AS ARMAS ESPIRITUAIS DA FÉ


INTRODUÇÃO

O que podemos compreender por amadura de Deus? Essa designação de Paulo aos Efésios se inspira sem dúvida no sistema bélico romano, ou mais precisamente na armadura do soldado romano. Segundo nos informam a história, os soldados romanos eram os mais preparados soldados daquela época. Passavam por um rígido treinamento e disciplina. Suas armas eram acessíveis, todas adaptadas para melhor desempenho na guerra. A armadura de um soldado romano era composta por vários acessórios, cada um responsável por proteger pontos vulneráveis ou vitais do corpo. Alguns tinham a função de defender todo corpo, como por exemplo, o escudo e a espada. Em suma cada acessório da armadura do soldado romano tinha uma função a desempenhar, em dois principais sentidos. Defesa e ofensa. A armadura divina tem como propósito fundamental proteger a vida espiritual do crente de ataques externos e internos desencadeados pelas forças do mal.

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1. A FIGURA DO SOLDADO

Paulo se inspira outras vezes na figura do soldado romano para ensinar algumas outras lições espirituais. 2 Timóteo 2.3,4: “Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. Aqui Paulo quer dar a lição de abnegação cristã em prol da causa do Senhor, baseado na renuncia de um soldado romano em prol da guerra e de seu comandante.

Filipenses 1.30: “tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis que está em mim”. Colossenses 2.23: “As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne”.

1 Tessalonicenses 2.2: “mas, havendo anteriormente padecido e sido maltratados em Filipos, como sabeis, tivemos a confiança em nosso Deus para vos falar o evangelho de Deus em meio de grande combate”.

2 Timóteo 4.7: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.

Todo crente foi alistado para guerra. Uma guerra espiritual travada constantemente contra as forças inimigas do mal. Portanto, devemos estar cientes que em qualquer fase da vida cristã, estamos em guerra. Se fraquejarmos ou ficarmos despercebidos, seremos derrotados, mas se mantivermos firmes no Senhor, munidos com as armas espirituais, ou a armadura de Deus, venceremos todas as batalhas e por fim a guerra. Vencer uma ou duas batalhas não significa que vencemos a guerra. As batalhas contra as forças do mal devem ser travadas até o fim da guerra, isso é; até a volta de Cristo para buscar sua igreja (cf. Jo 14.1-4; 1 Ts 4.15,16). Ou até o momento em que o Senhor nos chamar para outra vida. Por estarmos em uma batalha podemos às vezes ser atingidos, isso fala dos fracassos da vida cristã. As Escrituras nos adverte sobre essa questão, 1 Co 10.12 “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”. Se cairmos precisamos nos levantar e continuar a batalha, pois a perca de uma batalha não significa a perca da guerra. 1 Jo 1.9; 2.1.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”.

Aprendemos do texto de Efésios 6 que a armadura espiritual não nos é concedida automaticamente na conversão. Podemos até recebermos alguns dessas armas no ato de conversão, mas a armadura completa, só podemos obter, por meio das disciplinas da vida cristã, ou da prática da vida cristã. Todos foram alistados para guerra, portanto estamos espiritualmente em um campo de batalha. Diante disso temos apenas duas escolhas, ou retrocedemos ou avançamos. Deus não tem prazer na vida daquele que retrocede (Hb 10.38). Se decidirmos avançar, temos que estar cientes que, não podemos vencer a guerra despreparados, precisamos nos munir de toda armadura de Deus.

1. OS INIMIGOS DO CRENTE.

Paulo deixa bem claro que temos um inimigo forte, o Diabo. Esse inimigo desencadeia contra a vida do crente uma diversidade de ataques que podem os atingir deixando-os feridos ou mortos. Os ataques de Satanás contra a vida do crente são imprevisíveis. Pode tratar-se de algo conhecido, uma armadilha que já conhecemos, mas pode ser algo inédito, que não conhecíamos antes, ou simplesmente pode nos pegar de surpresa. A bíblia usa algumas figuras para descrever Satanás, e elas exprimem aspectos da sua natureza e pessoa. Em outras palavras elas descrevem a real intenção do inimigo contra o crente.

