ESTUDO 07 - O OBREIRO E A VIDA PROFISSIONAL - SÉRIE (OBREIRO APROVADO)


O obreiro e a vida profissional

A maioria dos obreiros de nossas igrejas hoje, não são remunerados. Prestam trabalhos voluntários à igreja. Por este motivo muitos deles trabalham em uma profissão secular, para sustentação de suas famílias. Não existe nenhum mal em se trabalhar, visto ser isso uma necessidade para a vida de todos. O trabalho remonta a própria existência da humanidade. Adão, o primeiro homem, trabalhava lavrando a terra e isso mesmo antes da queda no Édem. Adão supria sua família com as novidades da terra (Gn 1.29), Caim o filho primogênito de Adão, também era lavrador, provia-se também da agricultura (Gn 4.2), já Abel trabalhava com criação de ovelhas (Gn 4.1-2).

Paulo quando escreveu aos tessalonicenses, disse; “se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Ts 3.10b), e o próprio Paulo sendo apóstolo, trabalhava para manter-se para não ser pesado a ninguém (At 18.1-3; 20.34; 1 Co 4.12; 1 Ts 2.9). Jesus disse que o Pai nunca deixou de trabalhar, e por isso trabalhava também (Jo 5.17), mesmo em dias proibidos, como no sábado. O trabalho é uma benção do Senhor e dignifica o homem.

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Homens como Moisés (Ex 3.1-2); Gideão (Jz 6.11); Saul (1 Sm 9.1-5;10.1); Davi (1 Sm 16.11-12); Elizeu (1 Rs 19.19); Neemias (Ne 1.11); Amós (Am 1.1;7.14-15); Pedro e André (Mt 4.18-19); Mateus (Mt 9.9-10), foram chamados por Deus para uma missão específica enquanto trabalhavam. Deus apraz-se de pessoas que trabalham, no entanto, apesar de necessário, o trabalho dependendo de sua espécie e demasia pode atrapalhar o ministério do obreiro na casa de Deus (Jo 6.27).

Qual é o seu trabalho no campo secular? Como você administra seu trabalho? Estas indagações podem levar-nos a refletir melhor sobre a questão em apreço.

Dos personagens que citamos acima, alguns trabalharam como pastores de ovelhas; “Moisés e Davi”, outros eram agricultores “Gideão, Elizeu”, “Amós” era boieiro, “Pedro e André” pescadores, “Mateus” colhedor de impostos, “Neemias” oficial do rei. Qualquer cristão, ou mais propriamente obreiro, poderá exercer qualquer uma destas ocupações ou outras semelhantes, e igualmente exercer qualquer função na casa de Deus, sem que uma delas seja prejudicada. Isso vai exigir um certo balanceamento, uma certa disciplina, para que aprendamos a manter o equilíbrio. Estes são dois aspectos de nossa vida, que merece uma atenção especial. A administração indevida de nosso trabalho pode prejudicar-nos no cumprimento de nossa missão espiritual ou vice-versa. Sabemos que nosso trabalho secular é necessário, o reino de Deus, no entanto, deve ser colocado sempre em primeiro lugar (Mt 6.33; Lc 12.31).

Como você administra seu trabalho através do tempo? Apesar de ter que trabalhar para provisão da família, será que você tem dispensado atenção especial ao seu ministério? Você ainda encontra tempo para evangelismos, visitas e outros? Se isso não estiver acontecendo é tempo de se despertar para essa realidade. Seu ministério pode estar em comprometido. Saiba que, quando ocorre negligência de nossa parte, em relação ao nosso exercício ministerial, nós perdemos bastante, e o reino de Deus também.

O Senhor nos fez uma promessa, se buscarmos primeiramente seu reino, ele mesmo cuidará em prover-nos o básico e o necessário, todo o tempo (Lc 12.31). Nesta vida, sempre que temos oportunidade, devemos buscar sempre o melhor para nós e nossas famílias, mas devemos fazer muito mais para Deus e sua obra.

Todo o trabalho prestado ao Reino de Deus, estão em memória perante o Senhor. No tempo certo seremos recompensados por ele (Mt 7.19-21; 1 Co 15.58).

1. O obreiro e a natureza de sua profissão

Outra questão sobre nossa vida profissional é sua compatibilidade em relação a nossa vocação. Se essa questão não estiver sendo levado a sério, podemos então acreditar que nossa própria profissão caracteriza um empecilho à nossa prosperidade ministerial. Vou citar um exemplo bíblico: Mateus, “também chamado Levi”, era cobrador de impostos juntamente com Zaqueu (Lc 19.1-10), não há nenhum mal em ser funcionário público desta classe, no entanto, nos seus dias, os que exerciam tal profissão, eram vistos como pessoas desonestas, porque sempre cobravam acima do exigido pelo rei. Portanto, tal profissão não era bem vista aos olhos daquela sociedade, e nem, tampouco, os que a exerciam. Se a mesma questão fosse considerada hoje, está profissão não seria recomendada a um obreiro da casa de Deus, visto ser difamativa.

