A DISCIPLINA, O INSTRUMENTO CORRETIVO, PREVENTIVO E EDUCADOR DE DEUS

Atualizado: Abr 14


INTRODUÇÃO



O termo “disciplina” sempre está associado à correção, penitência pela desobediência; mas pode significar também, viver sem regras ou princípios (Hb 12.8). A disciplina de Deus, pode também ter caráter não penitencial, mas preventivo e aperfeiçoador. Isso é, Deus pode nos submeter à disciplina, não somente pelo fato de termos sido desobedientes, mas para nos preparar para algo futuro, ou para nos ensinar uma lição específica ou para nos moldar em algum aspecto específico. Resumindo, Deus pode nos submeter à disciplina:

  • Porque pecamos

  • Para não pecarmos

  • Ou simplesmente para nos fazer crescer espiritualmente

Em todos os casos, Deus visa sempre o nosso bem ao nos submeter à disciplina (Hb 12.10b; Dt 8.16).

Deus é descrito na Bíblia como um pai amoroso, que cuida de seus filhos (Hb 12.5-11). Quem ama disciplina. O pai que ama seu filho, o disciplina (Hb 12.7b). Deus ama seus filhos, por isso os disciplinam (Ap 3.19), não ao seu bel-prazer, mas para o seu próprio bem o faz, para que possam andar perfeitamente em seus caminhos e serem participantes de sua santidade (v10). O amor verdadeiro é preventivo. É capaz de ser rígido no presente, para que no futuro possa colher os frutos positivos. Portanto, com o propósito de nos aperfeiçoar em Cristo, e de nos livrar da condenação futura, Deus nos disciplina. Não podemos esquecer que, no presente toda disciplina não parece ser de gozo ou alegria, mas de tristeza, mas no futuro colhemos os frutos (Hb 12.11).

Neste estudo iremos abordar o tema “disciplina”, a luz do contexto bíblico, discorrendo sobre seus principais aspectos.



1. TERMOS USADOS PARA REFERIR-SE À DISCIPLINA DE DEUS.

A DISCIPLINA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS, É O RESULTADO DE SEU PROFUNDO AMOR.

  • Correção (Hb 12.5,7; Pv 3.11)

  • Repreensão (Hb 12.5b)

  • Açoite (Hb 12.6)

  • Castigo (Jó 5.17; Ap 3.1)

Enquanto as Escrituras usam esses termos, para referir-se à disciplina de Deus, na vida dos seus filhos, outros termos são usados, para referir-se ao trato de Deus com os ímpios.

  • Juízo

  • Julgamento

  • Condenação

  • Flagelo

Estes termos, podem tanto referir-se, a um ato presente de Deus, como um ato futuro, contra os ímpios. Os que vivem sem disciplina, são bastardos e não filhos. Deus não tem cuidado com aqueles que não são filhos seus, legitimados por filiação a ele, por meio de Cristo. Os juízos de Deus contra os ímpios, são motivados por justiça, zelo, ira e furor.

2.COMO DEUS NOS DISCIPLINA

Deus nos disciplina usando o meio mais eficaz existente; a tribulação. A tribulação funciona como uma escola para o crente, ensinando-nos lições preciosíssimas (Rm 5.3-5). A tribulação vai produzir toda sorte de frutos de justiça, formando em nós a natureza espiritual de Cristo. A Tribulação produzirá em nós as principais virtudes da fé cristã; paciência, experiência, esperança e o amor (Rm 5.3-5).

A tribulação, o instrumento da disciplina de Deus, é descrita por outros diversos termos no contexto bíblico:

  • Aflições (Jo 16.33). Geralmente o termo aflição no Novo Testamento, quase sempre está relacionado as aflições sofridas pela causa de Cristo, ou por causa do evangelho (2 Tm 2.3). Estas aflições são frutos da perseguição desencadeada aos servos fieis de Deus em todas as gerações (2 Tm 3.12). Muitas são as aflições dos justos, mas o Senhor o livra de todas (Sl 34.19).