• Serpente (Gn 3.1-3; 2 Co 11.3; Ap 12.9; 20.2). Essa figura descreve a sagacidade e astúcia do inimigo. A serpente sempre pega sua presa de surpresa. • O leão (1 Pe 5.8). Essa figura ilustra a voracidade e a força de Satanás contra a vida do crente. Jesus também é descrito como o leão da tribo de Judá. Esse título de Cristo evoca sua vitória sobre satanás, o pecado e contra todos os inimigos de Deus e de seu povo (Ap 5.5). • Dragão (Ap 12.3; 16.13; 20.2). Essa figura lembra o poder de Satanás, sua grande força. • Valente (Mt 12.29; Mc 3.27; 11.21,22). Essa figura descreve como a do leão a bravura e intrepidez de Satanás. Satanás é o valente que entra na vida das pessoas e rouba-lhes seus bens “saúde, casamento, família, paz interior”. Jesus é o único que pode dominar e saquear Satanás. Ele é aquele que é mais Valente do que o valente. Muitos dos outros nomes e títulos dados a Satanás na Bíblia evocam sua natureza, ou a própria missão de Satanás em relação aos santos de Deus ou ao mundo de uma forma geral. • Satanás “adversário”. O inimigo de Deus e nosso inimigo. • Diabo “difamador” “acusador”. Nosso acusador diante de Deus (Ap 12.10). • Belial “indignidade, perversidade, maligno”.

1.1. Designações das forças inimigas do mal.

Paulo afirma que nossa luta não é contra carne e sangue, “...mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes” (Ef 4.12). Estes títulos são uma referência às classes de espíritos ou forças malignas que habitam no espaço cósmico e que atuam por detrás do Sistema Mundano. Eles são responsáveis por promover o reino de satanás neste mundo. Ele é o deus deste século (2 Co 4.4). E tem a seu serviço legiões de seres espirituais malignos que promovem seus interesses. O reino de Satanás cresce no mundo, onde exerce sua jurisdição. Trata-se de um reino organizado hierarquicamente onde os demônios, os súditos de Satanás exercem autoridade administrativas. O foco principal de Satanás e seus súditos é impedir o crescimento do reino de Deus. Para isso ele usa e usará todos os recursos que estiverem ao seu alcance. Satanás não possui bom senso, ética, discrição, portanto ele joga sujo.

• Principados e príncipes “dignidade de príncipe”. O próprio Satanás é assim descrito em algumas passagens da Bíblia. Ele é o príncipe dos demônios (Mt 9.34;12.24; Mc 3.22; Lc 11.15), o príncipe deste mundo (Jo 12.31; 14.30; 16.11; Ef 2.4). O termo também aparece como título dos demônios-chefes, cabeças de nações (Dn 11.13,20), é também usado como referência ao anjo-príncipe dos Judeus, Miguel (Dn 10.21; 12.1). Aparece também como uma referência a Cristo (Dn 8.25; 9.25). Em se tratando de espíritos maus os principados são demônios-chefes responsáveis por governar nações. Estas forças malignas controlam os sistemas humanos com o propósito de afastar a humanidade de Deus.

• Potestades. “poder supremo, o que exerce poder”. Forças malignas que detém grande poder sobre áreas específicas do governo de Satanás. Fala em suma dos demônios que assumem ou que exercem poder ou autoridade (Rm 8.38; Ef 2.2; 3.10; Cl 2.15; 1 Pe 3.22). O termo “potestades” como outros acima, parece referir-se também a certos anjos bons que assumem autoridade no governo de Deus (Cl 1.16).

• Hostes. “tropa, exército”. Trata-se da totalidade dos espíritos inferiores a serviço de Satanás o príncipe dos demônios. Estes, acredito eu, são os responsáveis por produzir consequências diversas no mundo como: doenças, as dependências químicas, divisões, dissensões, pecados sexuais como prostituição, homossexualismo, sensualidade etc. São os demônios comuns que causam opressão nas pessoas e possessão demoníaca.

