O MODELO DA ORAÇÃO EFICAZ


INTRODUÇÃO

Orar é dialogar com Deus. Diálogo significa troca de conversa entre duas pessoas ou mais. O diálogo é uma interação; uma troca de ideias. O diálogo com Deus, por meio da oração é uma oportunidade de tornamos conhecidos todos os nossos anseios a Deus. É uma forma de obtermos dele as diretrizes específicas para nossa vida. A oração é uma das formas de culto mais antiga, e significa a primeira instância intimidade. Um bom diálogo acontece entre duas pessoas que se conhecem e desfrutam de certa comunhão. Quanto maior a intimidade, maior e melhor será o diálogo entre duas pessoas. Se pedirmos a algum crente uma definição básica do termo oração, sem dúvida teremos com muita precisão. No entanto, a simples definição do termo, não esclarece devidamente o verdadeiro conceito bíblico de oração. Na prática as coisas são bem diferentes que na teoria. A oração faz parte das disciplinas da vida cristã, preciosíssima e insubstituível. É na essência a causa-efeito de nossa comunhão com o Criador. Os servos de Deus de todos os tempos se aplicavam a prática da oração. Faziam dela um hábito diuturno e constante. O próprio Jesus deixou-nos este exemplo. Neste estudo abordaremos os aspectos fundamentais da oração, levando em consideração o contexto geral da Bíblia.

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1. O QUE É A ORAÇÃO?

• Oração é um diálogo com Deus. Em um diálogo sempre existe intercâmbio de conversas; doutra maneira seria monólogo, não diálogo. Na oração falamos com Deus e Deus fala conosco. Na oração nos abrimos com Deus, e Deus torna manifesta sua vontade. Um certo escritor disse: Para vencermos na vida cristã três coisas apenas são necessárias; oração...oração...oração.

2. PORQUE DEVEMOS ORAR?

A. Porque é um mandamento (1 Ts 5.17; Lc 18.1). Orar não é facultativo, é um mandamento bíblico. Se queremos agradar a Deus na íntegra precisamos nos aplicar a oração. Mas não devemos nos aplicar a ela somente pelo fato de ser um mandamento de Deus, mas por seus benefícios à vida cristã. B. Para estreitar nossa comunhão com Deus. “Comunhão é sintonia de sentimentos, de modo de pensar, agir ou sentir; identificação” O maior objetivo da oração, é sem dúvida, nos tornar mais íntimos de Deus. Deus é um ser pessoal, presente, e deseja relacionar-se intimamente com seus servos. A comunhão com Deus é a maior benção da vida cristã. • Na oração desenvolvemos intimidade com Deus. Quanto maior nossa intimidade com o Senhor maior será nossa capacidade de interação com Ele. C. Para tornar as nossas petições conhecidas perante Deus (Fl 4.7). Na oração temos o privilégio de compartilhar nossos problemas, ansiedades e dificuldades com Deus. Paulo escrevendo aos filipenses diz: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças” (Fl 4.6). Viver inquieto é viver ansioso, preocupado, distraído. Quando levamos tudo a Deus em oração descansamos em sua providência. Jesus disse que o Pai Celestial tem cuidado de nós (Mt 6.25-34). Deus quer e sempre tem o melhor pra nós. Para ter acesso ao melhor de Deus basta entregar a ele nossas vidas por completo (Sl 37.4,5). D. Para tornar conhecidas a vontade específica de Deus para nossas vidas. A Bíblia é nossa fonte de fé e prática em termos gerais (1 Tm 3.16). Isso é: nas Escrituras encontramos as diretrizes fundamentais da vida cristã. Na oração encontramos as diretrizes básicas de nossa vida presente. Na prática da oração encontramos consolo, direção, conselho etc. Deus tem uma vontade específica para cumprir na vida dos seus servos individualmente. Essa vontade se conhece por meio da prática da oração e comunhão com Deus.

