ESTUDO 09 - O OBREIRO E A SOCIEDADE - SÉRIE (OBREIRO APROVADO)


O obreiro e o contexto social

A sociedade é um conjunto de indivíduos que partilham uma cultura com as suas maneiras de estar na vida e os seus fins, e que interagem entre si para formar uma comunidade.

Qualquer pessoa que cresce e se desenvolve em um determinado ambiente, em uma família específica, que vive em uma determinada cidade, se relaciona com os amigos e com os demais está inserida num contexto social, pois interage de maneira imediata com o outro[1].

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O viver em sociedade é tanto uma caraterística inerente, como uma necessidade da espécie humana. O plano de Deus para a vida do homem, nessa vida depende dessa sociabilidade. “Casamento, família, domínio, governo, expressões humanas” (Gn 1.26).

O viver em sociedade depende do relacionamento interpessoal e vice-versa.

Nascemos e crescemos em um contexto social, que pode influenciar os indivíduos em todos os aspectos. Quando encontramos a Cristo em nossas vidas, passamos a ser regidos por princípios que podem ou não estar sendo refletidos na sociedade em que vivemos. O Brasil é considerado um pais cristão, por uma definição geral, mas não é necessário irmos muito longe para percebermos a diversidade cultural de nosso pais, bem como sua diversidade religiosa. Isso significa que, na condição de cristãos estamos limitados a uma diversidade de fatores que nos cercam, sejam eles culturais, religiosos, políticos, etc. Muitos padrões adotados ou refletidos em nossa sociedade, ou contexto social não condiz com a verdade do evangelho, e, portanto, não podemos compactuar com elas. Ser cristão numa sociedade como a nossa hoje, nunca foi tão difícil. Pelo menos na perspectiva de um crente verdadeiramente comprometido com o Reino de Deus.

A sociedade é formada por seguimentos, grupos, comunidades, etc. Como crentes em Cristo, devemos encontrar nosso lugar. Por isso nosso envolvimento social deve ser delimitado pelos princípios que acreditamos e apregoamos.

Ser sociável é louvável, e pode produzir muitos resultados positivos, no entanto, nosso envolvimento não deve ultrapassar os limites (2 Co 6.14-18). O motivo é porque muitos dos sistemas adotados pela sociedade estão corrompidos, e não condiz com os padrões santos e absolutos de Deus (At 2.40b), portanto, devemos seguir a perspectiva da Palavra de Deus. Não é que temos que nos isolar completamente do contato com as pessoas pertencentes a outros grupos sociais, ou mesmos os ímpios (1 Co 5.10), pois se assim procedermos, jamais os alcançaremos para Deus, o que devemos evitar é de estar à roda dos escarnecedores “ou participando de seus deleites (Sl 1.1-6) ”, isso sim é condenável nas Escrituras. Em sua oração sacerdotal a favor dos discípulos Jesus disse: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17.15).

Jesus relacionou-se com todas as classes de pessoas da sociedade de seus dias “ samaritanos” (Jo 4.7-26), “publicanos” (Mt 9.9-13), ( Lc 19.1-10), “fariseus” ( Lc 7.36), “meretrizes” ( Jo 8.1-11), “gregos” (Jo 12.1-8), “príncipes religiosos” (Jo 3.1-4), “leprosos” ( Mt 26.6) . Jesus relacionou-se com essas classes de pessoas com o fim de conduzi-las ao arrependimento e a fé. Jesus ordenou que pregássemos o evangelho a todos, isso implica num certo contato com elas (Mt 28.15; Mc 16.15-16). O que devemos determinar é a natureza desse relacionamento, nesse caso, é puramente movido pelo amor de Deus, e tem por finalidade conduzi-las a Cristo.

Fomos chamados para influenciar e não para sermos influenciados, para convencer e não para sermos convencidos, persuadir e não para sermos persuadidos. Paulo quando escreveu aos coríntios disse: “já por carta vos tenho escrito que não vos associeis com os que se prostituem”, associar é compartilhar, portanto somos advertidos a não associarmos com as pessoas ímpias deste mundo, ou mesmo os falsos irmãos (1 Co 5.11).

1. O obreiro e seus deveres civis

Jesus disse que “o que é de Cezar deve ser devolvido à Cezar” ( Mt 22.21; Mc 12.17) O contexto deixa explícito que Jesus não referia-se somente aos impostos, mas ao cumprimento geral dos nossos deveres para com o estado.

Paulo escreveu aos Romanos: “Toda alma esteja sujeita as autoridades superiores, porque não há autoridade que não venha de Deus, e as autoridades que há foram instituídas por Deus, por isso quem resiste as autoridades resiste a ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação de Deus". (Rm 13.1-2) Portanto, é dever de todo cristão submeter-se as leis do estado, cumprindo cabalmente seu dever como cidadão da terra, isso envolve o voto, o casamento civil, o alistamento militar, o pagamento de impostos, enfim todos os deveres impostos pela nossa constituição federativa, desde que não venha contrariar a Carta Magna Divina “A Bíblia”.

