ESTUDO 01 - AS BEATITUDES - SÉRIE (O SERMÃO DA MONTANHA

Atualizado: 1 de Jun de 2019


AS BEM AVENTURANÇAS

TEXTO BÍBLICO: MATEUS 5.1-12

INTRODUÇÃO

As beatitudes, ou bem-aventuranças encabeça a lista da coleção de ensinos de Jesus chamado “sermão do monte ou da montanha”. O sermão da montanha é chamado de a ética do Reino.

Nele, Jesus aborda de maneira didática vários aspectos relativos ao Reino de Deus que havia de se manifestar.

No sermão da montanha, temas relevantes da lei mosaica ganha uma nova roupagem, isso é, uma interpretação mais espiritual, fundamentada no amor de Deus, a base do seu Reino. O sermão da montanha resgata a verdadeira essência da lei moral de Deus.

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JESUS E A VINDA DO REINO

Conforme o relato de Mateus, Jesus iniciou seu ministério propriamente dito, após ter sido batizado por João Batista (Mt 3.13-17), e após ter se mudado para a cidade marítima de Cafarnaum, cidade dos irmãos Pedro e André e Tiago e João (Mt4.18-21), seus primeiros discípulos.

Ao iniciar seu mistério Jesus adotou a mesma mensagem de João, que consistia em um apelo ao arrependimento, e um anuncio da chegada do Reino de Deus (Mt 4.17). A chegada do Reino dos Céus inauguraria uma nova dispensação, um novo tempo. Os súditos do Reino, que a princípio eram os discípulos de Jesus, deveriam se identificar com esse Reino, através do novo nascimento.

AS BEATITUDES

As bem-aventuranças, falam de bênçãos peculiares aos súditos do Reino de Deus, mas ao mesmo tempo falam de virtudes ou características daqueles que fazem ou farão parte deste Reino.

As bem-aventuranças abordam os temas mais relevantes do Reino: justiça, amor, bondade, pureza e a perseguição.

Bem-aventurados os pobres de espírito (v3)

A expressão “pobres de espírito” pode soar negativamente, como se fosse algo pejorativo, mas na visão do Reino, os pobres de espírito são os vazios do orgulho, malícia, sagacidade, altivez, maquinações e maus intentos, que maculam a alma; em outras palavras, são os “humildes de espirito”. Os humildes de espírito são pessoas de coração quebrantado, que tem facilidade de se humilhar perante Deus e aceitar o seu senhorio, isso é; confiam em Deus e são plenamente dependentes do seu favor. Perdoam facilmente, não ambicionam coisas muito elevadas, mas se conformam com as coisas simples. “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6).

Os pobres de espírito são aqueles que são receptivos a Deus e estão prontos a serem enchidos com as virtudes do Reino. “Deles é reino dos céus”, isso é; o Reino de Deus pertence a eles como posse perpetua.

As crianças foram usadas por Cristo como um verdadeiro exemplo de simplicidade e inocência. Jesus disse “...Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18.3).

Bem-aventurados os que choram

Todo mundo chora, uns de alegria, outros de tristeza, outros de ódio e rancor. Mas, a bem-aventurança aqui se estende àqueles que choram por causa do Reino; isso é, os que sofrem perseguições, angustias, tribulações por causa do Reino. Os súditos do Reino neste mundo choram constantemente por causa da injustiça que impera, ódio, crimes, violência, misérias. Os que choram por causa dessas coisas, nunca se conformaram com elas, e isso distinguirá os súditos do Reino e os súditos do mundo.

A Bíblia afirma que Ló afligia sua alma “chorava, lamentava” todos os dias por todas as injustiças dos moradores de Sodoma “E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, por isso via e ouvia sobre as suas obras injustas) ” (2 Pedro 2.7,8). O justo nunca se cansa de fazer o bem, nunca se conforma com os pecados deste mundo, nem que para isso tenha que chorar e lamentar a cada dia. Deus tem promessa de consolo para todos os que choram por causa do Reino “Porque eles serão consolados”.

