ESTUDO 05 - O OBREIRO E A VIDA DEVOCIONAL - SÉRIE (OBREIRO APROVADO)

Atualizado: 27 de Set de 2019


O obreiro e a vida devocional

A devoção particular do cristão está intimamente relacionada à sua dedicação, culto e entrega a Deus. A devoção é responsável por aprimorar, promover e sustentar a comunhão do crente com seu Senhor. A negligência da disciplina nesta área pode acarretar sérios prejuízos ao crente.

1. Tipos de devoção

1.1. Devoção ordinária

A devoção Ordinária é a devoção que se realiza obedecendo a uma ordem ou seqüência pré-estabelecida. Não é pejorativa, pois a devoção perfeita não depende de como é organizada, mas de como é realizada.

Daniel, um profeta de Deus, tinha o costume de orar três veses ao dia (Dn 6.10). Do mesmo modo o rei Davi (Sl 55.17) Os fariseus dos dias de Jesus, também tinham este costume, igualmente seus discípulos ou apóstolos (At 3.1).

Em uma sociedade como a nossa, onde as pessoas são tão ocupadas, é recomendável fazer uma programação de nossa devoção. Muitos cristãos hoje programa e ordena suas devoções, porem não executam. A execução é a parte final de uma programação; muitas coisas são importantes para vida cristã, mas quando se trata da devoção cristã, é mais do que fundamental, é essencial. Independentemente de qual seja e como seja seu trabalho, tenha sempre tempo para a devoção particular, agindo assim você jamais se abalará.

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1.2. Devoção espontânea

A devoção espontânea é definida como a dedicação voluntária a Deus, sem obedecer a uma ordem ou programação pré-estabelecida. A Escritura diz que Paulo e Silas estavam na prisão, derrepente começaram a cantar e orar houve um grande terremoto e as portas do cárcere se abriram (At 16.25-26). O impulso para a devoção espontânea pode ocorrer incircunstancialmente. Podemos estar em qualquer lugar, derrepente sem mais nem menos, brota no coração o desejo de cantar louvores ao Senhor, orar, interceder, adorar e assim por adiante. Já aconteceu isso com você? Você correspondeu aos impulsos de seu coração ou simplesmente resistiu ao desejo? O desejo espontâneo de entrega ao Senhor nas múltiplas formas de devoção, pode ser um sinal de Deus para sua vida, não resista, se entregue sem hesitação.

Pode ser o momento de Deus operar um livramento, ou de uma ministração especial sobre sua vida, a benção que você tanto pedia: pense nisso. Se você estiver no trabalho, no campo, em casa, na rua, sem ter condições de alçar a voz, faça no espírito, entre você e Deus, cante no espírito, ore no espírito, adore no espírito, interceda no espírito, magnifique no espírito, Deus entenderá, receberá e atenderá (Pv 21.2).

1.3. Devoção Dinâmica

A devoção dinâmica, é definida como a disposição de culto, entrega adoração do crente a Deus por impulsos diretos do Espírito Santo. É bastante similar a devoção espontânea, mas aquela se refere a espontaneidade de nosso próprio espírito na entrega ao Senhor. Enquanto, esta, se refere a uma intervenção direta do Senhor por meio do Espírito Santo. Um exemplo clássico de devoção dinâmica é oração e cânticos em mistérios ou línguas (1 Co 14.14-15) outro exemplo são os cânticos proféticos (Ex 15.1-19; Jz 5.1-2; Lc 1.46-56,67-79)

Estas três formas de devoção ou adoração, podem ser também representadas pelo tabernáculo de Moises; que possuía três compartimentos distintos: O Átrio, o lugar Santo e o lugar Santíssimo. O Átrio, onde a maioria dos serviços eram realizados representa a devoção em sua forma natural. O Segundo compartimento, chamado lugar Santo era um recinto de acesso restrito, somente os sacerdotes descendentes de Arão poderiam entrar ali. Naquele recinto os sacerdotes ofereciam diuturnamente o incenso, lá estava a mesa com os pães da proposição, O candeeiro ou castiçal, e o altar de ouro onde se oferecia o incenso; o lugar Santo fala da devoção em uma dimensão mais espiritual. O ultimo compartimento do tabernáculo “O lugar Santíssimo” era um lugar totalmente isolado, somente o sumo-sacerdote, uma vês no ano, no grande Dia da Expiação, aos dês dias do sétimo mês, tinha acesso áquele lugar. Lá se encontrava a arca da Aliança, que era símbolo da presença do Senhor. O lugar Santíssimo fala da devoção na dimensão plena ou dinâmica do Espírito; esta última, sem duvida seria a espécie de devoção mais indicada para os cristãos, pois sem dúvida é mais proveitosa.

2. Meios pelos quais a devoção é processada

A devoção particular do obreiro, como já frisamos, é uma disciplina indispensável, responsável pela manutenção e perpetuação de sua chamada; envolve aspectos como: Oração, Jejum, estudo da Palavra, cânticos e outros.