3. COMO DEVEMOS ORAR?

A oração deve ser realizada da forma mais simples possível. Deve fluir naturalmente, conforma o ambiente de um bom diálogo. A Bíblia, no entanto, apresenta-nos algumas diretrizes básicas que deve caracterizar nossa oração. A. Com espirito quebrantado (1 Pd 5.6) Espirito quebrantado fala de uma disposição espiritual receptiva; de um coração contrito, totalmente subordinado ao senhorio de Cristo. Quando estamos orando devemos lembrar que estamos diante de uma grande personalidade, que detém todas as qualidades nobres. Estar diante de Deus significa estar diante do Rei dos reis e Senhor dos Senhores. Significa estar diante do grande Justo Juiz da terra, de um Pai amoroso que consola e conforta um filho abatido, mas que, ao mesmo tempo, é severo e ríspido, e corrige o filho que ama. Mas, se temos um espírito contrito, nos deixamos conduzir pelo Espirito Santo, ao ambiente espiritual que nossa alma carece. Essa é uma experiência maravilhosa, aqueles que experimentam sempre querem repetir a dose. B. Com objetividade “sendo específicos” (1 Pd 5.7) Ser específico significa “ir direto ao ponto”; falar “sem ar rodeios”. A oração do Pai nosso é um modelo de oração objetiva e específica (Mt 6.9-13). Cada palavra ou sentença detém um significado especial. Jesus disse que não é por muito falar que seremos ouvidos (Mt 6.7). O que determina o resultado de nossa oração não são as muitas palavras ou o grande tempo que passamos orando, mais, sim a qualidade da mesma. Existe um ditado que diz “para um bom entendedor poucas palavras basta”. Deus é um excelente entendedor; o melhor de todos. Duas palavras significativas são suficientes para Deus fazer o milagre. Desde que essas palavras toque o coração de Deus. C. Com perseverança (1 Ts 5.17; Lc 18.1) Ser perseverante na oração é um dos segredos para se obter a resposta de Deus. Jesus, no sermão da Montanha, enfatiza a necessidade de sermos perseverantes na oração “Pedi, e da-se-vos-à; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre” (Mt 7.7,8). O verbo pedir, buscar e bater estão no presente contínuo, indicando perseverança, constância. Se queremos a resposta as orações, precisamos perseverar em “pedir, bater, buscar”, porque “...aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre”. Jesus também ilustra a lição da perseverança ao contar a parábola do “juiz iníquo” (Lc 18.1) e do “amigo importuno” (Lc 11.5-8). D. Com espontaneidade (A prática da espontaneidade cristã gera a espiritualidade; a prática da formalidade a religiosidade” Orar com espontaneidade significa orar com naturalidade e simplicidade. Em outras palavras, deixar fluir naturalmente. Oração enfeitada, ensaiada, repleta de termos técnicos, etc. tem pouquíssima eficácia. Deus sabe o que se passa conosco; ele nos conhece plenamente. O escritor aos Hebreus diz “...todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos que tratar” (Hb 4.13b). Ele sabe quando estamos sendo verdadeiros em nossas palavras. Oração formal é muito superficial diante da natureza imanente de Deus. Deus requer de nós mais que um discurso diante de sua presença. Ele quer relacionar-se conosco, ele quer interatividade, isto é; ação recíproca.

4. QUAL A POSIÇÃO ADEQUADA PARA ORAR?

Frequentemente ouvimos dizer que a melhor posição para orarmos é de joelhos. Algumas seguimentos cristãos fazem disso uma regra. Mas, a Bíblia, de fato, estipula uma posição única para a pratica da oração? A resposta sem dúvida é não. Orar de joelhos é, com certeza, uma boa posição para oração; simboliza humilhação, subordinação. Mas não constitui regra normativa para oração. Jesus sem dúvida orou de joelhos, mas também orou em pé (Jo 11.41,42), sentado (Mt 26.20,26,27). Na maioria das vezes que uma pessoa é mencionada orando na Bíblia, não se especifica a posição em que ela se encontra. Essa omissão deixa claro que, o que importa pra Deus, é a oração em si, e não a posição em que se está orando. O momento de oração deve ser um momento reservado, individual, em que o crente conversa com seu salvador. Uma questão também intrigante a respeito da oração é sobre a maneira como devemos estar vestidos quando oramos. A Bíblia não nos oferece subsídios para estabelecermos uma regra sobre essa questão. Deixo aqui, portanto, apenas algumas reflexões. Começo fazendo algumas perguntas. O que a oração representa pra você? É um diálogo entre você e Deus? Se é uma conversa entre duas pessoas então Deus está presente como pessoa. Que tipo de relacionamento desfrutamos com Deus? As vezes Deus se manifesta como Pai amoroso, como Amigo de todas as horas, como nosso Guia e Conselheiro, mas nunca como uma pessoa de intimidades, como esposo e esposa. Ai pergunto pra você: Como você se veste quando está diante de seu pai, amigo, conselheiro, etc? Sua resposta, vai determinar como você estará diante de Deus, quando orar.