Bem-aventurados os mansos

A mansidão é alistada como um dos elementos do fruto do Espírito em Gálatas 5.23. Ser manso é ser sereno de espírito, calmo, tranquilo. A mansidão é a principal qualidade que identifica aquele que confia e espera inteiramente na graça de Cristo. Se entrego minha vida a Cristo e confio plenamente em sua graça, então não há motivos para as ansiedades da vida. Ser manso aqui não significa ser sereno apenas em tempos de paz, mas também em tempos de tribulação. Não é uma qualidade momentânea, mas um estado de alma.

Nas Escrituras encontramos diversas referências aos mansos, como também diversas promessas de Deus para eles (Sl 10.17; 22.16; 25.9; 34.2; 37.11; 69.32; 149.4; Pv 3.34; Is 29.19).

Das várias referências aos mansos, e das várias promessas direcionadas a eles a que mais me chama a atenção é essa “Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos para eles...” (Sl 10.17). Deus ouvi os desejos dos mansos e promete confortar os seus corações e ouvir todas as suas petições.

Jesus é nosso maior exemplo de mansidão “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.29). Copiemos o exemplo de Cristo. Ao cultivarmos a mansidão, como um fruto do Espírito estamos nos identificado com Cristo.

A parte de Cristo temos o exemplo de Moisés, que a própria Escritura afirma ser o homem mais manso “tranquilo” do seu tempo; “E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Números 12:3). Essa qualidade de Moisés lhe deu capacidade de conduzir o povo de Deus no deserto por 40 anos. O povo de Israel era um povo obstinado, murmurador, ingrato de coração duro, se não fosse a mansidão de Moises ele não teria conseguido cumprir sua missão. O mesmo princípio vale para nós hoje. “Porque eles herdarão a terra”, essa é a promessa de Deus para os mansos. A “terra” é uma referência ao “reino milenial de Cristo” que se cumprirá literalmente um dia nessa terra. Os mansos terão parte nesse Reino.

Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça

“Fome e sede” lembra comida e bebida”, e isso fala de duas necessidades vitais da vida humana ou de qualquer outro ser vivo. Ninguém pode sobreviver sem comer e sem beber. A ânsia com que um faminto se lança sobre um prato de comida ou o sedento sobre um copo d’agua nos lembra a maneira como devemos ansiar pelo o Reino de Deus. Será que temos tanta fome e sede pelo Reino de Deus? Os que tem fome e sede de justiça serão plenamente satisfeitos por Deus. Que promessa maravilhosa! Quer se apropriar dessa promessa? Então tenha fome e sede de justiça.

Mas, o que vêm a ser a justiça de Deus? O conceito de justiça na Bíblia é amplo, mas podemos definir de um modo geral a justiça como; “a prática da essência moral de Deus”. Tudo aquilo que se conforma a natureza moral de Deus é justiça, e o contrário é injustiça. Ter fome e sede de justiça significa desejar ardentemente cumprir toda a vontade de Deus.

Bem-aventurados os misericordiosos

Os misericordiosos são os que exercitam a misericórdia. Alguns outros termos bíblicos são usados com sinônimos deste, “benignidade, bondade, compaixão, solidariedade”. Os misericordiosos são os se aplicam a prática do bem e jamais se cansam de fazê-lo.

Os que exercitam a misericórdia alcançarão a misericórdia, isso é, a bondade, o favor, a compaixão de Deus.

Bem-aventurados os limpos de coração

Na maioria das vezes que as Escrituras mencionam o “coração” não se refere especificamente ao nosso órgão que bombeia o sangue, mas a sede das nossas emoções, nossa alma, nosso ser interior, ou em alguns casos a nossa mente e pensamentos.

Ser limpo de coração significa ser puro interiormente, de mente, de alma e de espírito, mas talvez tenha um sentido mais específico, referindo-se aos pecados sexuais, sensualidade, prostituição, adultério, fornicação, lascívia, sodomismo, etc.