1.2. Outras fontes espirituais inimigas.

Além dos inimigos alistados por Paulo em Efésios seis “tratados acima”, o contexto geral da Bíblia apresenta outros dois. Estes do mesmo modo representam grande periculosidade para os crentes; a carne “natureza humana caída” e o mundo “sistema organizado que se opõe a Deus de forma persistente e sistemática”. Estes recebem grande influência de Satanás. Portanto os inimigos do crente podem ser classificados como:

• Diabo “e suas hostes” • Carne “natureza humana caída”. • Mundo “sistema organizado que se opõe a Deus e a seu Reino de forma persistente e sistemática”.

Estes são meios ou veículos pelos quais a tentação se manifesta. Estes são considerados fontes da tentação. Mas o que é tentação? “na perspectiva bíblica tentação é a inclinação ou tendência do ser humano à prática daquilo que é considerado impróprio ou pecado” . O propósito da tentação é nos instigar a pratica do pecado, isto é: levar-nos a consumação dos atos condenados pela lei moral divina. A tentação se manifesta por intermédio dos sentidos do corpo:

• Visão • Audição • Olfato • Paladar • Tato

O processo é esse: (Tg 1.14,15) “Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte”. Atração, engodo, concepção da concupiscência, consumação do pecado. No estágio da atração e engodo podemos ainda evitar o pecado. No estágio da concepção da concupiscência já podemos pecar como nos ensinou Jesus, Mt 5.28: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”. Este também é chamado de adultério do coração. No ultimo estágio “a consumação do ato” não existe remediação, a não ser através de confissão e arrependimento sincero (1 Jo 2.1).

2. OS ACESSÓRIOS DA ARMADURA DE DEUS.

A armadura de Deus, ou armadura espiritual do crente consiste no poder de Deus que capacita os santos a resistir, defender e fugir das astúcias ou armadilhas de Satanás seja por mecanismos conhecidos ou desconhecidos. A armadura espiritual do crente é composta por oito principais acessórios conforme Efésios 6.10-18.

• O cinto da verdade • Couraça da justiça • Os sapatos da preparação do evangelho • Escudo da fé • Capacete da salvação • A espada do Espírito • Oração e súplica • Vigilância

Munidos com estas armas espirituais jamais seremos vencidos pelos poderes do mal. Qualquer trama de Satanás contra as nossas vidas serão anuladas. O crente, espiritualmente falando, deve munir-se destas armas, estando sempre em posição de batalha, isso é; de pé, como bem ilustra a Bíblia de Jerusalém v. 14 “portanto ponde-vos de pé e cingi-vos”.

2.1. O cinto da verdade.

A verdade ou a sinceridade é o cinto. Este rodeia as outras partes da armadura e é mencionado em primeiro lugar. não pode haver religião sem sinceridade . A verdade é que liberta (Jo 8.32) e sustenta a vida cristã. O cinto da armadura romana tinha a função básica de prender a couraça e proteger a parte abdominal ou cintura do soldado. O cinco cobria os rins que na cultura judaica era tido como sede das emoções (Sl 7.9; Ap 2.23). A verdade de Deus protege as emoções do crente das mentiras de Satanás. Satanás usa meios e métodos sutis para tentar atingir o crente. A verdade de Deus nos afastará de todo engano.

2.2. A couraça da justiça.

A justiça e a “virtude moral que inspira o respeito dos direitos de outrem e que faz a cada um o que lhe pertence” . Mas aqui temos com certeza uma referência a justiça divina imputada sobre nós através de Cristo Jesus. A justiça de Cristo, imputada a nós, é uma couraça contra os dardos da ira divina. A justiça de Cristo, implantada em nós, fortifica o coração contra os ataques de Satanás . A couraça da armadura romana tinha como função básica proteger a região peitoral onde se encontra o coração que é a fonte da vida. A couraça da justiça protege o coração do crente. O coração deve ser mantido limpo e justo pois o pecado sempre da uma chance para o inimigo .