5. GRAUS E INTENSIDADE DA ORAÇÃO

Na ótica humana toda oração é oração. Para Deus, no entanto, existe uma certa diferença. A Bíblia usa três palavras principais para denominar graus e intensidade da oração. Estes três estágios espirituais da oração, lembra o Tabernáculo de Moisés. O tabernáculo era dividido em três partes: Átrio ou Pátio, Lugar Santo e Santíssimo. Cada compartimento tinha certo gral de santidade. O átrio, possuía certo gral de santidade, o segundo compartimento; o Lugar santo, era mais santo que o átrio, era um recinto restrito aos sacerdotes apenas. O Santíssimo, como o próprio nome denomina, era santíssimo. Era um compartimento muito restrito; apenas o sumo sacerdote tinha acesso uma vez no ano, no Grande Dia da Expiação. Ali Deus manifestava sua plena Santidade e Presença. Quanto mais íntimo o recinto, mais perto de Deus o sacerdote se encontrava. Quanto mais íntima for nossa oração mais perto de Deus estaremos. • Oração – Dialogo com Deus. O diálogo lembra uma conversa branda entre duas pessoas ou mais. É o termo mais usado nas Escrituras para referir-se ao ato de buscarmos a presença de Deus. • Clamor – Geralmente fala de uma oração coletiva de caráter intercessório. A palavra clamar é similar a “gerar com intensidade, fazer acontecer pela insistência, persistir até que a porta se abre, tomar posse de uma promessa até que se manifeste”. • Súplica – A súplica refere-se ao nosso desabafo íntimo com Deus. A súplica reflete a nossa angústia secreta diante de Deus. A súplica é o grau mais elevado de oração feita a Deus. A súplica geralmente vem associado com clamor intenso e lágrimas (Hb 5.7).