2.1. Oração (Lc 18.1; 1 Ts 5.17; Cl 4.2)

A oração é definida como: O diálogo entre o crente e Deus, e entre Deus e o crente. A oração além de ser o combustível que alimenta o motor da vida cristã “o espírito” é uma arma espiritual, tanto defensiva como ofensiva “contra as astutas ciladas do diabo, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Ef 6.12-14) A prática da oração remonta a própria existência da humanidade (Gn 4.26). A oração, quando espontânea no espírito, liga o espírito humano ao Espírito de Deus (1 Co 6.17), fazendo assim a conexão da mensagem.

No processo de diálogo com o Senhor, o crente recebe toda e qualquer orientação necessária para sua sobrevivência cristã.

2.2. Jejum

O jejum, como a oração, tem sua importância na devoção do obreiro, e deve sempre estar associada aquela, como um complemento seu. O jejum quebranta o coração e nos torna mais fortes contra nossa própria natureza, contra as influencias do mundo, e as hostes de Satanás (Gl 5.16-18; Mt 17.21). O jejum era prática comum no Antigo Testamento (2 Cr 20.3; Ed 8.21; Ne 9.1; Et 4.3; Jo 2.12; Zc 8.14) como também dos cristãos primitivos. Hoje como nunca, sua prática, deve ser recomendada, contudo, não isoladamente, mas associado a oração.

2.3. Leitura da palavra

Ler as Escrituras deve ser hábito de todo cristão que deseja uma vida plenamente disciplinada (Ap 1.3a), porém o simples ler superficial pode não surtir tanto efeito, portanto, devemos incluir outros elementos a nossa leitura diária como:

3.3.1. Examinar: “examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que testificam de mim” (Jo 5.39). Examinar é analisar com atenção e minúcia. A leitura da Bíblia acompanhada de exame minucioso nos proporciona uma maior facilidade em conhecer e compreender o sentido exato da revelação bíblica; e para o leitor das Escrituras que deseja em tudo conhecer a Deus e sua palavra, adotar esse método seria imprescindível.

3.3.2. Sistematizar: é reduzir a um sistema, ou organizar em sistemas. A leitura sistemática é entendida de diversas formas, porém uma definição satisfatória é o estudo por tema, assunto, doutrina. O estudo sistemático é responsável por ampliar nosso conhecimento bíblico por temática, é o estudo exaustivo de um assunto. Com base em (Ap 1.3), podemos ainda destacar outros dois elementos indispensáveis ao leitor da Bíblia, ouvir e guardar, “bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas”. Uma bem-aventurança é destinada aos que leem as Escrituras (v 3 a), depois aos que ouvem, e ainda aos que guardam. “Ouvir” neste contexto tem um sentido mais espiritual, isso é “atender”.

3.3.3. Guardar refere-se a nossa permanência na prática da vontade do Senhor explicitas na Bíblia. “Bem-aventurados aqueles que guardam as palavras da profecia deste livro” (Ap 22.7)

No sermão do monte, quando Jesus discorria sobre a ética do reino, dispensou total ênfase a prática da palavra (Mt 7.24-27) Ouvir a palavra é bom, como tambem estudá-la, mais nada disso tem efeito se não ser acompanhado de prática.

Os reis de Israel deveriam cumprir uma responsabilidade formal em relação a lei do “mandamento do rei” (Dt 17.19,20) Ao assumir o trono deveria transcrever uma cópia da “lei do rei” em um livro particular, e deveria tê-lo consigo, e meditar nele diariamente. A leitura constante daquele livro levaria o rei a um profundo temor do Senhor, e um coração humilde. O estudo constante da Palavra previne-nos da soberba, e de qualquer outra espécie de males.

O temor do Senhor é resultado imediato do estudo das Escrituras, portanto não perca mais tempo, ordene sua leitura da Bíblia, adiciona isso a sua devoção diária e você serás ricamente abençoado por Deus. A disciplina na leitura pode incluir também literaturas cristãs verdadeiras, de temas diversificados.

3.4. Louvor

O louvor é parte integral da adoração ao Senhor. Os últimos 5 Cânticos do Livro dos Salmos iniciam com a expressão “Louvai ao Senhor”. O Salmo 148 estende um convite a tudo e a todos ao louvor do Senhor. O louvor ao Senhor deve deixar de ser prática somente dos cultos públicos e passar a fazer parte igualmente de nossas devoções particulares.

Os cânticos cristãos, além de enaltecer a glória e majestade Divina, alegram o espírito humano preparando-o para a adoração perfeita (Jo 4.24), portanto quando estiver em sua casa, em seu quarto, ou em outro lugar que venha oferecer-lhe mais liberdade, cante louvores ao Senhor, exalte a sua glória, anuncie seus grandes feitos, se entregue totalmente a ele sem restrições (Sl 37.4-5), tanto seu ministério, quanto sua vida espiritual depende de comunhão perfeita com o Criador.


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