2.3. Os sapatos da preparação do Evangelho da Paz.

A resolução deve ser como as peças da armadura para resguardar as partes dianteiras das pernas, e para afirmar-se no terreno ou caminhar por sendas escarpadas, os pés devem estar protegidos com a preparação do evangelho da paz. Os motivos para obedecer em meio das provações devem extrair-se do caro conhecimento do evangelho . O pé é um dos membros mais importante do corpo humano e é responsável por sua sustentação, locomoção, equilíbrio etc. O pés deveriam estar devidamente protegidos para garantir estabilidade ao soldado na batalha. Na armadura espiritual os pés devem ser calçados da preparação do Evangelho da paz. Sapatos adquadros permitem aos pés irem de um lugar para outro. O crente esta a serviço dos outros que é levar aos outros o Evangelho da paz e da reconciliação. A clara visão dessa missão matem o crente orietado para a direção correta .

2.4. O escudo da fé.

O escudo de um soldado romano tinha um formato retangular, curvado, de madeira, forrado a couro com reforços metálicos nas bordas e no centro, para proteger a mão. Esse equipamento era considerado um dos mais importantes, e indispensáveis na batalha. Tinha várias funções principalmente à defesa dos dardos do inimigo. Um soldado destituído de um escudo dificilmente ousaria entrar na batalha. Da mesma forma o crente jamais poderá enfrentar as forças inimigas do mal sem a fé. A fé protege o crente contra os dardos de Satanás e ao mesmo tempo lhe inspira confiança para avançar na batalha espiritual. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Sem fé o crente recua e foge da batalha. Mas o que á fé? O escritor da carta aos Hebreus apresenta uma definição bastante pedagógica da fé ( Hb 11.1): “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. A fé é a esperança que nos matem firmes nas promessas de Deus. A nossa fé é a vitória que vence o mundo (1 Jo 5.4).

2.5. Capacete da salvação.

O capacete do soldado romano era de ferro e sua função básica era proteger a cabeça. A cabeça é o membro responsável pelo governo de todo corpo, pois nele se encontra o cérebro nosso centro de comando. O capacete da salvação é responsável por proteger a vida do crente da condenação eterna. O inimigo questiona a salvação plena ou o novo nascimento proporcionado pela Graça salvadora de Deus mediante a fé em Jesus Cristo. Busca esvaziar a esperança que temos no Filho de Deus no presente e no porvir. v. 17a; Romanos 5. 1 -2. Com o capacete da salvação temos a certeza que somos salvos, saberemos que nada vai nos separar do amor de Deus, não importa o que aconteça (leia Romanos 8:35-39). O capacete faz com que a gente sempre lembre que Jesus morreu em nosso lugar e assim ficamos alegres porque temos esperança de sermos salvos das aflições deste mundo (leia Romanos 12:12). Filipenses 4:8 - Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente. Provérbios 20:9 - Será que alguém pode dizer que tem a consciência limpa e que já se livrou dos seus pecados? Colossenses 1:18 - Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja, e é ele quem dá vida ao corpo. Ele é o primeiro Filho, que foi ressuscitado para que somente ele tivesse o primeiro lugar em tudo.

2.6. A espada do Espírito

O Gládio era a espada utilizada pelas legiões romanas. Era uma espada curta, de dois gumes, de mais ou menos 60 cm, mais larga na extremidade. Era muito mais uma arma de perfuração do que de corte, ou seja, devia ser utilizada como um punhal, ou uma adaga, no combate corpo-a-corpo. Por ser uma arma de fácil manejo possibilitava ao soldado maior êxito na batalha. Apensar de ser uma arma de porte médio era também usado como arma de defesa e não somente de ofensa. A palavra de Deus é a espada do crente. Ela é a arma que o Espírito usa em suas batalhas. A palavra de Deus pode ser usada tanto na defesa como na ofensa do inimigo. O conhecimento da Palavra de Deus é responsável por nos manter de pé diante do Senhor. Ele nos livra dos laços de Satanás. Jesus usou essa arma preciosa pra se defender do inimigo (Mt 4.1-8). E essa foi a causa de sua vitória sobre Satanás. Hoje muitas pessoas são atingidas pelas mentiras de Satanás, e acabam cedendo às mentiras do engano. Heresias são difundidas por toda parte e conseguem levarem cativos milhares de pessoas. Tudo isso só é possível porque falta o verdadeiro conhecimento da Palavra de Deus. A única maneira de nos mantermos firmes diante dos ataques sutis de Satanás é através do exercício constante das disciplinas da vida Cristã. Oração, jejum, estudo da Bíblia etc. O povo de Israel pereceu porque lhes faltou o verdadeiro conhecimento de Deus (Os 4.6). O mesmo acontece hoje na vida dos cristãos indisciplinados.

