para descanso, férias, casamento, filhos, igreja e até mesmo para si mesmas. Na correria do dia a dia, consumismos mais energia do que repomos.

Contudo, essa realidade não se aplica apenas àqueles que buscam qualidade de vida, status social, sucesso financeiro. Hoje, se tornou uma questão de sobrevivência.

Não é fácil se manter no mundo pós-moderno, onde somos influenciados, e em alguns casos escravizados pelas coisas que estão a nossa volta.

Algumas dessas coisas são opcionais, mais seria meio estranho se alguém chegasse em minha casa e não encontrasse por exemplo, uma geladeira, uma TV a cabo, computador, uma máquina de lavar, um smartphone e muitos outros acessórios e aparelhos de nosso mundo moderno.

Muitas dessas coisas, podem ser uteis para vida humana, mas em muitos casos não constitui uma necessidade vital, mas em nome da modernidade, do conforto e da praticidade, nem cogitamos abrir mão delas.

Toda essa facilidade, praticidade e conforto custa um preço, isso é, dinheiro; dinheiro lembra trabalho e trabalho lembra fadiga, cansaço, desgaste. Este é o preço da vida em um mundo motivado pela necessidade obsessiva de “consumir”, “possuir”, “ter”.

Paulo recomenda aos Romanos: “sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos; ” (Rm 12.16).

“Acomodar as coisas humildes”, pode ser o segredo para resolver muitos de nossos problemas na atualidade. Se não há grandes ambições, não há uma busca desenfreada pelo “possuir”, e nisso economizamos tempo e energia.

Não temos que provar nada a ninguém, não precisamos querer demonstrar nossa superioridade a ninguém, porque dinheiro, fama, sucesso, não nos torna mais especial e nem melhor que ninguém. O homem é medido diante de Deus pelo que ele é, e não pelo que ele tem. Se esse não reflete o padrão de nossa sociedade hoje, não temos nenhuma obrigação de segui-lo.

A ansiedade, o mal deste século

As ansiedades da vida, as preocupações de nosso cotidiano, não somente sufoca a vida espiritual (Mt 13.22), como também compromete nossa saúde emocional. A depressão, as fobias, as síndromes, tem suas raízes na ansiedade. Por isso Jesus adverte:

“Não andeis cuidadosos “ansiosos” quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? ” (Mateus 6:25).

Deus tem a vida humana e o corpo humano em grande estima. E por esse motivo, cuidará para que nossas necessidades básicas sejam supridas:

“Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? ” (v 26). “E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; “ (v 28).

Jesus toma como um exemplo do cuidado de Deus, os pássaros e os lírios do campo. Apesar de não trabalhar, não falta comida para os pássaros, e nem uma veste suntuosa para os lírios do campo.

Da mesma forma, Deus prove o necessário para aqueles que confiam em sua providência, portanto, não andemos cuidadosos, confiemos em Deus, descansemos na certeza de que Deus cuida dos seus servos.

Essa confiança, no entanto, nunca deve ser compreendida como passividade, comodismo. Não podemos nos acomodar a situação essa ou aquela, vendo diante dos nossos olhos uma oportunidade de melhora. Deus quer que sejamos bravos lutadores, nunca covardes e insensíveis, diante das necessidades de nossos dependentes. Deus, pode não trazer um pacote de feijão à sua mesa, mas pode prover o meio por onde você poderá tirar o pacote de feijão.

Em todo caso, Deus ainda continuará sendo o nosso provedor

O Reino de Deus em primeiro lugar

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

O reino de Deus aqui, é uma referência a tudo aquilo que diz respeito a Deus, e a sua vontade. Se priorizamos em nossas vidas o Reino de Deus, temos a promessa de que não nos faltará o básico e necessário. “Todas essas coisas”, se refere as necessidades referidas por Jesus aqui “veste, calçado, alimento”. Isso fala dos elementos essenciais de nossa sobrevivência (1 Tm 6.6). Deus sabe que temos necessidade destas coisas, por isso, se confiamos nele, Ele proverá para nossas vidas.

CONCLUSÃO

Falamos da grande agitação do mundo moderno. Em como as pessoas se tronaram escravas de suas próprias necessidades. Por causa da grande demanda do dia a dia, poucos encontram tempo para a família, casamento, igreja, etc.

Contudo, se desejamos buscar o Reino de Deus em primeiro lugar, precisamos mudar algumas de nossas atitudes e conceitos, com relação a esses temas supracitados. O casamento e a família foram instituídos por Deus, Deus vela pela família. Deus é o maior interessado na saúde do casamento e na estabilidade familiar.

Quantos casamentos se acabaram, simplesmente porquê os cônjuges não encontraram mais tempo um para o outro. Faltou tempo para um gesto de afeto, um beijo, um abraço, um carinho, para emprestar o ouvido um pouquinho e ouvir as histórias do outro, e as vezes quando indagado sobre o porquê da ausência destas coisas, sempre justificava “a falta de tempo”.

Quantos filhos se perderam, e foram buscar nas drogas e no crime o que lhes faltava em casa. Faltou-lhes, talvez alguém que os compreendessem, ou alguém que os ajudassem a entender e resolver seus problemas interiores, crises existenciais, ou outras questões peculiares.

Família é o maior patrimônio que possuímos nessa vida, se a perdermos, então perdemos tudo.

O mesmo princípio se aplica a igreja de Cristo. Pois, por mais que sejamos pessoas ocupadas, precisamos destinar tempo para a Casa de Deus. Além se ser uma necessidade espiritual nossa, precisamos também contribuir no serviço da Casa do Senhor. Nada justifica nossa desatenção para com a Casa de Deus.


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