A VARA DE MOISÉS, O INSTRUMENTO DOS MILAGRES NO EGITO E NA PEREGRINAÇÃO

Atualizado: Abr 13


A vara


A vara era um instrumento de uso comum nos tempos bíblicos. Era parte dos apetrechos básicos de um homem do campo ou viajante. Mas, seu uso era imprescindível principalmente aos pastores de ovelhas.

A vara, também chamada de bordão ou cajado, era multifuncional. Era usada no manuseio das ovelhas, na disciplina, no cuidado, para afugentar os animais selvagens e promover a própria segurança do pastor, etc.

Nos tempos bíblicos existiam duas formas básicas da vara ou cajado. A vara em forma de bastão, também denominado bordão (Sl 23.5), e a vara que possuía uma curva ou gancho em sua extremidade, mais comumente denominado cajado. A vara de Moisés era sem dúvida em forma de bastão, também usada no manuseio das ovelhas.



O simbolismo da vara.

Como já abordamos, a vara ou cajado, era o instrumento usado pelo pastor no cuidado das ovelhas, o que tornava a vara o símbolo da autoridade do pastor de ovelhas. Na Igreja Cristã, o cajado também se tornou o principal símbolo do ministério pastoral.

A vara de Moisés simbolizava, em primeira instância, o poder e a operação de Deus (Ex 9.15). Mas, também simbolizava o Forte Braço e as Mão de Deus estendida (Ex 3.20; 6.1,6; 9.15; 14.31).

A vara por si não possuía nenhuma virtude, era apenas o instrumento pelo qual Deus tornava manifesto seus milagres. O escritor sagrado não deixa dúvidas quanto a isso ao usar a expressão “E o Senhor fez assim” (Ex 8.24), “e fez o Senhor conforme as palavras de Moisés” (Ex 8.13,31), “e o Senhor fez esta coisa” (8.6).

Mais adiante a vara de Moisés passou a simbolizar o sacerdócio levítico e o ministério de Arão (17.1-13).

A origem da vara de Moisés

Moises é mencionado pela primeira vez portando uma vara, no incidente da sarça ardente em Êxodo 4.2, quando o Senhor lhe diz “Que é isso em sua mão? " "Uma vara", respondeu ele (NVI). A vara ou cajado de Moisés foi aqui usado pela primeira vez não para realizar um sinal como se segue, mas como o próprio sinal. “A vara literalmente se transformou em uma serpente, e Moisés fugia dela” (Ex 4.3). A vara de Moisés foi usada como sinal em três momentos distintos: primeiro, no incidente já mencionado da sarça ardente; segundo, diante de faraó (Ex 7.10), e por último, no incidente de Ex 17.18, onde a vara de Arão floresceu, deu botões e amêndoas.

Deus usou a própria vara de Moisés para convencê-lo de que era o Deus dos Hebreus e que o enviava para resgatar seu povo; em seguida demonstrou diante de faraó a superioridade do Deus dos Hebreus, quando a vara de Moises transformada em serpente, tragou a vara dos magos egípcios. E por último usou a mesma vara como um sinal de que a tribo de Levi foi a escolhida para o sacerdócio e Arão o sumo-sacerdote.

Quando o Senhor terminou seu diálogo com Moisés deixou-lhe a recomendação: “E leve na mão esta vara; com ela você fará os sinais miraculosos". (Êxodo 4:17). A vara, a partir de então seria o instrumento que Deus usaria para realizar suas maravilhas no Egito e também durante a peregrinação no deserto.

Vara de Moisés e a vara de Arão

O contexto bíblico deixa bem explicito que as varas de Moisés e Arão eram uma única vara. Deus pediu a Moises que levasse a vara que transformou em serpente, porque através dela Deus faria todos os seus sinais perante faraó e todos os egípcios (4.17). Mais adiante Deus ordena que a vara de Arão seja lançada na terra e seria transformada em serpente (Ex 7.9,10). Isso não nos deixa dúvida que se tratava de uma única vara. Mais adiante observamos que Moisés e Arão levantam uma única vara na realização da primeira praga (Ex 7.20). O uso da vara era intercalado entre Moisés e Arão. Isso dependeria da ordem explicita de Deus. As vezes o Senhor ordenava que Moisés a usasse (Ex 9.22,23; 10.13,21,22; 14.16,17,21,26,27; 17.5,6;17; Nm 17.9; 20.9). As vezes a ordem era Arão (7.9,10,12,19; 8.5,16,17; Nm 17.6,8,10).