Jesus, no sermão da montanha, ensina que não é necessário consumar o ato de adultério para que fosse considerado como tal, bastava “cobiçar no coração”, “Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”, (Mateus 5:28). A cobiça do coração são os pensamentos impuros.

A Bíblia fala da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba da vida (1 Jo 2.16). Os dois primeiros lembram pecados sexuais ou as impurezas da carne, o segundo fala das ambições desenfreadas e insaciáveis do homem. Qualquer tipo de impureza “obras da carne” (Gl 5.19), maculam a alma e distancia o homem de Deus “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gálatas 5:16). O segredo para vencermos as tendências impuras de nossa natureza humana é “andando sempre no Espírito” e cultivando aquilo que é contrário à nossa natureza humana caída, “o fruto do Espírito” (Gl 5.22).

Os puros de coração terão o privilégio de ver a Deus. Que promessa fascinante! Lembro-me das palavras de João: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 João 3:2)

Bem-aventurados os pacificadores

Os Pacificadores são os agentes ou os promotores da paz. Paz significa tranquilidade, serenidade. Os agentes do Reino de Deus são pacificadores pois seu rei, Jesus, é o príncipe da Paz.

Nosso Deus é o Deus da paz (Rm 15.33), e os seus filhos não somente devem semear a paz, como também a exercitarem (Tg 3.18).

A paz extingue os conflitos, promove a harmonia entre os povos, faz nascer alianças que garante a perpetuidade e identidade de famílias, grupos, clãs, tribos, nações e reinos.

Jesus disse: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27). A paz que Jesus outorga tem como objetivo principal apaziguar os conflitos da alma humana, trazendo quietude, serenidade e descanso. A alma que descansa em Cristo não se aterroriza e nem se atemoriza por nada. Jesus é a nossa segurança e confiança.

É comum nos dias de hoje vermos crentes semeando contenda e discórdia entre irmãos, apenas com o intuito de promover o litígio. Esses, com certeza, por mais que se dizem irmãos, não se identificam com os agentes do Reino de Deus.

Os pacificadores receberão como recompensa o título definitivo de “filhos de Deus”. Que honra, o fato de podermos ser chamados para sempre de filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça

A Bíblia declara que todos os que desejam viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições (2 Tm 2.12). Jesus previu isso aos seus discípulos “...no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o Mundo” João 16:33.

Essa é a sorte dos servos de Deus nesse mundo, mas devemos lembrar que nossa recompensa nos espera nos céus.

Como já mencionamos, a justiça é toda essência moral de Deus. Os que velam por cumprir toda a vontade de Deus serão perseguidos nesse mundo. Lembremos que o governo deste mundo está sob o controle do inimigo, ele é o Deus deste século (2 Co 4.4). Ele fará tudo que estiver ao seu alcance para oprimir os servos de Deus. Lembremos sempre da recomendação de Jesus “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

Essa última bem-aventurança, é na verdade um prolongamento da anterior. É uma continuação da abordagem sobre a perseguição dos servos de Deus.

“Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mateus 5:12)

O crente que sofre perseguição por causa da justiça de Deus terá sua recompensa no futuro. Portanto, devemos exultar e alegrar sempre.

Quando sofremos por causa do Reino de Deus nos identificamos com o mesmo sofrimento de Cristo. Assim como Jesus foi exaltado por Deus por causa de sua humilhação e sofrimento, assim também serão os seus servos, que padecerem pela causa do evangelho.

Lembremos sempre da recomendação de Paulo aos coríntios, “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Coríntios 15:58).

CONCLUSÃO

As bem-aventuranças são direcionadas aos agentes do Reino Deus que cumprem cabalmente todas as condições apresentadas nessa cessão. Muitos querem ser bem-aventurados “felizes”, mas nem todos querem cumprir as condições exigidas.


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