6. TIPOS DE ORAÇÃO

Quando oramos, destacamos alguns aspectos de nossa vida espiritual em relação a Deus. Nisso se destacas as muitas formas ou tipos de oração. Na Bíblia destacamos pelos menos seis tipos delas. Alguns acreditam que a oração perfeita deve conter todos os cinco aspectos relacionados abaixo. Como base de oração modelo tomam a oração de Salomão ao dedicar o templo a Deus (2 Cr 6.12-42). A. Enaltecimento ou de adoração (Rm 11.33). Quando analisamos alguns modelos de oração na Bíblia percebemos que o aspecto da adoração se destaca de maneira privilegiada, como um prefácio à oração. A oração de enaltecimento, exalta a majestade divina, seus atributos e qualidades morais. A oração de adoração é oração de entronização a presença de Deus. Portanto, é, indispensável. B. Confissão Todos nós erramos, e todos pecamos, seja por palavras, pensamentos, atos, omissões, etc. (1 Jo 1.8-10). A oração de confissão é um momento que tiramos para confessarmos a Deus nossas fraquezas, erros, falhas etc. É também a oportunidade de pedirmos seu perdão afim de nos redimir das falhas acidentais inerentes a natureza humana. Nas orações encontradas na Bíblia vemos este aspecto também presente. Visto que somos tão falhos na presença de Deus, devemos encaixar em todas as nossas orações um momento para confissão. C. Ação de graças (1 Tm 2.1; Sm 107.1) A gratidão é uma virtude rara. O ser humano é ingrato por natureza. Devemos, portanto, cultivar o hábito de agradecer a Deus em nossas orações. A ingratidão é uma das piores qualidades a ser suportada numa pessoa. Deus, sem dúvida, pensa o mesmo a respeito dos ingratos. O salmista diz: “o que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” E responde “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor, pagarei os meus votos ao senhor, agora, na presença de todo o seu povo.” (Sl 116.12-14). Em suma, devemos ser gratos a ele. A única coisa que Deus requer de nós por todos os benefícios que ele nos tem feito é a gratidão. Deus é bem específico ao responder nossas orações ou nos abençoar. Do mesmo modo precisamos ser também específicos ao expressar nossa gratidão Ele. D. Intercessão (1 Tm 2.1). Paulo escrevendo a Timóteo diz: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens” (1 Tm 2.1). A Oração de intercessão é a forma de oração mais comum na Bíblia. Nela alguém se propõe a falar a Deus a favor de outrem, como Abraão intercede pelos homens e por Ló (Gn 18.23-33), Moisés, inúmeras vezes por Israel no deserto, Neemias pelo povo de Israel (Ne 1.4-11), etc. Tiago diz “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16b). A oração de intercessão é um mandamento de Deus. Na Palavra encontramos diversas recomendações para intercedermos pelos santos (Ef 6.18), por todos (1 Ts 5.25; 1 Ts 1.2) pelos reis e por todos os que exercem autoridade (1 Tm 2.1,2), pelos doentes (Tg 5.14-16), pelos que nos perseguem (Mt 5.44). Omissão na intercessão é um pecado contra Deus (1 Sm 12.23). E. Petição Paulo escrevendo aos Filipenses diz: “E não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Fl 4.6). A petição é a oração realizada ao nosso favor. É onde apresentamos nossos pedidos a Deus. Os crentes são pidões por natureza, mas não podemos permitir que nossa tendência de pedir nos impeça de aplicar os demais aspectos da oração relacionados acima. Vale a pena, mais uma vez lembrar das palavras de Jesus “não é por muito falar que seremos ouvidos”. Como já vimos, o segredo para receber é pedir; (Mt 7.7,8), mas Deus, também é capaz de nos surpreender e nos dar além do que pedimos e pensamos (Ef 3.20) F. Imprecação A imprecação é uma oração negativa, muito comum nos Salmos. É o desejo expresso de que algo de mau aconteça a um ser ou alguma coisa; é sinônimo de amaldiçoar. No Novo Testamento não se acha mais lugar para esse tipo de oração. Não mais vivemos sob a Lei do Talião “...olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe”. (Ex 21.24,25). Vivemos debaixo da Lei de Cristo, isso é; debaixo da Graça de Cristo. Jesus disse: “Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos”. (Mt 5. 44,45). Tiago Diz: “Com ela (a língua) bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim. Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce” (Tg 3.9-12). Não podemos abençoar, e ao mesmo tempo amaldiçoar nosso próximo, isso se parece mais com espiritismo, e feitiçaria.

7. O QUE PODE IMPEDIR A ORAÇÃO?

A oração do crente pode ser bloqueada, e não chegar a presença de Deus, ou simplesmente Deus pode rejeitá-las. Isso pode parecer muito estranho, mas é uma verdade ensinada na Bíblia. Pedro diz: “Igualmente vós, maridos, vivei com elas (a mulher) com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações” (1 Pd 3.7). Aqui, Pedro trata, especificamente dos casados. A maneira como o casal se relaciona pode bloquear suas orações diante do Senhor. Veja algumas outros razões que pode levar Deus a bloquear nossas orações. A. Falta de fé ao pedir. “Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa...”(Tg 1.6,7). B. Pedir para os deleites e não por necessidade. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4.3). C. Pedir algo incompatível com a vontade de Deus. “E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14). D. Pedir de consciência impura. “Nisto conheceremos que somos da verdade, e diante dele tranquilizaremos o nosso coração; porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas. Amados, se o coração não nos condena, temos confiança para com Deus...” (1 Jo 3.19-21).

CONCLUSÃO

A prática da oração, proporciona uma experiência emocionante e marcante ao crente. Assim como é impossível vida sem o oxigênio, assim também é impossível desassociar a oração da vida cristã. Que possamos cada dia nos aplicar a oração e poder continuamente desfrutar de todos os seus benefícios.