O cumprimento dos nossos deveres civis, conforme as exigências vigentes, contribuirão, sem dúvida, para dignidade do caráter cristão, o que resultará em benefícios pessoais e consequentemente a obra de Deus, pois fazendo assim taparemos a boca dos ignorantes, para que não escarneçam da Igreja e nem do nome de Cristo.

Os que estão de fora serão instigados a glorificar ao Senhor pelas boas obras que em nós observam (1 Pd 2.12-15).

Nós cristãos e obreiros da casa de Deus, devemos visar primeiramente a glória do nome de Cristo, portanto, para que o nome do Senhor em tudo seja glorificado devemos evitar toda e qualquer tipo de ação que venha causar contendas, discórdias, divisões, e outras coisas, igualmente prejudiciais. O Senhor não admite que ninguém escarneça de seu nome, “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. (Gl 6:7); e nem contribua para tal (Gl 6.7) “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! ” (Mt 18:7). O juízo de Deus virá contra os escarnecedores, e contra os que contribuem para o escárnio.

Em seu juízo contra os escarnecedores Deus condena e castiga tanto o culpado ativo “os que escarnecem de Deus” como o culpado passivo “os que contribuem para o escandalo”.

Os deveres sociais envolvem também pontos como: Justa remuneração ao trabalhador, para os que são senhores (Ef 6.9); servir de boa vontade e de forma justa “para aqueles que são servos” (Ef 6.5-8).

O Obreiro e a política

Até hoje as pessoas ainda perguntam: o crente pode ou não participar ativamente da política?

A questão política no meio evangélico ainda não foi bem esclarecida, pois ainda a grande controvérsia entre os cristãos, se o crente deve ou não participar ou pleitear cargos políticos. Alguns admitem uma coisa ou outra, outros são plenamente favoráveis, e um terceiro grupo são totalmente aversivos a questão. Apesar de as Escrituras não oferecer uma resposta um tanto concreta sobre a questão, ela pode oferecer-nos algumas orientações que servem de base para uma perspectiva sadia sobre o assunto.

Como já dissemos, existe um grupo de cristãos que acha justo o envolvimento dos crentes na política para defesa de seus interesses e os direitos que lhes assistem, como cidadãos de um pais democrático. Essa ideia parece ajustar-se melhor ao contexto geral das Escrituras, no entanto, é bom lembrar que devemos considerar os limites estabelecidos na própria Escritura.

Um cristão, que decide tomar carreira na vida pública, pode ser obreiro da Casa de Deus? Essa é outra pergunta que as pessoas sempre fazem. Ao meu ver, não há nenhum mal em ser um político e ser um obreiro da casa de Deus. Isso pode até ser benéfico em alguns aspectos. O político, como qualquer outro cristão, que exerce qualquer outra profissão está sujeito a muitas coisas. O fato de algum irmão da igreja seguir carreira na vida pública, não significa que ele se tornará um corrupto; ser corrupto é uma opção, e não uma condição do político. Portanto, ele pode escolher honrar a Cristo no exercício de sua função. Todos estamos sujeitos.

Em toda história bíblica, Deus sempre teve pessoas para representá-lo, tanto nas questões religiosas, como civis, dentro ou fora do contexto político de israel. Nos dias de Abraão Deus tinha como representante Melquisedeque, que era rei de Jerusalém e sacerdote do Deus Altíssimo. (Gn 14.18-24). Nos dias que precederam a escravidão no Egito, o Senhor elegeu José que foi governador Sobre todo o Egito. (Gn 41.38-57). Nos dias do rei Nabucodonosor, Ciro, Dário, Deus elegeu a Daniel que chegou a posição de o terceiro maior do império (Dn 1.1). Daniel por um tempo bastante considerável foi o representante divino no império Babilônico e posteriormente no império Medo- Persa. Nos dias do rei Ataxerses foi Neemias (Ne 1.1). Nos dias de Assuero foi a rainha Ester e Mardoqueu (Et 1.1-10) e, assim por diante, portanto, jamais podemos negar o interesse de Deus pelo bem moral e espiritual da humanidade.

Deus, mais que ninguém deseja que os governantes aprovem leis justas, e que os princípios morais cristãos de uma sociedade sejam conservados. Parabéns a todos os nossos irmãos políticos, principalmente os do poder legislativo que tem lutado em defesa dos valores cristãos. O mundo vai de mal a pior, mas Deus conservará o seu povo fiel.

Em tudo devemos manter o bom censo, lembrando-nos sempre das palavras de Paulo aos Coríntios:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm: todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. (1 Co 6:12) ”.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm: todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. (1 Co 10:23) ”.

[1] Artigo http://queconceito.com.br/contexto-social


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