  • Perseguição (Mt 5.10; 13.21). Como o termo aflição,



“perseguição” está relacionado aos sofrimentos desencadeados por causa do evangelho.

  • Provação (Tg 1.12). Refere-se ao teste a que somos submetidos, na condição de filhos de Deus. A fé de Abraão foi provada (Hb

11.17)

  • Sofrimento (Tg 5.11) Aflições diversas sofridas pelos servos de Deus. Estas aflições também estão relacionadas aos sofrimentos padecidos por Cristo.

  • Angústias (2 Co 6.4; 2 Co 12.10). As angústias são experiências dolorosas vividas no cotidiano da vida Cristã. No contexto Neotestamentário estão também relacionadas aos sofrimentos padecidos por causa de Cristo.

  • Tentação (Tg 1.12). A tentação é quando somos colocados a prova por Deus por meio daquilo que há em nós (nossa natureza humana). Tiago diz que devemos ter grande alegria quando formos acometidos por diversas tentações (Tg 1.2). A tentação possui basicamente três agentes: Satanás, o mundo e a carne. Deus não é o mentor da tentação, porque Deus não tenta ninguém, nem pode ser tentado pelo mal (Tg 1.13). “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1.14). A provação vem de Deus, pois Deus, como Pai amoroso disciplina seus filhos, afim de extrair o que há de melhor neles. Mas, a tentação vem do inimigo, afim de extrair o que há de pior em nós; nossos desejos pecaminosos, concupiscências, paixões carnais, etc.

No entanto, apesar de não ser o mentor e nem o agente da tentação, Deus pode se utilizar dela para provar seus filhos (Nm 8.2,3).

Deus pode fazer com que o mal se transforme em bem (Gn 50.20). Afinal, todas coisas contribuem juntamente para o bem, daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Isso significa que Deus, mesmo não tendo participação ativa em tudo que nos acontece, ainda detém o controle de toda situação. Nada foge ao controle de Deus. Mesmo a tentação que nos sobrevém, nos é concedida sob medida (1 Co 10.13), e que controla a dose é o próprio Senhor.

3. COM QUE PROPÓSITO DEUS NOS DISCIPLINA


Como já temos observado, Deus, como Pai Amoroso, nos submete à disciplina, para o nosso bem. A disciplina tem como propósito primordial, conduzir o crente a maturidade cristã. Para alcançarmos a maturidade, vários aspectos de nossas vidas devem ser aperfeiçoados. Portanto, várias são as razões, pelas quais, Deus nos prova. Abaixo alistaremos as principais:

  • Para aprendermos o mandamento de Deus (Sl 119.71)

  • Deus nos prova para o pleno proveito nosso (Hb 12.10)

  • Para sermos participantes da sua santidade (Hb 12.10b)

  • Para produzir a justiça de Cristo em nossas vidas (Hb 12.11)

  • Para desenvolver em nós a virtude da paciência (Tg 1.3), experiência, esperança e amor (Rm 5.3-5)

  • Para sermos participantes da consolação de Deus (2 Co 1.7)

  • Para servos participantes das aflições de Cristo e para que nos regozijemos e alegremos no porvir (1 Pe 4.13)



4.COMO DEUS ESPERA QUE NOS COMPORTEMOS DIANTE TRIBULAÇÃO

“Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hebreus 10:38).

O caminho que Deus escolhe para nós é, sempre, o melhor caminho. Deus não tem prazer na alma do que recua, portanto, espera que suportemos a tribulação, por isso nos exorta a:

  1. Termos bom ânimo diante das aflições (Jo 16.33)

  2. Sermos pacientes (Rm 12.12; 2 Co 1.6; Tg 5.7,8)

  3. Nos gloriar na tribulação (Rm 5.3-5)Atentemos para as palavras do escritor aos Hebreus “E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas

depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” Hebreus 12:11.

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