Este é apenas um exemplo, mas muitos outros ainda podem ser vistos, portanto, devemos ter cuidado em relação a nosso trabalho, onde trabalhamos em que trabalhamos, como trabalhamos e com quem trabalhamos, pode influenciar diretamente no ministério do obreiro.

2. O obreiro e a remuneração por parte da igreja

A remuneração de obreiros por parte da Igreja é bíblica (Lc 10.7; Mt 10.10;1 Co 9.4), mas a má compreensão bíblica deste assunto tem gerado sérios prejuízos a obra do Senhor. Tanto no que se refere ao abuso do privilégio, como sua omissão.

Muitos obreiros da casa de Deus na atualidade, tornaram-se inertes quanto sua atividade ministerial. A desculpa deles é que não recebem qualquer remuneração por parte da igreja, mas isso não deve serviu como desculpas. Ser omissos no cumprimento de nosso ministério é um erro, e não pode ser justificável diante do Senhor.

A igreja não tem condições de remunerar todos as categorias de obreiros da Igreja. E isso, em muitos casos não é necessário. Então devemos priorizar aqueles que, pela natureza de seu ofício, depende disso. “Pastores, missionários e evangelistas” que exercem função pastoral. Cada caso é um caso.

A igreja é uma entidade filantrópica “sem fins lucrativos” sua única renda provém dos dízimos e ofertas, que são dados voluntariamente pelos fieis (Mt 3.10). Este é o meio provido por Deus para manutenção física de sua obra sobre a face da terra, mas muitos não possuem este bom censo, os que contribuem devidamente com seus dízimos e ofertas na igreja é minoria. Portanto, com um poder aquisitivo tão pequeno, a igreja não teria condições de assalariar todos os seus obreiros. Os recursos da Igreja não são aplicados somente na manutenção de seu pastor, ou missionário, há inúmeras outras despesas que surgem dependo da demanda.

Mesmo nas grandes igrejas, cuja renda é mais redundante, isso seria impossível, ainda mais nas pequenas igrejas do interior onde a renda é tão baixa que mal da para sustentar seus pastores. Nas grandes igrejas a renda é maior, mas as despesas também.

Jesus disse que o obreiro é digno do seu salário (Lc 10.7), porém a aplicação imediata deste texto refira-se a seus discípulos, cuja missão era provisória, abrangendo apenas alguns dias, por isso não deveria levar consigo duas túnicas, nem alforjes, nem sandálias (Lc 10).

Quando Paulo, no entanto, torna a trazer tal assunto em pauta, explica que tal privilégio estava restrito somente aos apóstolos, e a aqueles cuja vida estão voltadas exclusivamente a pregação do evangelho de Deus (1 Co 9.14). Mais em tudo vai depender da disposição financeira da igreja, porque muitas nem mesmo consegue manter seu próprio pastor como já relacionamos acima, muito menos seus demais oficiais “obreiros”. Ser obreiro significa ser um voluntário a serviço do Reino de Deus. Se toda atividade nossa na Igreja for remunerada, então digo “em verdade vos digo que já recebestes o vosso galardão”. Se uma determinada igreja não tem condições de manter vários obreiros no exercício exclusivo, os mesmos devem optar pelo trabalho secular compatível, que pode lhes conceder condições de fazer as duas coisas ao mesmo tempo, pelo menos por um certo período de tempo até que apareçam recursos. O que não podemos jamais permitir é que a Obra de Deus pare.

Em todo caso, o que devemos ter em mente, é que precisamos realizar a obra do Senhor, quer sejamos mantidos por ela ou não. Se os recursos não são suficientes, então vamos optar por um meio alternativo, o trabalho secular, se formos bons administradores, faremos as duas coisas sem prejudicar nenhuma delas. Oremos sempre ao Senhor pedindo que ele nos sustente em sua obra, com um espírito voluntário e para que Ele nos conceda capacidade de administrarmos nosso trabalho priorizando acima de tudo seu Reino (Sl 51.12;1 Co 15.18).

3. Algumas considerações sobre obreiros que trabalham presidindo igrejas

  • São dignos de justa remuneração (Lc 10.7; 1 Tm 5.18)

  • Tem o direito de comer e beber por conta da igreja (1 Co 9.4)

  • Se semeiam as coisas espirituais, são dignos de recolherem às materiais (1 Co 9.11)

  • Se administram o que é sagrado, devem provém-se do que é do templo (1 Co 9.13)

  • Se estão junto do altar, devem participar do altar (1 Co 9.13)

  • Se anunciam o evangelho devem viver do evangelho (1 Co 9.14)

  • Se instrui o rebanho na palavra, digno é de prover-se materialmente por parte dos que são instruídos (Gl 6.6)

  • São dignos de duplicada honra (1 Tm 5.17)


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