Um outro forte argumento para uma única vara é no incidente de Nm 17.1-13 e 20.7-13. Na primeira passagem, Deus ordena que todas as tribos de Israel apresentassem uma vara que representaria os cabeças das casas paternas; a vara de Arão foi colocada entre as demais, representando a tribo de Levi (Nm 17.6). Deus confirmou o sacerdócio à tribo de Levi e à Arão, fazendo sua vara florescer, dar renovos e frutos (v8). Em seguida Deus ordena que esta vara seja colocada perante o Testemunho, isso é: Diante das Tábuas da Aliança (v10).

Na outra passagem mencionada acima, Deus ordena a Moisés: “Toma a vara e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai a rocha...” (Nm 20.7), “então, Moisés tomou a vara de diante do Senhor, como lhe tinha ordenado” (v9). A vara que O senhor ordena que Moisés apanhe para realizar o milagre da água, é a mesma vara de Arão que florescera, que Deus anteriormente havia ordenado que fosse guardada em sua presença diante do Testemunho, como prova de sua soberana escolha.

Como eram realizados os sinais por meio da vara


Como já enfatizamos a vara simbolizava a operação de Deus, seu poder, sua mão e braço estendido. Era o meio pelo qual as maravilhas de Deus eram realizadas no Egito.

Portanto, as maravilhas realizadas no Egito, sempre estão relacionadas a vara de Moisés. A maneira como a vara seria usada dependia da ordem de Deus. As vezes Deus mandava tocar algo com a vara para o milagre acontecer, “ferindo as águas” (Ex 7.20), “ferindo o pó” (Ex 8.16), “ferindo a rocha” (Ex 17.6). As vezes a ordem de Deus era apenas para direcionar a vara sobre o alvo “as águas” (Ex 8.15), “ao céu” Ex 9.22,23), “a terra do Egito” (Ex 10.3), “o mar” (Ex 14.21,26,26), etc.

Em algumas ocasiões, na realização das pragas no Egito, o uso da vara não é mencionado, por exemplo; na realização da praga das moscas (Ex 8.23,24), na praga das pestes (Ex 9.4-7), na praga das úlceras (Ex 9.9-12), na praga da morte dos primogênitos (Ex 12.29-36). Apesar de não ter sido mencionado o uso da vara nos casos relacionados acima, ela sempre está associada, pois estava presente em todos os casos, ou na mão de Moisés ou de Arão.


A presença da vara é imprescindível em todos os casos, e é por meio dela que os sinais eram realizados direta ou indiretamente por Deus. Podemos citar, por exemplo Números 20.7,8, que ratifica essa verdade “E o Senhor falou a Moisés, dizendo: Toma a vara e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai arrocha perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhe tirarás água da rocha e darás a beber à congregação e os seus animais”. Repare que Deus ordena a Moisés que tome a vara em suas mãos, mas ao contrário do incidente anterior narrado em Êxodo 5-7, Deus não manda Moisés “tocar na rocha”, mas “falar a rocha”. A vara simbolizava a operação de Deus, não havendo necessidade, portanto, que um gesto ou outra ação fosse realizava com a vara para que o milagre acontecesse. Bastava apenas falar. Moisés, no entanto, tocou duas vezes com a vara na rocha, contrariando a vontade do Senhor. Deus, no entanto, repreendeu Moises por isso (Nm 20.12). A falta de fé de Moisés e Arão no caso da rocha resultaram no seu impedimento de entrar na terra prometida.

O destino da vara


Deus ordenou a Moisés que a vara de Arão que florescera fosse guardada perante o Senhor, diante do Testemunho; isso é “diante das Tábuas da Aliança”, como sinal de que escolhera a tribo de Levi e Arão para o sacerdócio, (Nm 17.10). Depois que a arca da Aliança foi construída, a vara de Arão, o vaso contendo o maná, e as Tábuas da Aliança foram colocados dentro dela (Hb 9.4) e, foram conservados ali por muito tempo. Nos tempos do rei Salomão não foi mais encontrada dentro da Arca senão, unicamente as Tabuas da Aliança (2 Cr 5.10).

Autor: Marciel A. Delfino