2.7. Oração.

Oração é o diálogo entre Deus e o crente. A oração e estudo da Bíblia se completam. Quando oramos, falamos com Deus, quando estudamos a Bíblia Deus fala conosco. Na Bíblia encontramos os princípios ou diretrizes gerais da vida cristã. Na oração entramos as diretrizes particulares. A oração é indispensável à vida cristã como o oxigênio é indispensável à vida de todo ser vivo. A prática do diálogo com Deus remonta as próprias origens da humanidade (Gn 4.26). E pode ser evidenciada como prática comum da vida dos servos de Deus por todas as suas páginas. O próprio Jesus nos deu inúmeros exemplos disso; essa prática na vida de Jesus é citada pelos quatro evangelistas e com ênfase maior no evangelho de Lucas (4.21; 5.16; 6.12; 9.18,28, 29; 11.1; 22.41). Jesus afirmou que muitos demônios só podem ser expulsos por meio de oração e jejum (Mt 17.21). As Escrituras nos exorta a vivermos sempre em oração e nunca esmorecer (Mt 7.7,8; Lc 18.1; Rm 12.12; Cl 4.2; 1 Ts 5.17). Os crentes da igreja primitiva viviam sempre em oração (At 1.14; 3.1; 6.4; 16.13; 1 Co 7.5; 2 Co 9.14; Fl 4.6. A oração é uma das armas contra o poder da tentação (Lc 22.40). Paulo em Efésios 6.18 trata da oração como sendo algo distinto da súplica “orações e súplicas”. Alguns tentam distingui-las da seguinte forma: oração é o diálogo entre Deus e o homem, um diálogo comum, normal, uma conversa pacífica, enquanto a súplica trata especificamente de petições feitas a Deus em tom mais agressivo. Isso é implorando insistentemente a graça e favor do Senhor.

2.8. Vigilância

A vigilância constituiu uma das principais virtudes da vida Cristã. Na maioria dos casos a recomendação à vigilância vem associada à oração (Mt 26.41; Mc 14.38; 21.36). A vigilância também é associada à sobriedade ( Ts 5.6; 1 Pe 4.7; 2 Pe 5.8). Mas afinal o que significa vigiar. Em sua raiz a palavra vigiar significa “Observar com atenção”, “estar atento a”; “velar por”, “estar acordado”, estar de guarda, de sentinela, de vigia”, “precaver-se, acautelar-se”. O sentido Bíblico de vigilância é relacionado espiritualmente a estas definições; isso o crente deve estar atento espiritualmente, para não ser pego de surpresa tanto pelo pecado quanto pela vinda de Cristo. Algumas parábolas e ensinos proferidos por Jesus chamam a atenção para o tema de “vigilância”; a parábola das virgens (Mt 25.1-13), dos Talentos (Mt 25.14-30), os servos que esperam o retorno do seu senhor (Lc 12.35-40) entre outros. A lição de sobriedade também está relacionado ao tema da vigilância. Ser sóbrio é ser moderado, tanto no comer quanto no beber. A lição espiritual de sobriedade é portanto manter-se longe de tudo aquilo que pode nos afastar da nossa lucidez, como por exemplo a bebida alcoólica, entorpecentes, e mesmo as riquezas ou praticas sexuais ilícitas. O crente deve vigiar em todo tempo, sabendo que a volta de Jesus pode ocorrer a qualquer momento. A vinda de Jesus para igreja “arrebatamento” não pode nos pegar de surpresa.

CONCLUSÃO

Devemos estar atentos as palavras de Paulo a Timóteo. “Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra (2 Tm 2.4,5). Estamos num campo de batalha espiritual. Se queremos agradar ao nosso Supremo Capitão devemos avançar, vencer os embaraços desta vida, e sermos vitoriosos em Nome de Jesus.